Abertura de mostra sobre artistas indígenas brasileiros é cancelada após ocupação estudantil em Paris
A abertura da exposição "Motyrõ - Ecologias das imagens ameríndias", prevista para esta sexta-feira (9), na Maison des Sciences de l'Homme (MSH), em Paris, foi cancelada após a ocupação do local por estudantes. Uma assembleia será realizada ainda hoje para decidir uma nova data.
A abertura da mostra Motyrõ em Paris, que reúne obras de seis artistas indígenas brasileiros na MSH, foi cancelada devido a uma ocupação estudantil que afeta várias instituições na França. Com curadoria de Christian Fischgold, a exposição conta com fotos, vídeos e pinturas que debatem a defesa territorial, memória e ameaças ambientais enfrentadas por povos originários. Apesar do adiamento da vernissage, a programação do evento segue prevista para o período de 6 a 27 de outubro.
"A escola foi cercada por estudantes e manifestantes", explica o assessor de imprensa Fernando Henrique Oliveira. "Uma decisão será tomada logo mais, após a assembleia".
O evento marcaria a abertura oficial da mostra, que reúne trabalhos de seis artistas e cineastas indígenas brasileiros. A vernissage estava prevista para as 17h, no edifício da MSH, no boulevard Raspail, no 6º arrondissement. A exposição permanece programada para o período de 6 a 27 de outubro.
A ocupação ocorre em meio a uma onda de mobilizações de estudantes e secundaristas na França. Universidades e instituições de ensino têm registrado interrupções e cancelamentos de atividades devido ao movimento. A Sorbonne Université, por exemplo, informou que a mobilização estudantil afetou parte da programação da Fête de la Science (Festa da Ciência), com atividades canceladas em vários campi parisienses.
Um projeto sobre território e imagem
Concebida pelo pesquisador e curador Christian Fischgold, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em colaboração com os artistas, Motyrõ reúne representantes de cinco povos indígenas: Kuikuro, Kisêdjê, Tupinambá, Maxakali e Xakriabá. Participam do projeto Takumã Kuikuro, Kamikia Kisêdjê, Olinda Tupinambá, Isael Maxakali, Sueli Maxakali e Edgar Kanaykõ Xakriabá.
O nome da exposição vem do tupi antigo e designa uma forma de ação e trabalho coletivo. O projeto procura apresentar as imagens produzidas por artistas indígenas não apenas como representações da realidade, mas como elementos que atuam sobre o mundo, transmitindo conhecimentos, protegendo territórios e articulando relações entre pessoas, memória e natureza.
A mostra reúne cerca de 54 fotografias, seis vídeos, pinturas, objetos rituais e vídeo-performances. As obras estão organizadas em cinco grupos — Imagens-Memória, Imagens-Flecha, Imagens-Corpo, Imagens-Segredo e Imagens-Canto —, que propõem diferentes relações entre imagem, território, corpo e conhecimento.
O projeto também aborda as ameaças enfrentadas pelos territórios indígenas, entre elas desmatamento, agronegócio, grilagem de terras, narcotráfico e contaminação das águas. A proposta é relacionar a defesa dos territórios a uma transformação dos próprios imaginários sobre natureza e sociedade.
Cinco dos seis artistas — Takumã Kuikuro, Kamikia Kisêdjê, Olinda Tupinambá, Isael Maxakali e Sueli Maxakali — estão em Paris até 13 de outubro. Edgar Kanaykõ Xakriabá participa da exposição, mas não está na cidade.
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