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Brasil

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Brasileira cria produto inovador semelhante ao chocolate e dá nova vida a resíduos agrícolas

Ninna Granucci é uma brasileira radicada na França que vem chamando a atenção por transformar resíduos da agricultura em ingredientes alimentares de alto valor agregado. Cofundadora e presidente da Green Spot Technologies, a doutora em biotecnologia criou, em 2018, esta empresa de produtos em pó que podem substituir o chocolate, entre outros alimentos, com o objetivo de solucionar o grande volume de desperdício de alimentos gerado pela agricultura no mundo. Seu trabalho lhe rendeu o Prêmio Europeu de Mulheres Inovadoras em 2022 e o de Pioneira na Ciência e Tecnologia da Iniciativa para Mulheres da Fundação Cartier em 2024.

31 jul 2026 - 15h46
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Vitória Barreto, em Paris para a RFI

Ninna Grannucci, presidente da Green Spot, empresa de biotecnologia instalada em Toulouse, no sul da França, em captura de tela durante entrevista para a RFI.
Ninna Grannucci, presidente da Green Spot, empresa de biotecnologia instalada em Toulouse, no sul da França, em captura de tela durante entrevista para a RFI.
Foto: © RFI/Vitoria Barreto / RFI

A Green Spot, instalada em Toulouse, no sul do país, desenvolveu um processo de fermentação que transforma resíduos agrícolas em ingredientes nutritivos e benéficos à saúde, que podem ser alternativas ao chocolate e pastas de diversos sabores. 

Depois de concluir o mestrado em biotecnologia em Santa Catarina, Ninna Granucci foi fazer um doutorado na Nova Zelândia para desenvolver o projeto; lá, conheceu seus cofundadores, que a convenceram a abrir a empresa na França. A iniciativa atraiu investidores como o Banco Público de Investimento francês (BPI), entre outros, como recorda a empreendedora.

"Vimos um grande interesse da França como país em pensar a alimentação do futuro e o sistema de produção de alimentos. Entramos nas áreas de interesse do país e recebemos bastante investimento público."  

No caso do produto semelhante ao chocolate, a produção do ingrediente começa com a coleta de favas, cujos resíduos costumam ser descartados ou usados para nutrição animal e produção de energia. Na sequência, esses restos passam por um processo de fermentação, que Ninna considera 'mágico'. 

Ela explica que o método "retira o gosto meio amargo (do resíduo) e cria aromas quentes, que remetem ao aroma do chocolate". O resultado desse processo é o Féverolat, produto que a empresa patenteou. Há três semanas, as trufas feitas com esse ingrediente inovador já fizeram parte de um jantar no Castelo de Windsor.  

Embora a Green Spot não produza apenas doces, a empresa aproveitou a volatilidade do mercado de cacau para criar a marca de panificação e doces Milatea para atender às necessidades desse setor específico. 

"O mercado era muito favorável, porque o preço do cacau disparou em 2025. (...) E aí a gente falou que a nossa tecnologia poderia resolver em parte isso." 

Ao lançar o produto, Ninna afirma que sentiu muita resistência da indústria, que demora, segundo ela, anos para aceitar um novo ingrediente. 

"Somos uma empresa tecnológica de fermentação e, normalmente, quando falamos com algumas empresas de alimentos, elas acham que vai ser uma coisa meio Frankenstein de laboratório. Então criamos a Milatea para poder comercializar esses ingredientes," explica Ninna Granucci. 

A empreendedora brasileira revelou que, no fim do ano, um novo produto está por vir, ainda sem mencionar o novo sabor, mas adiantando que ele é 'primo' do chocolate, um produto de preço extremamente volátil e produzido em regiões muito específicas, nas quais a empresa acredita poder contribuir para dar mais sustentabilidade.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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