Bebês trocados após nascimento mudam de nome em Goiânia
- Márcio Leijoto
- Direto de Goiânia
Os bebês trocados após o parto em Goiânia (GO), em março do ano passado, ganharam novos nomes na tarde desta terça-feira. As famílias, entretanto, mantiveram parte do nome anterior. Na semana passada, as crianças voltaram para as mães biológicas.
Carlos Daniel, que é filho biológico da dona de casa Elaine Gomes de Oliveira, 28 anos, virou Lucas Daniel. E Davidson, que é filho biológico da vendedora Keila Celina dos Santos Fagundes, 22 anos, ganhou um segundo nome e ficou Davidson Samuel. As duas mães concordaram em deixar parte do nome antigo em respeito ao desejo uma da outra.
As duas estiveram hoje em um cartório no Setor Campinas para cancelar o registro antigo de nascimento, com autorização da Vara de Infância e Juventude, e para fazerem as novas certidões. Agora com o sobrenome dos pais biológicos. As mães foram de carona com o advogado de Keila, Fabiano Dias, sem os filhos. "Não precisava levá-los", disse Fabiano.
Por coincidência, o cartório onde foi feito o registro fica em frente ao hospital onde os bebês foram trocados, o Santa Lúcia. Nesta semana, os advogados das mães se encontram com a direção do hospital para negociarem um acordo de indenização sem precisar entrar na Justiça. "Eles estão abertos ao diálogo, mas se não chegarmos a um acordo, entraremos na Justiça", disse o advogado.
As mães de Carlos Daniel e Davidson aguardam um retorno da produção do programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, que anunciou hoje que comprará duas casas vizinhas em Nerópolis (GO), a 27 km de Goiânia, para as duas famílias, que já expressaram o desejo de morarem próximas para não perderem o contato do outro bebê. A compra foi viabilizada pela dupla sertaneja João Carreiro e Capataz, segundo Ana Maria no programa de hoje.
O caso
Apesar da troca ter ocorrido no dia 25 de março de 2009, o caso só começou a ser investigado em abril deste ano, depois que Keila apresentou denúncia à polícia. A mãe dela pagou um exame de DNA por causa das humilhações que filha sofria acusada de traição, já que o bebê não se parecia nem com ela nem com o pai. Alguns meses após o parto, o marido de Keila pediu o divórcio. Mesmo assim, a jovem teria continuado a ser alvo de ataques verbais de familiares, do ex-marido e até em seu local de trabalho.
Após a realização de exames de DNA, a polícia confirmou o erro. No dia 3 de maio, as mães realizaram a destroca, durante audiência na Vara da Infância e Juventude.
Três técnicas de enfermagem que trabalhavam no estabelecimento na época da troca foram indiciadas pelo crime de substituição de recém-nascido, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena pode chegar a seis anos de prisão.
De acordo com a delegada Adriana Accorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), as ex-funcionárias do hospital cometeram uma série de irregularidades, o que pode caracterizar dolo eventual.