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SP: ato pede justiça por Genivaldo, morto asfixiado em viatura da polícia

Protesto reuniu cerca de 100 pessoas que bloquearam a entrada da sede de PRF; sergipano morreu asfixiado dentro de uma viatura porque estava sem capacete e teria resistido à prisão

27 mai 2022 13h56
| atualizado às 14h58
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Ato pede Justiça por Genivaldo
Ato pede Justiça por Genivaldo
Foto: Imagem I Juca Guimarães / Alma Preta

O ato realizado pelo movimento negro em São Paulo, na manhã desta sexta-feira, dia 27, pediu justiça pela morte de Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, em Umbaúba, no Sergipe. O protesto reuniu mais de uma centena de pessoas em frente à sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Genivaldo morreu no último dia 25, dentro da viatura da PRF, depois que policiais o agrediram e jogaram gás lacrimogêneo e gás de pimenta no camburão. O laudo do IML apontou morte por asfixia mecânica. A vítima teria sido abordada porque estava sem capacete e foi espancada porque resistiu à prisão, segundo um sobrinho que estava perto junto com outras pessoas que filmaram toda a cena de tortura.

"Genivaldo e George Floyd, nos EUA, morreram no mesmo dia sem poder respirar. Eles tiram o ar dos corpos negros. O Brasil vive um sistema racista há mais de 500 anos. Vive um genocídio que tem como alvo a pele negra", afirmou Simone Nascimento, do MNU (Movimento Negro Unificado).

O ato começou por volta das 9h30 e reuniu parlamentares, sindicalistas, religiosos e representantes de diversas entidades do movimento negro organizado. O protesto não teve um minuto de silêncio e nem saudação de "bom dia" nas falas. O clima foi de revolta e indignação pela morte de Genivaldo - homem negro que sofria de esquizofrenia e deixou uma mulher e um filho de sete anos. 

"A câmara de gás é o retorno de um processo de violência do regime militar. Chega de morte de corpos pretos! Chega de silenciar nossos tambores! O Estado tem um projeto chamado racismo que nos atinge todos os dias", disparou o babalorixá e co-vereador de São Paulo, Júlio César, do Quilombo Periférico.

O professor de história Douglas Belchior, fundador da Uneafro e pré-candidato a deputado federal, lembrou que a morte de Genivaldo se assemelha às práticas do Esquadrão de Proteção (conhecido como SS), a polícia política da Alemanha nazista. "Era o braço armado do terror implantado pelo Hitler. Aqui no Brasil é muito parecido porque essa polícia assassina é a mais citada e lembrada pelo governo fascista do Bolsonaro e que o acompanha nas suas motociatas", pontuou Douglas.

Os manifestantes também se mostraram muito chocados com a reação da polícia do Sergipe que divulgou uma nota dizendo que na abordagem "foram empregados técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção". No boletim de ocorrências foi registrado que a morte  de Genivaldo foi por mal súbito e que não havia indício de crime.

"É inacreditável. Isso acontece em plena luz do dia porque eles têm a certeza de que não vai acontecer nada", disse o ator e diretor de cinema Sidney Santiago Kuanza, que está finalizando o documentário "Negros em paisagens", que fala sobre o genocídio da juventude negra e o racismo nas forças e segurança púbica do Brasil. O trabalho é resultado de uma pesquisa que ele faz desde 2014.

Durante o protesto, a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana não bloquearam o trânsito na rua em frente à sede da PRF e os manifestantes tinham que se espremer toda a vez que passava um carro ou um caminhão. Houve uma curta tentativa de bloqueio pela PM, por volta das 10h30, mas eles logo liberaram novamente o trânsito.

Entre 9h e 12h, os manifestantes bloquearam o portão principal da sede da PRF e fixaram cartazes e faixas que diziam "PRF Mata", "Não Consigo Respirar", "PRF a SS de Bolsonaro", "Sergipe mostra o caminho'' e "Tomar as ruas por justiça por Genivaldo".

Outro ato organizado pelas entidades da luta antirracista deve ser convocado para os próximos dias. O protesto de hoje teve representantes da Coalizão Negra por Direitos, da Marcha Mundial das Mulheres, do MST, de partidos de esquerda, do Movimento Raiz da Liberdade e da Uneafro, entre outros.

Em Umbaúba, na BR 101, perto do local onde Genivaldo foi executado, houve um grande protesto ontem realizado por amigos, parentes e moradores da cidade, que fica a cerca de 100 km de Aracaju e perto da divisa com a Bahia.

Leia mais: No Brasil, Fascismo é Racismo e Genocídio!

Alma Preta
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