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Criança desaparecida é encontrada morta após desabamento de prédio em SP; um homem foi preso

Ao todo, seis pessoas morreram após desabamento na Penha. Homem apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora foi preso; defesa não foi localizada

14 set 2026 - 08h09
(atualizado às 08h10)
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Resumo
O desabamento de um prédio de 12 andares em construção na Penha, zona leste de São Paulo, deixou seis mortos — incluindo uma criança de sete anos e uma grávida — e dois feridos, a maioria de nacionalidade boliviana. A obra acumulava multas, interdições e suspeitas de fraude em laudos de demolição. A Polícia Civil prendeu temporariamente um sócio da New Home Construtora e busca outros dois representantes da empresa, enquanto a servidora que emitiu a vistoria irregular foi afastada.

Os bombeiros localizaram, na tarde de domingo, 13, o corpo de uma criança de sete anos que estava desaparecida após o desabamento de um prédio em construção sobre uma casas na Penha, zona leste de São Paulo.

O Corpo de Bombeiros informou que, ao todo, foram localizadas oito vítimas. Uma menina de sete anos e um homem foram resgatados com vida no sábado, 12, e encaminhados ao Hospital Municipal do Tatuapé com escoriações leves.

Além da criança encontrada morta na tarde de domingo, outras cinco pessoas morreram: três mulheres, sendo uma delas grávida, e dois homens.

Seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha.
Seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

As identidades não foram divulgadas. O Governo de São Paulo informou que sete vítimas são bolivianas e uma paraguaia. Os corpos serão transportados à Bolívia para sepultamento.

O incidente ocorreu na Rua Tequici, por volta das 2h de sábado. O prédio de 12 andares desabou e atingiu a casa ao lado. Mais de 70 bombeiros e militares, com o apoio de 22 viaturas e um cão farejador, trabalharam nas buscas pelas vítimas.

Prisão

O caso é investigado pelo 24º Distrito Policial, da Ponte Rasa. Segundo o governo estadual, a Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã de domingo, Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, responsável pela construção do edifício.

O homem foi levado ao 24º DP para depoimento e está à disposição da Justiça. As diligências prosseguem para o cumprimento de outros dois mandados de prisão temporária expedidos contra representantes da empresa: Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo, e Isis Brandão, proprietária da construtora.

A defesa dos citados não foi localizada. O espaço segue aberto.

Anteriormente, a empresa afirmou, em nota, ter aberto uma investigação interna para apurar o desabamento e que, neste momento, não há elementos que permitam atribuir o acidente exclusivamente a uma conduta da companhia.

Segundo a construtora, a movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada como possível fator relacionado ao desabamento. A empresa afirmou ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada pelas investigações e que presta apoio às famílias atingidas.

Problemas com alvará

A Prefeitura de São Paulo informou que a construção começou em 2019 sem alvará e foi alvo de sucessivas fiscalizações da Subprefeitura da Penha. Foram aplicadas multar - uma delas de R$ 119 mil - e a obra foi interditada.

Diante do descumprimento das determinações, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça em 2021 e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos. Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à gestão municipal. Em agosto de 2023, um novo alvará foi concedido, mas condicionado à demolição da estrutura anterior.

Em fevereiro de 2024, uma vistoria resultou em laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura da Penha que atestava o cumprimento da demolição. No entanto, essa vistoria é investigada pela Controladoria-Geral do Município (CGM).

Segundo apuração preliminar da Prefeitura de São Paulo, a partir de checagens com moradores da região e de imagens de satélite, a demolição exigida no alvará de 2023 não teria sido realizada. A servidora responsável pelo laudo foi afastada das funções por 30 dias.

Estadão
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