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3º motorista de aplicativo é morto em menos de uma semana na Grande SP

Condutor foi enforcado com cinto de segurança em Itaquaquecetuba; no domingo, houve ocorrências na capital e em Diadema

19 set 2019
08h23
atualizado em 20/9/2019 às 05h20
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SÃO PAULO - Mais um motorista de aplicativo foi assassinado em uma tentativa de assalto enquanto trabalhava na Grande São Paulo. No terceiro caso em menos de uma semana, Elvis Souza Leite, de 41 anos, foi enforcado com um cinto de segurança na noite desta quarta-feira, 18, em Itaquaquecetuba.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, policiais militares faziam patrulhamento no Jardim do Carmo, quando desconfiaram de dois homens parados ao lado de um carro na Rua Valparaíso. Ao notarem a aproximação da viatura, ambos fugiram.

No veículo, a PM encontrou um adolescente de 16 anos no banco do motorista e Leite com marcas de asfixia no banco de trás, com poucos sinais vitais. Os agentes acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a vítima morreu no local.

O menor foi apreendido e confessou que ele e os outros dois suspeitos pediram um carro através de um aplicativo e que durante o trajeto anunciaram o roubo.

A perícia foi enviada ao local. O caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte) e ato infracional por latrocínio na Delegacia Central de Itaquaquecetuba e encaminhado para o Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes, que investiga o caso.

Outros assassinatos

No domingo, 15, dois motoristas de aplicativo foram mortos.

De manhã, na Pedreira, zona sul da capital, Marco Aurélio Roncoli Filho, de 30 anos, foi assassinado durante uma tentativa de assalto por dois homens em uma motocicleta. A vítima foi alvejada na cabeça.

Segundo a SSP, ao chegar ao local do crime, a PM encontrou um Chevrolet Onix preto que havia colidido entre um muro e um poste de iluminação.

O condutor estava com ferimentos na cabeça. O Samu foi acionado e levou a vítima até o Hospital do Campo Limpo, também na zona sul, onde morreu.

Imagens de câmeras de segurança registraram o crime, por volta das 6 horas, na Rua Alice dos Santos Peixe. No vídeo, é possível ver que Roncoli Filho tentou acelerar o carro. O veículo arrancou desgovernado e só parou após a batida.

Os motociclistas fugiram sem levar nenhum pertence do motorista. O caso foi registrado como tentativa de roubo e comunicação de óbito no 98º Distrito Policial (Jardim Miriam).

Imagens de câmeras de segurança registraram o crime na Pedreira, zona sul de São Paulo
Imagens de câmeras de segurança registraram o crime na Pedreira, zona sul de São Paulo
Foto: Reprodução / Estadão

Já à noite, a motorista Adriana Márcia de Almeida, de 46 anos, foi morta quando buscava duas passageiras que saíam de um baile funk, em Diadema, no ABC paulista.

O crime aconteceu por volta das 23 horas, na Avenida Fundibem, no Jardim Casa Grande. Adriana tentou acelerar o carro para fugir da abordagem criminosa, mas foi atingida com um tiro no pescoço.

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipal do Estado de São Paulo (STATTESP) lamentou as mortes e pediu o fim da violência contra os profissionais. O STATTESP afirmou que procurou as principais empresas de aplicativo de transporte para apresentar reivindicações na área de segurança.

"O sindicato tem propostas concretas e queremos ser ouvidos", disse.

O Estado procurou aplicativos de transporte para falar sobre os casos recentes de violência.

Cabify

A Cabify, em nota, afirma que prioriza a segurança de suas operações, desde os passageiros até seus motoristas parceiros e diz que investe em tecnologia. De acordo com a empresa, a plataforma consegue acompanhar todas as etapas da corrida, incluindo o pedido, aceite do motorista, finalização do trajeto e pagamento, até mesmo por GPS. E que, com base nessas informações, a equipe pode oferecer suporte em situações de incidente.

"Outro recurso disponível é o mapeamento de áreas e horários de risco, feito em parceria com a prefeitura e poder público de cada município", informa. "Desta forma, algumas áreas são excluídas por medida de segurança. Isso permite ao motorista, que atua de forma autônoma, ter um controle melhor de suas faixas e regiões para dirigir."

99

Já a 99 diz lamentar profundamente os casos de violência e se solidarizou com as famílias das vítimas.

"Tratamos a segurança como prioridade número um para e dedicamos nossos esforços na prevenção, proteção e acolhimento de todos os usuários, sejam eles motoristas ou passageiros."

A empresa afirma ainda que investe "continuamente em inteligência artificial para evitar que incidentes aconteçam, ao vasculhar padrões de comportamentos suspeitos, como horário, modo de pagamento e histórico do usuário, além de realizar periodicamente encontros presenciais com motoristas sobre segurança, indicando a central de atendimento, zonas de risco e tipos de corridas suspeitas".

Uber

A Uber, por sua vez, informa que a segurança é prioridade e, por isso, passou a adotar o recurso de machine learning, que usa a tecnologia para bloquear viagens consideradas mais arriscadas.

"Esta ferramenta usa algoritmos que aprendem de forma automatizada a partir dos dados e bloqueia viagens consideradas potencialmente mais arriscadas, a menos que o usuário forneça detalhes adicionais de identificação."

O aplicativo da Uber dispõe de uma ferramenta que reúne recursos de segurança para motoristas parceiros, como um botão para acionar a polícia em situações de risco ou emergência diretamente do app.

Estadão
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