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"Até os 45 você não chega": aos 42, Diego busca cirurgia após alerta médico

Após chegar a pesar 280 kg, homem de Várzea Paulista (SP) recebeu dos médicos a estimativa de que poderia não chegar aos 45; família busca ajuda para custear internação e tratamento Diego Vitor de Sousa tem 42 anos e diz que se sente preso dentro da própria casa

17 ago 2026 - 15h02
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Após chegar a pesar 280 kg, homem de Várzea Paulista (SP) recebeu dos médicos a estimativa de que poderia não chegar aos 45; família busca ajuda para custear internação e tratamento

Diego busca vencer a obesidade e o prognóstico dos médicos
Diego busca vencer a obesidade e o prognóstico dos médicos
Foto: Vakinha / Vakinha

Diego Vitor de Sousa tem 42 anos e diz que se sente preso dentro da própria casa. As pernas já não respondem como antes, ele enfrenta úlceras, sente dores e precisa de oxigênio para ajudar na respiração. Até tarefas simples do cotidiano se tornaram difíceis.

Há cerca de dois anos, quando começou a investigar a própria condição de saúde, Diego recebeu uma notícia que mudou sua perspectiva sobre o futuro: segundo o relato da família, um médico afirmou que ele poderia não chegar aos 45 anos.

Hoje, ele pesa 271 quilos. Já chegou aos 280 kg.

Morador de Várzea Paulista, no interior de São Paulo, Diego busca realizar uma cirurgia bariátrica como parte do tratamento da obesidade. Mas, mesmo depois de conseguir uma equipe médica disposta a acompanhá-lo, surgiu outro obstáculo: os custos hospitalares que a família não consegue pagar.

Por isso, Diego e a esposa, Aline de Sousa, criaram uma Vakinha para arrecadar recursos para a internação, medicamentos, equipamentos e demais etapas do tratamento.

"Eu me sinto preso porque não consigo mais sair de casa"

Diego conta que durante muito tempo não se enxergava como alguém com obesidade grave.

Segundo ele, foi quando as limitações físicas começaram a aparecer que percebeu a dimensão do problema.

"Eu olhava no espelho, mas não me via obeso, porque até então eu fazia de tudo. Porém, quando minhas pernas pararam, eu fui ao médico e ele disse: 'até os 45 você não chega'."

A partir daquele momento, a relação com o próprio corpo mudou.

Hoje, Diego relata dificuldades para sair de casa, entrar em veículos e realizar atividades cotidianas.

"Me sinto preso porque não consigo mais sair de casa, não entro em qualquer carro", desabafa.

A obesidade também trouxe outras complicações. Segundo o material da família, ele enfrenta úlceras nas duas pernas, dores e problemas relacionados à circulação. Também utiliza suporte de oxigênio para auxiliar na respiração enquanto se recupera de uma infecção por H1N1.

A cirurgia foi adiada por falta de dinheiro

Diego conseguiu iniciar um acompanhamento multidisciplinar com profissionais que se dispuseram a ajudá-lo voluntariamente, incluindo cardiologista, endocrinologista, nutricionista e psicóloga.

A equipe trabalha para prepará-lo para o tratamento.

Uma das primeiras etapas previstas é a colocação de um balão intragástrico, que pode auxiliar na perda inicial de peso antes da cirurgia bariátrica.

A família chegou a ter uma cirurgia programada para maio, mas precisou cancelá-la poucos dias antes.

Segundo Aline, o casal descobriu que o hospital cobraria R$ 20 mil pela internação. O valor não estava disponível naquele momento.

"Faltando três dias para a cirurgia fomos informados que o hospital cobraria um valor de R$ 20 mil. Nós não tínhamos esse dinheiro na hora e tivemos que cancelar."

Desde então, segundo a família, o estado de saúde de Diego piorou.

Uma rotina cada vez mais limitada pela doença

Além das complicações de saúde, a obesidade modificou completamente a rotina do casal.

Aline é atualmente a única pessoa da família trabalhando e precisa conciliar a renda com os cuidados do marido.

A situação chegou ao ponto de o próprio colchão utilizado por Diego já não suportar adequadamente seu peso, provocando dores na coluna e noites de sono difíceis.

A família também precisa lidar com medicamentos e outros custos relacionados ao tratamento.

"Ver a pessoa que você ama perdendo a saúde aos poucos, lutando para respirar, sofrendo em silêncio e dependendo de ajuda até para tarefas simples… é algo que machuca profundamente", escreveu Aline na descrição da campanha.

"A obesidade é uma doença, mas tratam como frescura"

Para Diego, uma das partes mais difíceis da doença é lidar também com a forma como a obesidade ainda é percebida socialmente.

Ele afirma que o problema não pode ser resumido simplesmente à falta de disciplina ou à decisão de comer menos.

"A obesidade é uma doença, mas tratam como frescura."

Em outro momento, ele explica que o tratamento também envolve acompanhamento psicológico para compreender os fatores que contribuíram para o ganho de peso.

"Se emagrecer fosse só parar de comer, não existiria gente gorda", afirma, reproduzindo uma reflexão feita por um de seus médicos.

Hoje, ele faz terapia e busca compreender os gatilhos relacionados à alimentação enquanto enfrenta as consequências físicas da doença.

O que a cirurgia representa para Diego

A cirurgia bariátrica é considerada um procedimento de grande porte e exige avaliação médica e acompanhamento antes e depois da operação.

No caso de Diego, a equipe trabalha para reduzir os riscos e prepará-lo para o procedimento.

A endocrinologista citada na reportagem de apoio, Fabiana Scomparin, explica que pacientes com obesidade grave podem apresentar diferentes complicações associadas e precisam ser avaliados de maneira individualizada antes da cirurgia.

O acompanhamento também não termina depois do procedimento.

Segundo a médica, a obesidade é uma doença crônica e o paciente precisa manter cuidados contínuos após a cirurgia, inclusive para evitar deficiências nutricionais e possível reganho de peso.

"Eu quero que ele tenha vida"

Casados desde abril de 2025, Diego e Aline enfrentam juntos o momento mais delicado da relação.

Para ela, o objetivo vai muito além da balança.

"Eu quero que ele tenha vida, não que fique trancado em casa."

Aline lembra que os dois costumavam cantar na igreja e que Diego toca violão. São atividades simples que hoje fazem parte das lembranças de uma rotina que eles querem recuperar.

"É isso que queremos. Não vamos parar e estamos juntos nessa", afirma.

Uma campanha por tratamento e uma nova chance

A Vakinha criada pelo casal tem como objetivo ajudar a custear a internação para o tratamento, medicamentos, um colchão adequado ao peso de Diego e outras despesas relacionadas à recuperação.

A família afirma que não está buscando apenas viabilizar uma cirurgia, mas criar condições para que Diego possa dar continuidade ao tratamento e recuperar parte da autonomia perdida.

"A gente precisa conseguir o valor da internação, um colchão que suporte o peso dele e também custear os remédios e demais tratamentos", explica Aline.

A campanha também se tornou uma forma de tornar pública uma luta que, até então, acontecia principalmente dentro de casa.

Para Diego, o objetivo é simples de dizer, embora difícil de alcançar: voltar a ter uma vida que hoje parece distante.

Sair de casa. Trabalhar. Cantar. Tocar violão. Estar ao lado da esposa.

E, principalmente, ter tempo para continuar vivendo.

Quem quiser ajudar pode contribuir com qualquer valor ou compartilhar a história da família.

Vakinha
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