30ª edição da Parada LGBT+ reúne multidão em São Paulo; veja fotos
Participantes se concentraram na Avenida Paulista e desceram a Rua da Consolação em um clima que misturou carnaval com protesto político em defesa do voto consciente
A Parada do Orgulho LGBT+ chegou à sua 30.ª edição neste domingo, 7, reunindo milhares de pessoas na Avenida Paulista em um clima que misturou carnaval com protesto político em defesa do voto consciente. O tema deste ano foi "A rua convoca, a urna confirma", com foco nas eleições de outubro.
A concentração ocorreu perto da Rua Peixoto Gomide (próximo ao Masp). Os trios elétricos se movimentaram no sentido da Rua da Consolação e os desfiles tiveram como ponto final a Praça Roosevelt, no centro.
Entre as artistas que marcaram presença, Gloria Groove foi uma das que mais agitou o público durante o seu show. O evento é considerado vital na luta por direitos da população LGBT+, como a conquista da união homoafetiva, da criminalização da homofobia e do nome social para pessoas trans. Como o Estadão mostrou, no entanto, neste ano a parada sofreu uma queda de 60% na receita de patrocínios de empresas privadas. Em um espaço de dois anos, o festival saiu de 12 marcas patrocinadoras e apoiadoras para apenas três.
Para conseguir entrar na Avenida Paulista, era necessário contornar gradis de metal que controlavam o acesso do público à marcha. Apesar de haver fiscais disponíveis para auxiliar o público, os participantes não eram revistados para verificar, por exemplo, a entrada com garrafas ou objetos cortantes.
O artista Davi Bandeira não escondeu a emoção ao ouvir o público bater o leque e gritar enquanto ele cantava pela primeira vez na parada. "Hoje, eu realizei um sonho. Eu vi a multidão vibrando e as pessoas se abraçando. Foi incrível."
O bancário Amaral de Paula, de 52 anos, participa da parada há mais de 20 anos e veio do Recife, em Pernambuco, para o evento. Ele também faz questão de montar a própria fantasia. "Neste ano, estou homenageando a Copa do Mundo, o Estado de Pernambuco e, claro, a comunidade LGBT+", contou.
Além dos já consagrados e barulhentos leques coloridos, chamou atenção este ano a quantidade de pessoas com camisetas da seleção brasileira ao longo da parada. Os trios elétricos receberam artistas, políticos e pré-candidatos ligados à esquerda, que criticaram a aprovação em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo, no mês passado, de um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos que "façam alusão ou fomentem" a temática LGBT+. Para virar lei, o texto ainda precisa ser aprovado em uma segunda votação e sancionado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Juristas ouvidos pelo Estadão, no entanto, avaliam que a medida é inconstitucional, abrindo brechas para ser contestada na Justiça.
A autônoma Vanessa Simplicio, 40 anos, foi para a parada com a esposa Aline Lima e os filhos Enzo Gabriel e Marya Vitorya. Ela defende a importância de estar na parada com a família por acreditar na mensagem de inclusão do evento. "Eu trago meus filhos para a parada sem medo do que eles vão ver. Mas eu não levo para o carnaval de jeito nenhum."
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