Ausência de argumentos técnicos escancara viés político do tarifaço de Trump contra o Brasil
A lista de exceções ao tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros representou um alívio, mas não resolveu toda a questão. O governo está sendo pressionado a buscar alternativas que ajudem os empresários afetados. A tensão institucional entre os dois países voltou a crescer diante dos argumentos apresentados no decreto americano, assinado na quarta-feira (30), e das novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
A lista de exceções ao tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros representou um alívio, mas não resolveu toda a questão. O governo está sendo pressionado a buscar alternativas que ajudem os empresários afetados. A tensão institucional entre os dois países voltou a crescer diante dos argumentos apresentados no decreto americano, assinado na quarta-feira (30), e das novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
Raquel Miura, correspodente da RFI em Brasília
O roteiro seguiu o modus operandi que Donald Trump tem utilizado para forçar negociações ao redor do mundo: ameaça com data marcada para o tarifaço e recuo parcial na hora H. No caso brasileiro, porém, a ausência de argumentos minimamente técnicos escancarou o viés político e as segundas intenções do decreto dos Estados Unidos.
As justificativas deixam explícita a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal — que impôs regras mais rígidas à atuação das Big Techs no Brasil e está prestes a condenar Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado —, além da tentativa de desgastar o governo Lula, defensor de um maior protagonismo do Sul Global.
Um total de 694 itens da pauta comercial entre os dois países foi retirado da tarifa extra, mas outros produtos — que no ano passado representaram quase 60% do valor exportado aos EUA — continuam sendo sobretaxados. A nova data prevista para o reajuste tarifário é 6 de agosto, o que dá sete dias a mais para que empresários afetados e o governo busquem uma solução.
Atuação do clã Bolsonaro
Diante da atuação de Eduardo Bolsonaro em solo americano, governistas atribuem os prejuízos financeiros ao clã Bolsonaro. "Que vergonha o que esse Trump está fazendo com os Estados Unidos. Isso não é mais uma democracia, é um projeto autoritário. E que vergonha essa família Bolsonaro. Traidores da pátria, conspirando contra o Brasil", disparou o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).
No mesmo dia em que assinou o decreto das tarifas, o governo Trump impôs novas sanções a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, criada para punir ditadores ao redor do mundo. Essa legislação pode dificultar, por exemplo, o acesso de Moraes a serviços prestados por empresas americanas, como as de cartão de crédito.
Bolsonaristas comemoraram os ataques ao magistrado. Já as manifestações em defesa do decreto tarifário foram bem mais raras — embora alguns tenham tentado justificar as taxas, sem esconder os objetivos políticos.
O deputado Bibo Nunes (PL) se arriscou, deixando claras suas intenções: "Essa taxação de 50% é para chamar a atenção dos brasileiros para o momento difícil que vivemos. Mas eu disse que, se os Estados Unidos precisarem de algum produto, a taxação será zero. E depois, voltando ao normal, quando a direita voltar ao poder em 2027, as taxas para o Brasil serão de 0%."