Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

A ciência por trás do seu esqueleto: ossos se comunicam com o resto do corpo para contribuir para a saúde em geral

Os ossos são tecidos vivos que se regeneram e se reparam constantemente, ajudando o corpo a manter o equilíbrio.

30 jun 2026 - 08h22
Compartilhar
Exibir comentários
Recuperação após fratura é apenas uma das maneiras que os ossos contribuem para a saúde: mais do que uma estrutura de suporte, eles são um tecido ativo que ajuda a regular o equilíbrio mineral, apoia a produção de células sanguíneas e se comunica com vários sistemas. seksan Mongkhonkhamsao/Moment via Getty Images
Recuperação após fratura é apenas uma das maneiras que os ossos contribuem para a saúde: mais do que uma estrutura de suporte, eles são um tecido ativo que ajuda a regular o equilíbrio mineral, apoia a produção de células sanguíneas e se comunica com vários sistemas. seksan Mongkhonkhamsao/Moment via Getty Images
Foto: The Conversation

Todos os anos, médicos tratam mais de 6 milhões de fraturas ósseas só nos Estados Unidos. E embora leve apenas alguns segundos para um osso se quebrar, os processos que mantêm seus ossos fortes e permitem que eles se recuperem ocorrem continuamente ao longo de toda a sua vida.

Por baixo de sua superfície dura, os ossos estão repletos de atividade, sendo continuamente degradados, reconstruídos e remodelados. Longe de serem estruturas estáticas que simplesmente sustentam o corpo, os ossos são tecidos vivos e dinâmicos que respondem à atividade física, aos hormônios e às necessidades em constante mudança do corpo.

Sou cientista e estudo biologia óssea e metabolismo mineral. Para mim, uma das coisas mais impressionantes sobre os ossos é o quanto eles são dinâmicos, apesar de sua aparência estática. Pesquisas realizadas nos últimos 15 a 20 anos demonstraram que isso é ainda mais verdadeiro do que os cientistas haviam percebido anteriormente.

Mais do que apenas suporte estrutural

Há décadas os cientistas sabem que os ossos fornecem suporte, armazenam minerais e se remodelam continuamente. Essa remodelação é o processo que os ossos utilizam para se renovar, mantendo sua resistência e, ao mesmo tempo, permitindo que o esqueleto se adapte ao longo do tempo.

Diferentes tipos de células trabalham juntas para manter a estrutura dos ossos. Células chamadas osteoclastos removem o osso antigo ou danificado, enquanto osteoblastos constroem osso novo em seu lugar. Os osteócitos, que são células incorporadas ao osso, ajudam a detectar tensões mecânicas e coordenam a resposta óssea. Juntas, essas células ajudam o esqueleto a permanecer forte.

Mas, nas últimas duas décadas, novas pesquisas estão mudando a forma como cientistas e médicos encaram a saúde esquelética. Mais do que apenas uma estrutura de suporte, o osso funciona como um tecido altamente ativo que ajuda a regular o equilíbrio mineral do corpo, apoia a produção de células sanguíneas e se comunica com vários sistemas orgânicos.

Evidências crescentes também sugerem que, para desempenhar essas funções, os ossos produzem moléculas sinalizadoras que influenciam o metabolismo energético e equilibram os minerais de que o corpo necessita.

Seus ossos estão constantemente se remodelando para se adequarem às necessidades do seu corpo.

Apoio ao longo da vida

O equilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea muda ao longo da vida.

Durante a infância e a adolescência, o corpo constrói os ossos mais rapidamente do que os reabsorve, permitindo que eles cresçam e se tornem mais densos. No início da idade adulta, a maioria das pessoas atinge seu pico de massa óssea. Depois disso, a reabsorção óssea começa gradualmente a superar a formação óssea, principalmente com o envelhecimento e as alterações hormonais associadas a ele. Com o tempo, essa mudança pode aumentar o risco de osteoporose e fraturas.

O osso também é altamente sensível à forma como é utilizado. O esqueleto está constantemente "atento" às exigências a que é submetido e se ajusta de acordo com elas. Atividades cotidianas, como caminhar, correr ou levantar pesos, exercem pressão sobre o esqueleto. Em resposta, os ossos se adaptam, tornando-se mais fortes. É por isso que exercícios com pesos e de resistência são tão importantes para manter a saúde óssea.

Por outro lado, a inatividade prolongada devido a doenças, imobilização ou um estilo de vida sedentário pode levar à perda óssea. Astronautas também sofrem perda óssea durante voos espaciais, mas por um motivo diferente: na microgravidade, os ossos suportam muito menos peso, mesmo quando os astronautas permanecem fisicamente ativos.

Comunicação com o resto do corpo

Os hormônios também ajudam a regular o processo de formação e reabsorção óssea. Os níveis de cálcio e fosfato são rigidamente controlados pelo corpo, pois são essenciais para a transmissão de sinais nervosos, a contração muscular e muitas outras funções biológicas.

Os ossos funcionam como um importante reservatório desses minerais. Durante a menopausa, os hormônios da mulher sofrem alterações e seu corpo produz menos estrogênio, fazendo com que sua densidade óssea diminua.

Os rins e glândulas, como as glândulas paratireoides, produzem hormônios como o hormônio paratireoideo e a vitamina D que atuam como sinalizadores para indicar aos ossos quando liberar cálcio e fosfato na corrente sanguínea e quando armazená-los. Isso ajuda o corpo a manter os níveis destes minerais estáveis.

Além de todas essas funções, muitos ossos contêm medula óssea, o principal local de produção de células sanguíneas. A medula óssea produz glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio por todo o corpo; glóbulos brancos, que ajudam a combater infecções; e plaquetas, que são essenciais para a coagulação do sangue.

A medula também responde a sinais como infecção, inflamação e perda de sangue, ajustando a produção de células sanguíneas, o que torna o esqueleto intimamente ligado tanto ao sistema circulatório quanto ao imune.

Pesquisadores também descobriram que o osso não apenas recebe sinais de outros órgãos, mas também os envia. Moléculas derivadas dos ossos, incluindo a proteína osteocalcina, têm sido associadas ao metabolismo energético e a uma sinalização fisiológica mais ampla.

Embora os cientistas ainda estejam descobrindo toda a extensão dessas conexões, evidências crescentes sugerem que o esqueleto está integrado ao resto do corpo, em vez de funcionar como uma estrutura isolada.

Mulher levantando pesos
Mulher levantando pesos
Foto: The Conversation
Quando você faz exercícios com pesos, seus ossos respondem tornando-se mais fortes para suportar cargas mais pesadas.Frazao Studio Latino/E+ via Getty Images

Mantendo a saúde óssea

Como o osso é um tecido vivo, ele também pode se regenerar. Após uma fratura, o corpo passa por estágios sobrepostos de reparação que incluem inflamação, formação de novo tecido e, posteriormente, remodelação da área reparada.

A cicatrização leva tempo e depende de fatores como irrigação sanguínea, estabilidade, nutrição e saúde em geral. Má nutrição, falta de atividade física e condições como a doença óssea metabólica podem prejudicar a remodelação óssea, levando a ossos mais fracos com o tempo.

Fatores relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e o uso prolongado de certos medicamentos, incluindo glicocorticoides, também podem influenciar a saúde óssea.

A nutrição continua sendo um dos fundamentos práticos da saúde óssea. O cálcio é um dos principais componentes dos ossos, e a vitamina D ajuda o corpo a absorver o cálcio e a manter a mineralização óssea normal. Sem quantidades suficientes de qualquer um deles, o esqueleto tem mais dificuldade em manter sua estrutura e resistência.

Novas abordagens para a pesquisa

Essas descobertas sobre como os ossos funcionam como um tecido vivo estão começando a redefinir a forma como os pesquisadores abordam a saúde óssea.

Há um foco cada vez maior não apenas na densidade óssea, mas também na qualidade óssea, dinâmica de remodelação e na forma como o esqueleto interage com outros sistemas fisiológicos. Essa perspectiva mais ampla está influenciando a forma como os cientistas compreendem e estudam condições como a osteoporose e a perda óssea relacionada à idade.

Manter os ossos fortes não se resume apenas a prevenir fraturas mais tarde na vida. Trata-se de sustentar um sistema vivo que contribui diariamente para o movimento, o equilíbrio mineral, a produção de células sanguíneas e a comunicação com outros tecidos em todo o corpo.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Priya Bhardwaj não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra