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Assassinato de figuras-chave do Irã dificulta saída negociada

20 mar 2026 - 17h20
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Com a maioria dos líderes iranianos mortos, novas figuras que assumiram no lugar parecem muito menos dispostas a fazer concessões. Analistas apontam que estratégia de ataques dos EUA está se mostrando contraproducente.Fumaça preta se eleva sobre vários pontos do Golfo Pérsico, sinal de que campos de gás, usinas de energia, infraestrutura civil e instalações militares em toda a região sofreram ataques do Irã. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declara mais uma vez que o Irã foi derrotado militarmente.

Embora enfraquecido, regime iraniano permanece de pé após semanas de bombardeios
Embora enfraquecido, regime iraniano permanece de pé após semanas de bombardeios
Foto: DW / Deutsche Welle

À medida que a guerra se arrasta para a quarta semana, a pressão política sobre Washington aumenta. A escalada dos preços da energia está alimentando a inflação e a incerteza econômica em todo o mundo. No entanto, os EUA e Israel mantém à toda potência a pressão militar.

Essa dinâmica deixa algum espaço para negociações?

Marcus Schneider, chefe do Projeto Regional de Paz e Segurança no Oriente Médio da Fundação Friedrich Ebert, com sede em Beirute, acredita que não.

"Estou muito cético neste momento", disse à DW.

Interlocutores-chave eliminados

Com o assassinato seletivo de figuras-chave iranianas, importantes interlocutores foram eliminados, e os potenciais sucessores também estão sob ameaça.

"Essas pessoas não estão mais por perto", observou Schneider. "E aqueles que estão assumindo seus lugares são considerados muito menos dispostos a fazer concessões."

O próprio Donald Trump chegou a afirmar, na sexta-feira (20/03), que gostaria de "conversar com o Irã", mas que "não há ninguém com quem conversar", já que os líderes iranianos estão todos "fora de cena".

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto nas primeiras horas da guerra, em 28 de fevereiro. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi nomeado novo líder supremo, mas não é visto em público desde o início da guerra, em meio a especulações de que ele teria ficado gravemente ferido no ataque.

Outros altos funcionários também foram mortos, incluindo, mais recentemente, o chefe de segurança Ali Larijani, tido como um dos principais formuladores de políticas do regime. Nesta sexta-feira (20/03), a Guarda Revolucionária do Irã informou que seu porta-voz foi morto em um ataque aéreo.

Déficit de confiança

Mesmo que Washington estivesse disposto, provavelmente haveria pouco interesse oficial do Irã em iniciar negociações, disse à DW Stefan Lukas, diretor do think tank Middle East Minds, com sede em Berlim.

A atual liderança do Irã aprendeu na prática que ataques podem ocorrer mesmo enquanto as negociações estão em andamento, acrescentou. Da perspectiva de Teerã, os danos causados pelos EUA são grandes demais para que qualquer nível de confiança seja estabelecido.

No entanto, não se pode descartar que exista contato entre as partes em conflito por meio de canais secretos, por exemplo, via Iraque ou Omã, disse Lukas.

"No entanto, não haverá mudanças significativas no nível diplomático por enquanto", afirmou.

Regime iraniano resiliente, por enquanto

Para o Irã, está claro que qualquer pessoa em posição de negociação estaria em risco.

"Essa estratégia de ataques de decapitação agora está saindo pela culatra", disse Schneider.

A suposição de que a remoção de líderes-chave poderia provocar uma rápida mudança de regime provou ser um erro de cálculo, afirmou ele.

"Para o regime iraniano, o simples fato de sobreviver a um conflito armado com os EUA já constitui uma vitória", de acordo com uma análise do think tank americano Middle East Institute.

Essa avaliação bate com a impressão de que Teerã tem focado menos em avanços militares e mais em resultados políticos e estratégicos.

Lukas aponta para a resiliência estrutural do regime, às vezes chamada de "estratégia de defesa em mosaico", na qual unidades semiautônomas podem operar em diferentes áreas sem uma estrutura de comando centralizada.

"O regime sempre foi uma caixa preta", explicou.

Apesar dos ataques, a estratégia do regime de exercer pressão econômica sobre os mercados de energia parece estar dando certo.

Escalada econômica global

O bloqueio do Estreito de Ormuz e os ataques à infraestrutura energética tiveram um impacto direto nos mercados globais.

"Por que o Irã deveria parar agora?", disse Schneider.

"As guerras são decididas não apenas militarmente, mas também politicamente. Teerã espera que sua própria capacidade de suportar adversidades se revele maior do que a de seus adversários."

Embora o Irã possa não ser capaz de se igualar aos Estados Unidos militarmente, ele pode intensificar a guerra economicamente, de acordo com uma avaliação da Thomson Reuters. Isso muda o equilíbrio de poder, pelo menos em parte, para uma arena onde a superioridade militar é menos decisiva.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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