Defesa de homem abordado em atacado de Canoas se manifesta
Roger Domingues do Santos, de 32 anos, foi imobilizado pelos seguranças do estabelecimento por suposto furto
A defesa do homem abordado violentamente por seguranças do Fort Atacadista de Canoas se manifestou sobre o caso nesta terça-feira (19). Segundo o advogado criminalista André de Oliveira Carus, será feita uma representação criminal sobre o fato na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância.
Roger Domingues dos Santos, de 32 anos, foi abordado por pelo menos quatro funcionários do Fort Atacadista, na última sexta-feira (15). O motivo seria um furto que o homem teria cometido no interior do estabelecimento.
No vídeo feito por um funcionário da rede de atacado, Roger aparece sendo imobilizado pelo grupo. Ele tentou fugir da abordagem e conseguiu escapar por um buraco na tela arame do estacionamento. Por diversas vezes o homem diz "tô sem ar" e um dos funcionários questiona "cadê a Brigada Militar para dar alguns tiros?"
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Segundo a rede Fort Atacadista, o homem teria praticado um furto no interior da loja e os seguranças tentaram contê-lo no estacionamento até a chegada da polícia. Entretanto, segundo o Comando de Policiamento Metropolitano, não há nenhum registro sobre o fato.
Em nota, a rede informou que a equipe de segurança passa por treinamentos e que os protocolos serão reforçados.
"O Fort Atacadista não tolera qualquer tipo de violência e informa que os funcionários envolvidos no caso foram demitidos. A empresa reforça que seus colaboradores passam por treinamentos frequentes sobre abordagem em caso de furto em lojas e que os protocolos serão novamente reforçados."
Já a defesa alega que Roger não furtou nada, afinal, no vídeo é possível ver que o homem foge de mãos vazias. Em nota, o advogado Carus ressalta que medidas junto ao Poder Judiciário serão tomadas.
"Em vídeo veiculado nos perfis Porto Alegre 24 horas e Grupo BAND RS, ao aplicativo Instagram, funcionários do supermercado Fort Atacadista em Canoas, aparecem agredindo, de forma violenta e em superioridade numérica um cidadão negro, chamado Roger, que supostamente teria furtado mercadorias no local.
Violência verbal, injúria racial, asfixia, arranhões e estrangulamento foram praticados contra a vítima.
Não existem registros de algum boletim de ocorrência nos órgãos policiais sobre o fato.
Roger e seus familiares nos procuraram no último sábado, já que o fato ocorreu na tarde de sexta, 15/09 e, na segunda, 18/09 nos reunimos, decidindo pela adoção de medidas jurídicas junto às autoridades competentes.
Além das iniciativas junto ao Poder Judiciário a fim de resguardar e garantir direitos da vítima de racismo, estamos encaminhando Representação Criminal à Delegacia de Combate à Intolerância da Polícia Civil, a fim de garantir a instauração de investigação sobre o caso."