Derrota de Messias abala liderança de Jaques Wagner em ano crucial para hegemonia do PT na Bahia
Fracasso no Senado gera críticas da oposição a líder petista, mas deve pesar mais no discurso político do que nas urnas
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um novo capítulo nas relações entre Executivo e Congresso e provocou repercussões que ultrapassam Brasília, alcançando também o cenário político da Bahia. O episódio colocou sob os holofotes a atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e levantou questionamentos sobre sua capacidade de articulação em um ano crucial para o PT na Bahia.
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No plano estadual, a derrota ocorre em um momento de maior pressão sobre o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Com sinais de desgaste e uma disputa mais acirrada projetada para outubro contra ACM Neto (União Brasil), qualquer ruído em Brasília, especialmente envolvendo uma das principais lideranças do partido na Bahia, pode ter reflexos indiretos na tentativa de preservar a hegemonia petista no estado.
Antes do nome de Messias ser submetido ao Plenário, governistas, sob a liderança do senador baiano, calculavam que o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria votos suficientes para aprovação, com alguns estimando entre 42 e 45 apoios. No entanto, o resultado apontou apenas 34 votos, sete a menos que o necessário.
Embora haja divergências sobre as causas da derrota, há um ponto de convergência entre governistas e oposição consultados pelo Terra: a derrota de Messias tende a ter mais peso no discurso político do que efeitos imediatos no cenário eleitoral baiano. Ainda assim, a articulação conduzida por Wagner entrou no centro do debate.
Para o ex-ministro da Cidadania e presidente do PL na Bahia, João Roma, a rejeição de Messias expõe uma “completa desarticulação” do governo federal, com responsabilidade direta da liderança no Senado. Segundo ele, Wagner falhou ao não manter diálogo consistente com atores-chave do Congresso.
Roma classifica também a rejeição do nome de Messias como um “somatório de problemas”, comparando-o a um “desastre aéreo”, em que múltiplos fatores levaram ao resultado e revelaram um governo “sem sintonia com a sociedade”.
Já dentro do PT, a avaliação é distinta. Um interlocutor próximo ao senador ouvido pela reportagem minimiza o peso da atuação de Wagner, argumentando que a derrota não pode ser atribuída a uma falha individual.
O resultado, na avaliação desse interlocutor, reflete fatores mais amplos, como a relação tensa entre governo e STF, o ambiente pré-eleitoral e movimentos estratégicos da oposição.
Na mesma linha, o interlocutor avalia que o episódio deve ter impacto limitado na política baiana, permanecendo mais restrito aos bastidores de Brasília.
Um outro importante nome da executiva nacional do PT não vê impacto na imagem de Wagner com a derrota, mas admite que a função de líder do governo pode trazer custos políticos, especialmente em ano eleitoral, ao exigir que Wagner divida seu tempo entre Brasília e a Bahia, o que pode afetar sua presença no estado e na campanha.
Uma leitura mais institucional da derrota de Messias é apresentada por Gutierres Barbosa, coordenador nacional Inter-religioso do PT. Para ele, a rejeição representa uma politização de um processo que deveria seguir critérios técnicos. Ainda assim, reconhece que o caso pode ser explorado politicamente, inclusive para desgastar Wagner.
Apesar das críticas e diferentes interpretações, tanto governistas e oposição vão na linha que o eleitor tende a priorizar na campanha temas mais próximos do cotidiano.
Corrida eleitoral
Pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira, 29, mostra como está a disputa pelo governo da Bahia. São dois cenários de 1º turno, com diferentes combinações de nomes. Em ambos, há empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues.
No primeiro cenário testado, ACM Neto tem 41% contra 37% de Jerônimo. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, a situação é de empate técnico.
Se para o governo a disputa promete ser ponto a ponto, para o Senado o cenário é mais favorável para o PT. O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o próprio Jaques Wagner (PT), aparecem como os dois nomes mais fortes na disputa.
- Rui Costa (PT): 24%;
- Jaques Wagner (PT): 22%;
- João Roma (PL): 9%;
- Angelo Coronel (Republicanos): 6%;
- Delliana Ricelli (PSOL): 1%;
- Marcelo Santtana (DC): 0%;
- Votaria em branco, nulo ou não iria votar: 22%;
- Ainda não se decidiu/indeciso/não sabe: 16%.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu de forma presencial 1.200 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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