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Ativistas criam memorial com cinzas de vítimas do Holocausto

2 dez 2019
19h02
atualizado em 3/12/2019 às 05h36
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Coletivo Centro de Beleza Política posiciona instalação em frente ao Parlamento alemão para mandar mensagem a partido de Merkel e pedir que legenda não faça alianças com extremistas de direita.Uma instalação com supostas cinzas de vítimas do regime nazista surgiu nesta segunda-feira (02/12) em frente ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), em Berlim. O memorial faz parte de uma campanha lançada pelo coletivo de artistas Centro de Beleza Política (Zentrum für Politische Schönheit - ZPS).

Coluna da Resistência contém solo com cinzas de vítimas do Holocausto
Coluna da Resistência contém solo com cinzas de vítimas do Holocausto
Foto: DW / Deutsche Welle

O grupo disse que passou dois anos cavando e testando o solo perto de regiões onde "os nazistas aperfeiçoaram e industrializaram o assassinato em massa". As amostras foram recolhidas em 23 localidades na Alemanha, Polônia e Ucrânia. Testes laboratoriais comprovaram em 70% das amostras restos mortais de humanos.

"Em um destes locais terríveis, encontramos cinzas e osso carbonizado há um metro de profundidade. Essa coluna contém amostras deste solo que foi preservado para toda a eternidade", afirmaram os ativistas.

Chamada de "Coluna da Resistência", o solene cilindro cinza é parcialmente iluminado por dentro com uma luz laranja, possibilitando ao público observar a amostra de solo que está dentro da peça.

As amostras foram coletadas em regiões próximas a campos de extermínio nazistas, entre eles Auschwitz, Sobibor eTreblinka. As cinzas e restos mortais das vítimas costumavam ser espalhando pelos nazistas em florestas e rios perto destes locais.

Somente em Auschwitz, o maior campo de extermínio nazista, mais de 1,1 milhão de pessoas foram mortas. As cinzas de milhares de corpos foram jogadas em terrenos ao redor do campo.

O grupo se defendeu de acusações de profanação de restos humanos argumentando que não havia sepulturas nas regiões onde as amostras foram encontradas.

Além de ser um memorial às vítimas do Holocausto, os ativistas alegam querer com o ato mandar uma mensagem ao partido conservador da chanceler federal Angela Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), sobre os perigos de alianças com os extremistas de direita da legenda Alternativa para a Alemanha (AfD).

"O único caminho provável para a AfD chegar ao poder é através dos conservadores", afirmou o grupo.

A CDU e seu partido irmão na Baviera, a União Social Cristã (CSU), descartam cooperar com a AfD em nível nacional. No entanto, em nível local, o sucesso dos populistas de direita levou conservadores a se unirem à legenda. Recentemente, um grupo de políticos da CDU do estado da Turíngia pediu negociações com "todos os partidos eleitos democraticamente".

O Centro de Beleza Política escolheu o local para seu memorial cuidadosamente. Entre o Bundestag e a Chancelaria Federal, a obra foi posicionada onde ficava antigamente a Casa de Ópera Kroll, onde os membros do Parlamento alemão deram ao ditador Adolf Hitler poder praticamente ilimitado em 1933.

O Conselho Central de Judeus da Alemanha disse que, apesar de saudar o protesto contra a ascensão da extrema direita, o memorial gera preocupações graves. "Do ponto de vista judaico, a campanha do Centro de Beleza Política é problemática porque viola a lei religiosa judaica sobre não perturbar os mortos", afirmou o presidente do Conselho, Josef Schuster, à DW.

Schuster disse ainda que, se os restos humanos da amostra de solo são realmente de vítimas do Holocausto, os líderes religiosos judeus precisam ser consultados sobre a melhor maneira para se lidar com esse material. "Seria um gesto bem-vindo se um rabino fosse consultado quando a Coluna da Resistência for desmontada, a fim de garantir o manuseio correto e respeitoso das cinzas", acrescentou.

A polícia permitiu que o memorial permaneça em frente ao Parlamento até o próximo sábado.

O coletivo de artistas é conhecido por suas ações muitas vezes controversas. Para protestar contra a política de refugiados da União Europeia, em 2014, os ativistas retiraram cruzes do memorial às vítimas do Muro de Berlim, divulgando posteriormente fotos de migrantes segurando-as, antes de devolvê-las ao seu lugar de origem.

Em 2017, o grupo construiu uma réplica do Memorial do Holocausto de Berlim em frente à casa de Björn Höcke, político da (AfD), em Bornhagen, na Turíngia. No início daquele ano, o extremista de direita havia classificado o memorial como "monumento da vergonha."

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