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"A gente não vai lançar patinho de borracha no Brasil", diz CEO da Baic

Chinesa estreia com elétricos da Arcfox, terá dez modelos até 2028 e prepara produção nacional de carros híbridos flex desenvolvidos para o mercado brasileiro

15 set 2026 - 17h04
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Resumo
A montadora chinesa Baic oficializou sua chegada ao Brasil com plano de lançar dez veículos até 2028, ano em que iniciará a produção nacional. Comandada por Oswaldo Ramos, a marca desenvolverá carros adaptados ao país com engenharia local, incluindo híbridos flex como o X55. A estratégia abrangerá modelos de R$ 100 mil a R$ 600 mil divididos entre as marcas Baic, Arcfox e a divisão de luxo Stelato. A meta é ter 50 concessionárias até 2026 e se tornar a quinta maior montadora no mercado até 2030.

A Baic oficializou sua operação no Brasil com a promessa de não se limitar à importação de modelos concebidos para outros mercados. Sob o comando de Oswaldo Ramos, que já teve passagens por Ford e GWM, a fabricante chinesa anunciou dez lançamentos até 2028, confirmou que produzirá veículos no país e afirmou que terá produtos desenvolvidos especificamente para o consumidor brasileiro.

Parte dos futuros produtos permanece escondida no cronograma oficial porque ainda passam por definições de posicionamento e desenvolvimento.

No entanto, Ramos já adiantou que o primeiro modelo híbrido flex da marca será o X55. O executivo. indicou ainda que outros modelos da família X serão lançados no futuro, todos com a mesma tecnologia e com faixas de preço competitivas.

Não à toa, a estratégia também contempla estas diferentes precificações. Até 2030, quando pretende consolidar sua linha no País, a BAIC calcula que poderá disputar segmentos entre aproximadamente R$ 100 mil e R$ 600 mil. "Todo o nosso portfólio pode ter espaço no mercado brasileiro", garantiu o executivo.

Primeiro híbrido flex da BAIC já está em desenvolvimento

O X55 aparece no planejamento para 2028 e é apontado como o primeiro candidato a receber uma motorização flex desenvolvida para o Brasil. O projeto já está em andamento com a Bosch e deverá servir de base para outros modelos da linha X que serão lançados posteriormente.

A tecnologia flex fará parte de uma estratégia mais ampla de eletrificação. Segundo Ramos, existe demanda no Brasil por híbridos plenos posicionados no centro do mercado, e não apenas por modelos eletrificados mais caros.

A arquitetura da BAIC permite combinar os sistemas híbridos com diferentes motores a combustão. Dependendo da aplicação, esses propulsores poderão ser flex, preparados para utilizar gasolina ou etanol, ou movidos a diesel.

A proposta é criar veículos adaptados não apenas ao combustível brasileiro, mas também às condições das ruas, ao perfil de utilização e às preferências locais. A fabricante afirma que terá uma estrutura de engenharia no País e poderá desenhar carros destinados especificamente aos brasileiros.

Produção nacional até 2028

A BAIC reafirmou que iniciará a produção nacional até 2028. Pode ser que a primeira etapa utilize componentes importados, em um processo de montagem gradual, antes do aumento do conteúdo local.

A empresa ainda não definiu onde os veículos serão produzidos. Segundo Ramos, há várias alternativas em análise e a escolha dependerá da viabilidade financeira de cada projeto.

Isso porque o executivo avalia que a importação de kits começará a perder sentido econômico a partir do próximo ano. A combinação entre escala, tributação e necessidade de preços mais competitivos deverá acelerar a decisão sobre a fábrica.

Ramos também vinculou a nacionalização à ambição da BAIC de disputar posições mais altas no mercado. A montadora pretende ocupar o décimo lugar entre as marcas mais vendidas do Brasil em 2028 e chegar à quinta posição em 2030. O objetivo adicional é transformar o país na maior operação internacional do grupo.

"É um projeto de escala. Produção é escala", afirmou o CEO.

Arcfox abre caminho para Stelato

Embora carregue o nome BAIC, a operação brasileira será dividida entre marcas com propostas diferentes. A Arcfox ocupará uma faixa formada principalmente por modelos que atenderão por crossovers elétricos. A própria BAIC ficará concentrada nos segmentos de maior volume, com SUVs híbridos. Já a Stelato será posicionada no mercado de luxo.

A Stelato deverá chegar ao Brasil dentro de aproximadamente dois anos. Ramos afirmou que a marca terá uma operação separada, voltada a um segmento distinto e sem se confundir com a rede dos produtos de maior volume.

A cooperação tecnológica com a Huawei também faz parte da evolução da Arcfox. Segundo o executivo, a indústria chinesa passou por uma "revolução de engenharia brutal" nos últimos anos, sobretudo no desenvolvimento de veículos elétricos, softwares, sistemas de assistência à condução e plataformas eletrônicas.

Arcfox T1 tem central multimídia com tela de 15,6 polegadas
Arcfox T1 tem central multimídia com tela de 15,6 polegadas
Foto: Divulgação / Estadão

O Arcfox T1 representa a porta de entrada dessa estratégia. O modelo mede 4,34 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,57 m de altura e tem 2,77 m de distância entre-eixos. A altura livre do solo é de 18 centímetros. Apesar do formato próximo ao de um hatch, a BAIC o classifica como crossover e deve posicioná-lo entre compactos como BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4.

O Arcfox T5 ficará acima. O SUV mede 4,69 metros de comprimento, 1,94 m de largura e 1,65 m de altura. A configuração apresentada pela BAIC utiliza bateria de 74 kWh, arquitetura elétrica de 800 volts e aceita recargas de até 230 kW. A fabricante promete passar de 30% a 80% da carga em 17 minutos.

A autonomia anunciada é de 660 km pelo otimista ciclo chinês, número que não pode ser comparado diretamente aos dados do Inmetro. Como o modelo ainda não foi homologado no Brasil, potência, alcance e equipamentos da versão nacional poderão mudar.

Rede da BAIC terá 50 lojas em 2026

A BAIC pretende encerrar 2026 com 50 concessionárias preparadas para comercializar veículos da própria marca e da Arcfox. A primeira fase da expansão deverá alcançar 24 cidades, entre metrópoles e centros regionais de primeiro nível.

Outros 24 municípios entrarão na segunda etapa. Na terceira, a fabricante pretende completar uma cobertura formada por 112 polos regionais; número definido a partir do estudo Regiões de Influência das Cidades, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A operação aproveitará a estrutura logística que a Foton, pertencente ao Grupo BAIC, já mantém no Brasil. "A gente já nasce com o sistema logístico da Foton", explicou Ramos.

A empresa promete manter 97% das peças críticas de reposição disponíveis no país, com transporte aéreo para componentes que precisarem ser trazidos do exterior.

Para o executivo, ter uma direção brasileira será decisivo para evitar erros na escolha dos produtos e na estruturação da rede. Durante a coletiva, Ramos resumiu esse argumento com uma pergunta: "Tem alguma marca chinesa que deu certo sem uma forte liderança local à frente no Brasil?"

A BAIC aposta que produto, preço, engenharia local, pós-venda e produção serão necessários para transformar a estreia em uma operação duradoura. O plano de dez veículos até 2028 representa apenas a primeira etapa. A consolidação da gama, incluindo modelos desenvolvidos para o Brasil e a chegada da Stelato, deverá ocorrer até 2030.

Estadão
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