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Acordo UE-Mercosul entra em vigor e abre mercado trilionário a exportações brasileiras

Cinco mil produtos brasileiros ficaram isentos de tarifas no mercado europeu a partir deste 1° de maio. Após vinte e cinco anos de negociações, entra em vigor o acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia. Nesta sexta-feira histórica, os líderes dos quatro países do Mercosul e os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, participam de uma videoconferência para marcar a data.

1 mai 2026 - 07h00
(atualizado às 07h03)
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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

A entrada em vigor do Acordo UE-Mercoul a partir desta sexta-feira, 1° de maio, vai impulsionar diversos setores da economia brasileira.
A entrada em vigor do Acordo UE-Mercoul a partir desta sexta-feira, 1° de maio, vai impulsionar diversos setores da economia brasileira.
Foto: © AFP - Silvio Avila / RFI

A Europa importa US$ 3,4 trilhões por ano. O valor é praticamente o mesmo que a soma das quatro economias do bloco do Cone Sul. Deste total comprado, a maior parte vem de dentro da própria UE, ou de nações com as quais o bloco europeu tenha acordos de preferência.

Para o Brasil é uma espécie de "entrada em um clube". Pelos cálculos da ApexBrasil, dos cinco mil produtos isentos de tarifas, 543 itens se beneficiam da vantagem logo de cara, o que deve significar um aumento nas receitas de exportações de pouco mais de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência. Outros cinco mil produtos terão redução de impostos ao longo dos próximos anos.

À RFI, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que ingressar neste mercado é como entrar em uma sala exclusiva.

"É um mercado que importa US$ 3,4 trilhões. E isso vai acontecer cinco vezes mais rápido para o Mercosul, em um mercado que é nove vezes maior do que o mercado que os europeus vão ter aqui", disse Müller.

A comparação se dá pelo fato de o Mercosul importar anualmente US$ 370 bilhões e de que mais produtos do Cone Sul estarem tendo tarifas zeradas neste primeiro momento do que os europeus. A União Europeia é o segundo maior importador do mundo, na frente da China, inclusive.

Sistema de cotas

Haverá cotas para alguns produtos. Vários itens, entre carnes bovinas, suínas, aves, mel, cachaça e alguns outros itens da pauta, terão cotas. Quer dizer, as exportações realizadas dentro desses limites terão tarifa zero. O que passar, não.

As cotas ainda precisam ser distribuídas entre os países, e, dentro deles, entre as regiões, ou estados. Isso agora será conversado dentro dos blocos.

O importante é que, uma vez rompida a barreira inicial, quer dizer, uma vez dentro do mercado europeu, fica mais fácil buscar as oportunidades. Isso porque os países dentro do bloco tendem a comprar muito entre si, ou de outras nações com quem tenham acordos preferenciais.

É por isso que o presidente da ApexBrasil fala em "entrar em uma sala". A Alemanha, por exemplo, a maior economia da Europa, importa US$ 1,4 trilhão por ano. Só que 70% deste total vem da própria Europa, ou desses lugares com os quais o bloco tenha acordos. O difícil, segundo Laudemir Müller, era ter o acesso.

Setores que vão decolar

Entre os setores que se destacam com maior potencial de aumento de vendas estão aviões, por exemplo. A UE importa US$ 16 bilhões em aeronaves civis por ano, a uma tarifa de 2,7%. Mas esse percentual será zerado em quatro anos. E isso faz muita diferença e pode garantir vantagem competitiva sobre preço de um avião. O Brasil é o terceiro maior produtor de aeronaves do mundo e estava fora deste mercado.

Líder mundial em motores elétricos de baixa tensão, o Brasil exportava para a UE apenas US$ 267 milhões. Mas o bloco importa quase US$ 10 bilhões por ano, também a uma tarifa de 2,7%.

Para couros, como o Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, a tarifa vai cair dos atuais 2% a 7% para zero. Hoje, o país vende US$ 227 milhões em couros para a UE, que importa nada menos que US$ 1,7 bilhão por ano.

O caso das chamadas uvas de mesa é um dos mais emblemáticos. Os europeus compram de fora US$ 3,3 bilhões por ano. Com a tarifa de 8%, o Brasil exportava apenas US$ 65 milhões. A partir de agora, a tarifa é zero. E, segundo Müller, como as uvas viajam de avião para se manterem frescas, se forem embarcadas a partir desta sexta, chegarão à mesa dos europeus em 48 horas.

Uma longa lista de produtos se beneficia a partir de agora: máquinas e equipamentos, combustíveis, automóveis e autopeças, materiais de construção, frutas, calçados e componentes de calçados, pedras e muitos outros.

O setor de energia também se torna atraente, dada a matriz energética mais limpa do Brasil e seus parceiros no Mercosul. As diretrizes europeias exigem o uso cada vez mais de energias limpas. E isso é uma grande vantagem num momento em que o mundo vive uma crise nos preços de combustíveis sem precedentes por conta dos conflitos no Oriente Médio.

Celebração e vitória diplomática

O momento histórico será celebrado pelos líderes dos quatro países do Mercosul e os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, em videoconferência para marcar a data.

A implementação do entendimento, negociado ao longo de um quarto de século, é considerada uma vitória pessoal do presidente Lula e um gesto simbólico em um momento de crise do multilateralismo, uma bandeira do seu governo

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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