Como estão os crimes na esquina perto da Paulista onde músico da Filarmônica de Berlim foi assaltado
SSP que os roubos de celulares caíram 15,2% em toda a cidade de São Paulo entre janeiro e agosto deste ano ante o mesmo período de 2025
Após o violoncelista Stephan Koncz, da Filarmônica de Berlim, ser agredido e ter o celular roubado na esquina da Rua Pamplona com a Alameda Santos, dados do Radar da Criminalidade revelaram que o local registrou 61 crimes em agosto. Embora furtos e roubos tenham caído no ponto específico, o 78º DP (Jardins) teve alta de 38% nos crimes no mês, liderando o aumento de roubos na capital paulista (60,5%). A SSP-SP afirma ter intensificado ações e operações policiais contra roubos de celulares na região.
As imediações do encontro da Rua Pamplona com a Alameda Santos, nos Jardins, registraram 61 crimes durante o mês de agosto — média de duas ocorrências por dia. O endereço é o local onde o violoncelista austríaco Stephan Koncz, da Filarmônica de Berlim, foi assaltado na última segunda-feira, 19, próximo à Avenida Paulista.
Do total de ocorrências, 42 foram furtos de celular, 17 de roubos do aparelho e duas de furtos de veículos. O total representa uma queda de 4% em relação ao mesmo mês do ano passado. No entanto, no Distrito Policial dos Jardins, que abrange a região, o número de crimes aumentou 38%, chegando a 315 ocorrências no período.
Os dados são do Radar da Criminalidade, ferramenta do Estadão que aponta quais crimes acontecem e onde ocorrem nas ruas de São Paulo, dentro de um raio de 500 metros a partir de um endereço inserido pelo leitor.
Procurada para comentar os números, a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP) respondeu que intensificou as ações para combater os roubos e furtos de celulares na capital, e que a área do 78º Distrito Policial (Jardins) registrou queda de 2,3% no número de furtos de celulares entre janeiro e agosto deste ano ante o mesmo período de 2025.
Ainda conforme a pasta, os roubos de celulares caíram 15,2% em toda a cidade de São Paulo no mesmo recorte. "Os roubos e furtos em geral também apresentaram queda de 14,6% e 4,3%, respectivamente", disse a SSP-SP.
O assalto sofrido por Stephan Koncz aconteceu durante a tarde. Ele estava na rua, mexendo no celular, quando foi abordado por dois criminosos. Os suspeitos agrediram a vítima antes de tomar o aparelho e fugir.
O músico resolveu perseguir os bandidos e acabou chamando a atenção de agentes da Polícia Civil e da Guarda Civil Metropolitana, que estavam na região. Eles detiveram os suspeitos e conseguiram recuperar o celular de Koncz. A dupla foi encaminhada para a 1ª Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur), onde o caso foi registrado como roubo circunstanciado.
Stephan Koncz é violoncelista, compositor, arranjador e regente. Ele estava no Brasil para se apresentar com a Orquestra Filarmônica de Berlim. Participou de apresentações na Sala São Paulo, no centro da capital paulista, no domingo, 18, e na segunda-feira. Na quarta-feira, 21, os músicos se apresentarão em Buenos Aires, na Argentina.
Alta de roubos na região
A maior parte dos crimes na região próxima à Avenida Paulista ainda é de furtos, mas essa modalidade vem registrando altas mais tímidas, de cerca de 1%, tanto nos Jardins quanto na Consolação, no acumulado do ano.
Chama a atenção, porém, o aumento dos roubos, que envolvem violência física ou grave ameaça, como aconteceu no caso de Stephan Koncz. O músico austríaco foi agredido durante a abordagem dos criminosos e sofreu uma lesão leve na mão.
Conforme mostrou o Estadão, o 78º Distrito Policial (Jardins) teve a maior alta de roubos na capital paulista durante o mês de agosto (60,5%) em comparação com o mesmo mês de 2025.
Não muito longe dali, também na região da Avenida Paulista, o distrito policial da Consolação teve a terceira maior alta de roubos da cidade (9,3%), considerando o período de janeiro a agosto deste ano.
A alta da criminalidade na região motiva comerciantes e moradores a instalar avisos sobre a falta de segurança. Os celulares acabam sendo o principal alvo dos criminosos, que aproveitam a distração das vítimas e avançam sobre elas em duplas, grupos e também usando bicicletas.
Investigações apontam que os ladrões chegam a se comunicar com comparsas por meio de fones de ouvido para combinar o melhor momento de dar o bote. Uma vez que o celular é levado, eles logo correm para entregar os aparelhos a receptadores.
Conforme o Radar da Criminalidade, os casos se espalham para além da Paulista e chegam também a vias como a Alameda Lorena e a Rua Oscar Freire, no lado dos Jardins, e as ruas Augusta e Frei Caneca, no lado da Consolação.
Em nota, a SSP-SP acrescentou que as forças policiais do Estado recuperaram 86 mil celulares em todo o território paulista desde 2023 e cerca de metade - 49,8% - foi devolvido aos verdadeiros donos.
A pasta citou operações como a Frank Mobile, Big Mobile, Mobile, Drake e Pedal como exemplos de ações realizadas pelas forças policiais com o foco no combate ao roubo, furto e receptação de aparelhos.
"Já a Polícia Militar promove operações como Centauro, Hidden Trails e Cavalo de Aço, além de empregar o Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO), que direciona equipes para áreas e horários com maior incidência criminal", acrescenta.
As ações do Bravo, informou a secretaria, resultaram na prisão de 66 suspeitos e na recuperação de cinco celulares, desde a última semana de setembro.
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