Cadeirantes "multam" restaurantes sem acessibilidade no DF
Cadeirantes aplicaram uma "notificação cidadã" a comerciantes e motoristas que não respeitaram a acessibilidade nas ruas nesta segunda-feira. O protesto ocorreu no Distrito Federal e teve o objetivo de marcar a passagem do Dia Nacional de Luta das Pessoas comDeficiência.
O empresário Ronald Carvalho, portador deesclerose múltipla e cadeirante, foi um dos cadeirantes que participou do protesto. Ele percorreu as quadras comerciais 404/405 sul, chamada de Rua dos Restaurantes, por causa do número de estabelecimentos, eentregou a notificação aos comerciantes que ainda não instalaram rampa deacesso na porta de suas lojas, ou que não mantêm banheiro próprio para pessoa com deficiência.
Do primeiro bar que "autuou", Ronald Carvalho reclamou do banheirono subsolo. "Eu sou homem e com ajuda dou um jeito e uma cadierantemulher, como é que faz?", perguntou. Para Ronald, "o empresário tem que enxergar, são coisas simples, fazer uma calçada um rebaixamento é fácil, só precisa de cimento e boa vontade", disse.
Ronald aponta para um tradicional restaurante da capital e comenta: "esse restaurante é maravilhoso, mas eu não posso frequentarporque ele não tem acesso. O empresário tá deixando de ter o meu faturamento, o da minha esposa e o dos meus amigos. A gente viria para cá, mas não pode".
O estudante e nadador, Kalleb Lopes Menezes, concorda com o empresário, reclama do constrangimento de ter que pedir ajuda e elogia quem facilita o acesso. "Na academia em que eu malho eles botam uma rampade madeira e tiram quando eu saio. O legal é que eles seimportam comigo", disse.
A "notificação cidadã" distribuída pelos cadeirantes, sem validade legal, alerta: "constatamos que sua empresa não oferece condições adequadas para receber clientes com deficiência. Acessibilidade em locais abertos ao público é lei e uma questão de visão empresarial".
Motoristas também foram "autuados"
Além dos comerciantes, os cadeirantes tentam conscientizar os mausmotoristas de Brasília que estacionam nas vagas reservadaspara pessoas com deficiência. Quem é flagrado ocupando avaga indevida recebe uma "multa cidadã" onde pode ler:"cometeu uma grave infração e desrespeitou às pessoas que, por direito, fazem uso da referida vaga".