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Bolsonaro silencia sobre chuvas em São Paulo

Procurado, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre as chuvas e eventuais medidas que podem ser adotadas.

10 fev 2020
19h53
atualizado às 20h37
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O presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as fortes chuvas que atingem São Paulo desde a madrugada desta segunda-feira, 10. Ao longo do dia, Bolsonaro evitou conversar com jornalistas em ao menos duas ocasiões. No final da tarde, foi indagado sobre a situação da capital paulista diversas vezes, mas não respondeu.

O presidente alega que não vai conversar com a imprensa porque teme que as suas falas serão "deturpadas" pelos profissionais. Ele ficou incomodado com a repercussão negativa de suas declarações sobre portadores de HIV, a quem se referiu na semana passada como 'aidéticos' e afirmou que representam "uma despesa" e um "prejuízo para todos" no Brasil.

Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa e cumprimenta populares ao sair do Palácio da Alvorada, em Brasília 
Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa e cumprimenta populares ao sair do Palácio da Alvorada, em Brasília
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / Estadão Conteúdo

O temporal que atingiu São Paulo somou 114 milímetros, o que, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), representa a 2.ª maior chuva para o mês de fevereiro em 37 anos - o volume só não é maior do que o registrado em 2 de fevereiro de 1983, quando chegou a 121,8 mm. O acumulado dos dez primeiros dias do mês já equivale a 96% do previsto para todo o mês.

Os efeitos foram notados em todas as partes da capital e em cidades da região metropolitana, com deslizamentos e dezenas de alagamentos. Procurado, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre as chuvas e eventuais medidas que podem ser adotadas.

No mês passado, Bolsonaro sobrevoou áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais, após o Estado registrar 55 mortes e mais de 45 mil desalojados.

Enquanto a chuva castigava a capital paulista nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cumpria viagem oficial aos Emirados Árabes Unidos. Em sua conta pessoal no Twitter, o tucano escreveu que é "importante todos ficarem atentos às recomendações de segurança para que se protejam e evitem áreas de risco".

Doria e Bolsonaro estão com as relações estremecidas há algum tempo. Na semana passada, em entrevista ao Estadão, o presidente criticou o governador. "Não vem me falar desse nome do governador de São Paulo para mim, não. Pergunte se ele sabe o que é "Bolsodoria" (slogan usado pelo tucano na campanha) e se o autorizei a usar alguma vez na vida. Esquece", afirmou Bolsonaro na ocasião.

Bolsonaro já anunciou as pretensões de disputar a reeleição em 2022, quando poderá ter o tucano como adversário na corrida pelo Palácio do Planalto.

Impacto

De acordo com o senador Major Olímpio (PSL-SP), é preciso acompanhar os impactos das chuvas para saber se será necessário acionar o governo federal. Para ele, a coordenação de defesa civil terá que definir prioridades e eventuais demandas.

"Não adianta tentar antecipar necessidades", avaliou em conversa com o Estadão. "Nesse momento você não tem um acionamento de meios e recursos do governo federal. Isso ocorre na medida da necessidade", continuou.

Olímpio defendeu que também será preciso unir esforços na esfera municipal, estadual e federal para pensar em novas medidas de prevenção a fim de minimizar o impacto das chuvas no futuro.

"Muito mais do que efetivamente ter ações que possam ser empreendidas pelo governo federal nesse instante, que já estamos com locais com cheias, desabamentos, temos que acompanhar. E aí, é minha obrigação como senador de São Paulo tentar agilizar recursos extraordinários para a recomposição dessas áreas onde houve desabamento, áreas destruídas, e até somar esforços do governo do estado e das próprias prefeituras em obras de canalização, construção de piscinões", afirmou o parlamentar.

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Estadão
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