Em São Paulo, procura para tirar CNH por jovens diminui 10,5% em seis anos
Aplicativos, caminhadas e bicicletas influenciam rotina das novas gerações; no mesmo período, nº de documentos válidos no Estado de São Paulo teve alta de quase 17%, se consideradas todas as faixas etárias
O isolamento social dificultou a busca neste ano e meio, mas ainda assim o desejo de dirigir não parece ser mais o sonho de jovens que completam 18 anos. Um levantamento do Detran de São Paulo mostra uma queda de 10,5% no número de pessoas de 18 a 30 anos que tiraram a carteira de habilitação (CNH) nos últimos seis anos. O número de CNHs nessa faixa etária caiu de 4,8 milhões em junho de 2015 para 4,3 milhões, enquanto o número total de CNHs no Estado cresceu quase 17%.
"Eu não preciso de carro e, quando tenho de sair, meu pai me leva ou uso transporte público ou aplicativos", resumiu o estudante universitário Milton Moreira, de 21 anos, que vive em Santo André, no ABC paulista. Em entrevista ao Estadão, ele contou que atualmente, por causa da pandemia, não tem saído de casa. Mas acrescenta que nunca teve mesmo o entusiasmo por um carro, comportamento que é comum entre pessoas de sua idade. "Muita gente tem esse desejo, mas eu não tenho. Agora, então, com a pandemia, nem saio de casa", afirmou o estudante.
O jovem argumenta ainda, que, por não dirigir, fica livre de custos de manutenção ou despesas com eventuais acidentes. O estudante já adiantou que "em curto prazo" não pretende pilotar. "Quem sabe mais para a frente", afirmou.
Já a professora Carolina Cheres Nogueira, de 27 anos, que não tem CNH, contou que nunca teve o desejo de ter carro ou dirigir. "Quando eu era mais jovem, meu pai, que era instrutor de autoescola, sempre quis que eu tivesse a 'carta'", relatou. "Mas ele faleceu quando eu tinha 18 anos e nunca fui atrás disso. Era um desejo mais dele do que meu", explicou Carolina, que é professora-assistente em escola de ensino fundamental no Butantã, zona oeste da capital. "Eu não me preocupo com isso", afirmou. "Para voltar das minhas festas à noite, eu já usava táxi antes de aparecer Uber, até porque eu não entro em carro de amigos alcoolizados. E também uso o transporte público, nunca tive problemas com isso", disse a professora.