Ciclone-bomba no Sul e Sudeste: o que você precisa saber sobre o fenômeno que provoca ventos de até 100 km/h
Há ainda um alerta para queda de temperatura no oeste do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, com previsão de mínimas de até 3°C.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou, nesta sexta-feira (7/8), alertas para as condições climáticas no Sul e no Sudeste do Brasil.
O aviso de maior gravidade é válido da meia-noite até as 23h59 e prevê ventos entre 60 km/h e 100 km/h, com "risco de queda de árvores, destelhamento de casas e danos generalizados em edificações e plantações".
O alerta abrange uma faixa que vai da fronteira com o Uruguai, no extremo sul do Rio Grande do Sul, até o Estado de São Paulo, alcançando 482 cidades, incluindo as capitais Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.
Quando o ciclone-bomba vai embora?
Na quinta-feira (6/8), o alerta era mais grave do que o emitido para esta sexta (7/8) e abrangia todo o território do Rio Grande do Sul, até as fronteiras com Argentina e Paraguai.
Nesta sexta-feira, essas áreas, assim como o oeste de Santa Catarina e do Paraná, continuaram sob alerta — mas não mais para vendaval, e sim para queda de temperatura, com previsão de mínimas de até 3°C.
Isso evidencia que o ciclone-bomba está se afastando do Brasil e, até por volta das 21h, já estará totalmente no Oceano Atlântico, segundo o meteorologista Franco de Assis Diniz, do Inmet.
Ele está se deslocando para o oceano e na proporção que vai passando as horas ele vai se distanciando da costa do Rio Grande do Sul. Até à noite, ficará só a borda dele na faixa litorânea do Sul. Pegará um pouco São Paulo e Rio de Janeiro à tarde, mas à noite já deve sair totalmente do Brasil.
"Ele está se deslocando em direção ao oceano e, com o passar das horas, se afastará cada vez mais da costa do Rio Grande do Sul. Até a noite, apenas sua borda ainda influenciará a faixa litorânea do Sul. À tarde, o sistema também atingirá parte de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas, à noite, já deverá ter deixado completamente o território brasileiro."
O que é um ciclone-bomba
A instabilidade é provocada por um sistema de baixa pressão que favorece "a ocorrência de um processo chamado ciclogênese explosiva, também conhecido como bombogênese ou, popularmente, ciclone-bomba", de acordo com o instituto.
Um sistema de baixa pressão funciona como um "motor" para o mau tempo: o ar quente e úmido sobe, favorecendo a formação de nuvens carregadas e aumentando a ocorrência de chuva intensa, rajadas de vento e tempestades.
Quando essa área de baixa pressão se aprofunda de forma muito rápida — com uma queda acentuada da pressão atmosférica em menos de 24 horas — ocorre o ciclone-bomba, que intensifica os ventos e aumenta o potencial para chuva forte e mar agitado.
Embora o alerta expire na sexta-feira, o ciclone pode continuar influenciando as condições do tempo ao longo de todo o fim de semana.
Os meteorologistas do Inmet vão manter o monitoramento, e a previsão é de que o órgão publique novas atualizações ao longo do dia.
Quais cuidados devem ser tomados?
O Inmet emitiu uma série de orientações para a população que vive nas áreas sob alerta — que abrangem quase 500 municípios do Sul e do Sudeste — enquanto o ciclone-bomba atua sobre o Brasil.
Entre as recomendações estão permanecer em um abrigo seguro e, em caso de rajadas de vento, não se abrigar sob árvores, devido ao risco de queda e de descargas elétricas, nem estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
O instituto também orienta que mais informações podem ser obtidas com a Defesa Civil, pelo telefone 199. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo número 193.
O que esperar do El Niño em agosto
O El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial, deve continuar influenciando o clima brasileiro ao longo de agosto e ajudar a moldar um cenário de eventos extremos pelo país, segundo meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil.
A expectativa é de temperaturas acima da média em praticamente todo o país, mas com efeitos diferentes de uma região para outra.
No Sul, o fenômeno aumenta a probabilidade de chuvas intensas e temporais, com risco de ventos fortes, granizo e alagamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de calor acima do normal e baixa umidade do ar. Já Norte e no Nordeste a tendência é de menos chuva, favorecendo o avanço das queimadas.
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