Avanço da IA amplia desafios para a liderança
Pesquisa internacional de 2026 aponta uma lacuna entre o uso crescente da inteligência artificial e o alinhamento das lideranças, enquanto empresas revisam processos, decisões e desenvolvimento de equipes.
A adoção da inteligência artificial no trabalho avança em ritmo superior ao alinhamento interno das organizações. O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ouviu 20 mil usuários de IA em dez países, incluindo o Brasil, e constatou que apenas 26% consideram que suas lideranças estão clara e consistentemente alinhadas sobre o uso da tecnologia. O mesmo levantamento indica que 65% temem ficar para trás caso não se adaptem rapidamente, enquanto 45% avaliam que concentrar esforços nas metas atuais parece mais seguro do que redesenhar o trabalho com IA.
Os dados colocam a liderança no centro de uma transformação que envolve decisões, responsabilidades e formas de organizar o trabalho. À medida que sistemas passam a produzir análises, textos, recomendações e executar etapas de processos, cresce a necessidade de estabelecer critérios para supervisão, qualidade e prestação de contas. No levantamento da Microsoft, controle de qualidade dos resultados gerados por IA e pensamento crítico aparecem como as habilidades humanas que mais ganham importância, citadas por 50% e 46% dos participantes, respectivamente.
A distância entre adoção e transformação também aparece em pesquisa da McKinsey. Em 2025, 71% dos entrevistados informaram que suas organizações utilizavam IA generativa regularmente em ao menos uma função. Apesar disso, somente 21% disseram que suas empresas haviam redesenhado de forma significativa pelo menos parte dos fluxos de trabalho. O estudo identificou o redesenho de processos como o fator com maior relação estatística com impacto no resultado financeiro decorrente da tecnologia.
Nesse contexto, liderar passa a incluir a definição de limites para automação, a revisão de indicadores e incentivos, a preparação das equipes e a análise dos efeitos da tecnologia sobre funções e competências. A responsabilidade pelas decisões permanece com as pessoas que definem objetivos, validam resultados e respondem pelas consequências da aplicação dos sistemas.
O tema também passou a integrar programas de formação profissional. O curso Liderar na Era da IA, da Hyper Island, foi organizado em quatro frentes: mentalidade para conduzir a transformação, pensamento crítico e tomada de decisão, redesenho do trabalho e condução da mudança com o ser humano no centro. Os materiais do programa abordam análise de riscos, redução de vieses, avaliação crítica de respostas geradas por sistemas e mapeamento de tarefas para definir o que pode ser automatizado, ampliado com IA ou mantido sob execução humana.
Entre os instrumentos apresentados estão práticas de red teaming, utilizadas para testar falhas e fragilidades em respostas produzidas por IA, e uma matriz de reconfiguração do trabalho, voltada à divisão de atividades entre pessoas e sistemas. O conteúdo também trata de segurança psicológica, autonomia, pertencimento e comunicação durante processos de mudança, fatores associados à capacidade das equipes de experimentar novas formas de trabalho sem perder critérios de responsabilidade.
A necessidade de combinar competências técnicas e humanas aparece ainda no Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial. O estudo estima que quase 40% das competências exigidas no trabalho deverão mudar até 2030 e aponta pensamento analítico, resiliência, liderança e colaboração entre as capacidades que continuarão relevantes. Para as organizações, o desafio passa por transformar o uso individual de ferramentas em processos compartilhados, avaliáveis e coerentes com a estratégia institucional.
Website: https://www.hyperisland.com.br/products/curso-liderar-na-era-da-ia
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