Ameaça dos drones: onde falha a segurança da Alemanha
Berlim diz que a defesa contra veículos aéreos não tripulados é uma prioridade. O incidente com explosivos no aeroporto de Leipzig, no entanto, mostra que o país ainda tem deficiências nessa área.Semana passada, um drone carregado com explosivos conseguiu voar sem obstáculos até o aeroporto de Leipzig/Halle, onde aparentemente passou despercebido por várias horas.
O incidente mostra que a defesa da Alemanha contra esses veículos aéreos não tripulados ainda está longe de estar tão preparada quanto deveria.
Ao comentar o incidente, o ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt (CSU), que fez da defesa contra drones uma prioridade, falou de um "cenário de guerra híbrida" e da possível ação de "potências estrangeiras". A suspeita principal recaiu sobre a Rússia, principalmente porque o drone foi apreendido próximo a um avião de transporte Antonov ucraniano. As investigações sobre o caso ficaram a cargo da Procuradoria Federal da Alemanha.
Mais de mil drones suspeitos em 2025
O fato de o drone estar carregado com explosivos e ter conseguido chegar ao aeroporto representa uma nova dimensão da ameaça. No entanto, de modo geral, o perigo desses instrumentos militares não é novo. Já há algum tempo, avistamentos de drones sobre aeroportos, portos e instalações industriais e militares são cada vez mais comuns. Em 2025, o Bundeskriminalamt (BKA), departamento federal de investigações da Alemanha, registrou mais de mil voos suspeitos pelo país.
Em outubro passado, por exemplo, drones paralisaram o tráfego aéreo em Munique por várias horas, deixando muitos passageiros retidos. De acordo com o especialista em segurança Nico Lange, a proteção contra drones nos aeroportos alemães não é suficiente.
"Não dispomos das redes de sensores e dos feixes de detecção necessários para identificar todos os tipos de drones, especialmente aqueles que voam baixo e lentamente", disse à DW.
Falhas na defesa contra drones na Alemanha também vêm sendo apontadas há algum tempo pela UAV DACH, associação profissional europeia dedicada à aviação não tripulada.
"O fato de um drone ter conseguido, aparentemente, entrar na área de operação do aeroporto sem ser percebido e ter sido descoberto ali mais por acaso mostra onde está o cerne do problema", analisa o presidente da entidade, Gerald Wissel, sobre o incidente em Leipzig/Halle.
Segundo a associação, o país precisa colocar em prática medidas como a identificação eletrônica obrigatória de todos os participantes do espaço aéreo por meio do ADS-L, sistema de rádio que torna os drones no espaço aéreo visíveis eletronicamente.
Muita burocracia para lidar com o problema
Por muito tempo, a Alemanha pouco fez em respeito à defesa contra drones. Agora, Dobrindt pretende resolver a situação criando novas instituições de governo. Em dezembro, ele fundou o Centro Conjunto de Defesa contra Drones (GDAZ) em Berlim. Lá, informações da Bundespolizei (a polícia federal alemã), das polícias estaduais, dos serviços de inteligência e das Forças Armadas são reunidas 24 horas por dia em um núcleo de monitoramento. No entanto, o incidente no aeroporto de Leipzig/Halle mostrou que o novo centro tem pouca serventia se um drone ameaçador não puder ser detectado e neutralizado em um grande aeroporto.
Drones voam em alta velocidade. A decisão sobre as medidas a serem tomadas deve, portanto, ocorrer em questão de minutos. Isso é dificultado pela divisão de competências na Alemanha. Quando um veículo não tripulado decola, a responsabilidade inicial recai sobre a polícia estadual. Na Alemanha, são 16 autoridades policiais nos 16 estados federados. Somente quando o drone sobrevoa um grande aeroporto comercial ou instalações ferroviárias é que a Bundespolizei pode intervir.
Já faz algum tempo que especialistas em segurança e a oposição no Bundestag, o Parlamento alemão, vêm exigindo que essas competências sejam claramente definidas e centralizadas.
"A confusão de competências na defesa contra drones representa um risco substancial para nossa segurança interna", critica a deputada federal Irene Mihalic, dos Verdes, que é policial de formação.
Os Verdes, por exemplo, exigem que a coordenação da defesa contra drones fique a cargo da polícia federal alemã. Em dezembro de 2025, a instituição recebeu uma nova unidade especial para a defesa contra esses veículos aéreos. Após o incidente no aeroporto de Leipzig/Halle, o ministro Dobrindt declarou que também pretende reforçar essa unidade. Inicialmente, estavam previstos 130 cargos em quatro sedes. No futuro, serão 300 agentes em oito sedes, como o objetivo de "estar no local de forma rápida e flexível quando necessário", informou o Ministério do Interior.
Quem tem permissão para derrubar um drone na Alemanha?
Após o incidente preocupante em Leizpig, alguns representantes, como o governador do estado de Schleswig-Holstein, Daniel Günther (CDU), solicitaram que a defesa contra drones nos aeroportos ficasse a cargo da Bundeswehr, as forças armadas da Alemanha. O pedido, no entanto, foi rejeitado prontamente pelo Ministério da Defesa - em primeiro lugar, devido à legislação vigente, segundo a qual a polícia na Alemanha é responsável pela segurança interna.
Por outro lado, para a Bundeswehr, proteger as próprias instalações "com dezenas de milhares de quilômetros de cercas" já é um desafio, como explicou um porta-voz da pasta. Além disso, vigiar a infraestrutura civil 24 horas por dia "proclamaria uma falsa sensação de segurança que nunca poderemos alcançar".
Em caso de emergência, porém, a polícia pode solicitar o apoio das forças armadas na defesa contra drones. Para esclarecer essa questão jurídica, a Lei de Segurança Aérea na Alemanha foi alterada em março. Agora, a norma permite, pela primeira vez, que a Bundeswehr abata drones fora de suas próprias instalações. Contudo, a medida só é permitido para impedir um "acidente de gravidade excepcional".
Pouca proteção aos aeroportos
Também no que diz respeito aos equipamentos técnicos para a defesa contra drones, ainda há muito a ser feito. "Nos aeroportos, foi amplamente anunciado que seriam instalados sistemas de defesa contra drones. Na verdade, trata-se mais de sistemas de detecção. Até agora, eles não conseguiram repelir nenhum drone, e em alguns aeroportos esses sistemas ainda nem foram instalados", critica Manuel Atug, porta-voz da organização independente Grupo de Trabalho Infraestrutura Crítica, à DW.
O Sindicato da Polícia na Alemanha (GdP) também lamenta a falta de recursos na área de defesa contra os veículos aéreos não tripulados. "Insegurança em estações ferroviárias e aeroportos e uma polícia que precisa implorar por recursos financeiros, legislação e tecnologia de defesa de ponta em grande escala são algo realmente perturbador", critica o presidente do GdP, Jochen Kopelke.
Uma porta-voz do Ministério do Interior diz que os grandes aeroportos do país estão sendo gradualmente equipados com tecnologia de defesa contra drones.
"A Bundespolizei já adquiriu alguns equipamentos nesse sentido. A prioridade são os oito grandes aeroportos: Frankfurt, Munique, Berlim, Düsseldorf, Hamburgo, Colônia/Bonn, Stuttgart e Leipzig/Halle", afirmou a pasta.
De acordo com o planejamento, até o final do ano, todos esses terminais deverão dispor de tecnologia móvel de defesa contra drones.
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