Após 8 anos, STF condena mandantes da morte de Marielle Franco
Ministros da Primeira Turma votaram de forma unânime
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (25), de forma unânime, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, vítima de um atentado que também tirou a vida de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.
Os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino votaram pela condenação dos réus na Primeira Turma do STF, composta pelos quatro magistrados.
Domingos Brazão, membro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram sentenciados por duplo homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.
Já o ex-chefe da Polícia Civil fluminense Rivaldo Barbosa foi condenado por obstrução à Justiça e corrupção passiva; o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, por duplo homicídio e tentativa de homicídio; e o policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão Robson Calixto Fonseca, o "Peixe", por organização criminosa.
As penas ainda serão definidas pelo Supremo. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Marielle foi executada por conta de sua atuação política enquanto vereadora no Rio, que teria atrapalhado interesses dos irmãos Brazão na grilagem de terras em áreas comandadas por milícias.
Já Rivaldo atuou para obstruir as investigações e garantir impunidade aos mandantes, enquanto Ronald monitorava a rotina de Marielle antes do crime, e Robson era o elo dos irmãos Brazão com milicianos.
"Se juntou a questão política com misoginia, racismo, discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?", disse Moraes em seu voto.
"Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão", acrescentou. Dino, por sua vez, declarou que uma "investigação tão falha e negligente" só foi possível devido à "presença de elementos de muito poder".