Austrália investiga ligações do copiloto da flydubai com o país
A polícia antiterrorismo da Austrália investiga os laços do copiloto omanense Hamam Al-Hamami com o país, onde ele teria estudado e acessado conteúdos extremistas. Sob custódia nos Emirados Árabes Unidos, ele atacou o comandante com um machado e tentou derrubar um voo da flydubai que ia para Israel com mais de 170 pessoas a bordo. O incidente foi classificado como ato terrorista, mas a tragédia foi evitada após tripulantes e passageiros conterem o agressor, permitindo um pouso seguro na Arábia Saudita.
Uma unidade antiterrorismo australiana, composta por várias agências, está investigando possíveis ligações com a Austrália do copiloto do voo FZ1073 da flydubai, que feriu o comandante e, em seguida, tentou sequestrar o avião, informou um porta-voz da polícia no domingo.
A Equipe Conjunta de Combate ao Terrorismo de Victoria -- composta pela polícia federal, pela polícia estadual de Victoria e pela agência de inteligência ASIO -- estava "investigando as ligações do homem com a Austrália", disse o porta-voz da Polícia Federal Australiana.
Duas fontes a par da investigação afirmaram que o copiloto estudou em uma universidade em Melbourne, capital do Estado australiano de Victoria. Uma terceira fonte disse que ele estudou na Universidade RMIT há cerca de uma década. A RMIT se recusou a comentar.
O copiloto do voo FZ1073 da flydubai, que partiu de Dubai com destino a Israel na quarta-feira, atacou o piloto com um machado de emergência, afirmou no sábado o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, classificando o incidente como um "ataque terrorista".
O voo FZ1073 deve ter parecido uma "montanha-russa vertical" quando desceu 16.000 pés em cerca de 30 segundos antes de se estabilizar e pousar com segurança, segundo um instrutor de aviação que recriou a descida em um simulador de voo para a Reuters.
COPILOTO DETIDO NOS EAU
Duas fontes afirmaram que o copiloto é um cidadão de Omã chamado Hamam Al-Hamami. Autoridades israelenses não revelaram o nome do copiloto, mas afirmaram que ele é de Omã. As autoridades dos Emirados Árabes Unidos e a flydubai não divulgaram publicamente a identidade do copiloto.
A Reuters não conseguiu entrar em contato de forma independente com Al-Hamami, que está sob custódia nos Emirados Árabes Unidos, para obter comentários. Os Emirados Árabes Unidos não anunciaram nenhuma acusação formal contra ele e não se sabe se ele nomeou um advogado. Omã não se pronunciou sobre o incidente.
Um desastre a bordo do voo FZ1073 foi evitado depois que passageiros e tripulantes dominaram o copiloto, que havia atacado o comandante no que autoridades israelenses descreveram como uma tentativa de fazer o avião, que transportava mais de 170 passageiros e tripulantes, cair. O Ministério Público dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o copiloto tentou assumir o controle da aeronave.
MESQUITAS RADICAIS E SITES EXTREMISTAS
A maioria dos passageiros a bordo era de nacionalidade israelense.
Um piloto reserva da flydubai que viajava no voo assumiu o controle da aeronave e a pousou no aeroporto de Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde o copiloto foi detido pelas autoridades sauditas e posteriormente transferido para os Emirados Árabes Unidos na quinta-feira.
O Financial Times noticiou no domingo que Al-Hamami teria visitado o que o jornal descreveu como mesquitas radicais e sites extremistas enquanto estava na Austrália, citando duas pessoas a par da investigação. Os serviços de inteligência australianos mantinham um dossiê sobre o indivíduo, segundo o FT.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a reportagem do FT. O governo da Austrália não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial normal.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto havia passado por uma doutrinação islâmica radical e apresentava clara tendência suicida, embora não tenha especificado quando ou onde essa doutrinação teria ocorrido.
Israel não mantém relações diplomáticas oficiais com Omã, e Netanyahu também afirmou que pilotos de tais países não têm permissão para operar voos com destino a Israel. Não está claro como o copiloto chegou a ser designado para o voo com destino a Tel Aviv.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.