Empregada sozinha, entrega para Íris Abravanel: como ladrões agiram na antiga casa de Silvio Santos
Região do Morumbi tem sido marcada por explosão de furtos e roubos em patamar elevado; SSP afirma que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no bairro
A suposta tentativa de assalto à mansão onde viveu o apresentador Silvio Santos ainda é uma incógnita para a Polícia Civil de São Paulo. O caso ocorreu no fim da tarde de domingo, 9, no Morumbi, zona sul da capital paulista.
Como mostrou o Radar da Criminalidade, desenvolvido com exclusividade pelo Estadão, a região tem sido alvo frequente da criminalidade, marcada sobretudo por uma explosão dos furtos e pela manutenção dos roubos em patamar elevado.
Sobre o caso envolvendo a "Mansão Abravanel", porém, ainda se faz necessário "aprofundar as investigações a fim de estabelecer se houve tentativa de furto ou roubo", segundo o boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) afirma que o episódio foi registrado inicialmente como suspeita de violação de domicílio e encaminhado ao 89º Distrito Policial. Até agora, não há informações sobre pertences levados do imóvel.
De acordo com o boletim de ocorrência, uma funcionária da casa, de 57 anos, relatou à polícia que viu pela câmera de segurança um veículo de cor "preto, grande e com insulfilm" parar na frente da mansão e três suspeitos, usando toucas pretas, entrarem na casa - o trio teria conseguido acessar o escritório da família.
Sozinha na mansão, a mulher, que trabalha como arrumadeira, disse que correu para a guarita, trancou-se lá dentro e ligou para a Polícia Militar e para outros funcionários que trabalham no imóvel, em busca de ajuda.
Uma das ligações foi para um motorista que trabalha na casa e que seria responsável por ficar na guarita, mas que tinha saído logo antes para levar um objeto a Íris Abravanel, viúva de Silvio, em Barueri, região metropolitana de São Paulo.
O boletim aponta que, ao chegarem no local, os agentes da corporação não encontraram ninguém suspeito ou sinais de escalada e arrombamento. O veículo descrito pela funcionária também não foi visto, além de também não serem identificados objetos furtados em um primeiro momento.
Mais tarde, na delegacia, a funcionária complementou que acredita que ao menos dois veículos estão relacionados com a invasão e que os responsáveis pelas imagens de segurança estão atrás dos registros para auxiliar a Polícia Civil.
Conhecida como "Mansão Abravanel", a residência, localizada na Rua Antônio de Andrade Rebelo, também foi cenário de um dos episódios de maior repercussão envolvendo a família do artista. Em agosto de 2001, Patrícia Abravanel, filha de Silvio e hoje também apresentadora de TV, foi sequestrada e mantida em cativeiro durante uma semana.
Dois dias depois de ela ser libertada, Fernando Dutra Pinto, apontado como responsável pelo crime, entrou na mansão e manteve o apresentador refém durante cerca de sete horas. A ocorrência mobilizou as forças de segurança e teve a participação do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nas negociações que terminaram com a libertação de Silvio Santos.
Criminalidade no Morumbi chama atenção: 'Moradores estão com medo'
O 34º Distrito Policial, que atende casos em boa parte da região, teve a maior alta de furtos da cidade no 1º semestre, segundo dados do Radar da Criminalidade. Foram 2 mil ocorrências do tipo na região durante esse período, 30,3% a mais que no mesmo período do ano passado.
Os roubos, apesar de queda de 3,7%, também preocupam - o 34º DP foi o 16° (entre mais de 90 espalhados pela cidade) com mais registros desse tipo de janeiro a junho, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado. Diferentemente dos furtos, os assaltos são marcados por violência física ou grave ameaça.
As invasões a residências estão entre as modalidades que preocupam. No mês passado, um roubo a uma casa de alto padrão na Rua Emilio Pedutti chamou atenção pela sofisticação. A ação contou com 12 criminosos - grande parte deles armados - distribuídos em três veículos. Cerca de R$ 2 milhões em joias, relógios e outros objetos de valor foram levados pela gangue.
Imagens de câmeras de segurança mostram que um dos assaltantes chega a baixar a cortina da cozinha para levantar menos suspeitas. Durante a fuga, eles atiram contra o carro dos donos da casa, que chegam no fim da ação, mas não houve feridos.
"Os moradores estão com medo da situação", apontou o delegado Gilbor Miter Júnior, do 34º Distrito Policial, que descreveu o grupo como uma quadrilha "extremamente profissional". Além das invasões a residências, chamam atenção os furtos de veículos e a pedestres, sobretudo em vias mais ermas do bairro.
"Há sensação de insegurança do transeunte e, ao que parece, de liberdade do criminoso", afirma o presidente da Sociedade Amigos Morumbi e Vila Suzana (Samovis), Jorge Eduardo de Souza, que descreve como "rotineiros" os furtos que hoje avançam pela região. "E muita gente sequer registra boletim de ocorrência", acrescenta.
O registro é cobrado pelas autoridades não só para instaurar investigações, como para direcionar policiamento. Apesar da alta de furtos no Morumbi e em outras regiões, a cidade registrou, no primeiro semestre, queda de 12,9% nos roubos (44,6 mil), e de 2,4% nos furtos (120,8 mil). A tendência de redução se repetiu no Estado.
Na invasão com 12 bandidos, ao menos um suspeito de envolvimento foi preso pela Polícia Civil. Na casa da namorada dele, na região do Campo Limpo, na zona sul, foi encontrado um dos relógios levados no roubo, segundo a polícia. Os agentes ainda tentam localizar um segundo identificado, que também teria participado da ação.
Em nota, a Secretaria da Segurança afirma que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada na região, com reforço do policiamento ostensivo, patrulhamento preventivo e operações baseadas em inteligência policial. Segundo a pasta, na área da 3ª Seccional, que inclui o Morumbi e bairros como Pinheiros e Perdizes, na zona oeste, "os roubos e furtos caíram 16,1% e 5,08%, respectivamente", no 1º semestre.
A secretaria acrescenta que, para combate aos crimes patrimoniais, as forças de segurança realizam operações estratégicas voltadas à identificação e prisão de criminosos, à desarticulação de grupos envolvidos nesses delitos e ao enfrentamento das cadeias de receptação. Diz ainda que a PM intensificou o patrulhamento nos bairros, além de realizar operações permanentes, como a Impacto, voltada ao combate aos crimes contra o patrimônio. Segundo balanço oficial, 2,7 mil suspeitos foram presos ou apreendidos na capital no primeiro semestre. /COLABOROU RAYANDERSON GUERRA
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