De São Paulo ao Rio Grande do Sul: Como uma facção de outro estado planejou assalto a mansão em Canoas
Operação Notre Dame - Fase II revela que logística de roubo a residência de luxo foi coordenada de dentro de presídio gaúcho por criminosos paulistas.
Uma complexa rede criminosa interestadual foi desmantelada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul durante a deflagração da Operação Notre Dame - Fase II. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Canoas, revelou uma ousada logística estruturada entre os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul para o assalto a uma residência de luxo em Canoas, ocorrido em 27 de fevereiro deste ano. O crime envolveu um planejamento minucioso que cruzou fronteiras estaduais.
De acordo com os dados oficiais da investigação, o esquema logístico em solo gaúcho foi integralmente coordenado por um detento de dentro da Penitenciária de Charqueadas. Sob o comando do presidiário, criminosos vindos de São Paulo utilizaram um veículo alugado no estado de origem para se deslocarem até a Região Metropolitana de Porto Alegre. O grupo contou com pontos de apoio estratégico nos municípios de São Leopoldo e Gravataí, onde pernoitaram logo após a execução do assalto e antes de retornarem com os bens subtraídos para o território paulista.
No dia do crime, a ação foi executada de forma cirúrgica por três assaltantes que invadiram o imóvel de luxo, renderam e amarraram os funcionários para roubar os pertences das vítimas. Enquanto o trio atuava no interior da residência, outros dois integrantes da quadrilha permaneceram do lado de fora realizando a cobertura tática e monitorando a movimentação nas vias públicas vizinhas. A identificação de toda a cadeia de comando — dos executores aos motoristas e mentores — foi possível graças ao cruzamento de imagens de monitoramento e ferramentas avançadas de inteligência.
Com o avanço dos trabalhos, a ofensiva policial culminou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente em Charqueadas (RS) e nas cidades paulistas de Itapecerica da Serra, Aguaí e Embu das Artes, resultando na prisão de cinco pessoas nesta fase. A ação contou com o apoio operacional da Divisão de Investigação sobre Entorpecentes (DISE) e do Grupo de Operações Especiais (GOE) de Taboão da Serra (SP), consolidando a cooperação interestadual no combate ao crime organizado.
PC.
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