Ministério Público recebe denúncia contra Claudia Leitte; cantora retirou nome de orixá de música
Em show no último fim de semana, a cantora trocou o nome de Iemanjá por Yeshua, que, para algumas religiões cristãs, é considerado o nome original de Jesus
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um inquérito civil para apurar denúncia de racismo religioso contra a cantora Claudia Leitte.
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No último sábado, 14, ela se apresentou, no Candyall Guetho Square, em Salvador, reaberto por Carlinhos Brown recentemente para celebrar os 40 anos da Axé Music.
Na apresentação, Claudia Leitte cantou a música Caranguejo e trocou a palavra Iemanjá por Yeshua, que, em algumas religiões cristãs é considerado o nome original de Jesus. Evangélica desde 2014, Claudia cantou "Eu canto meu Rei Yeshua" no lugar de "Saudando a rainha Iemanjá".
E não é que Claudia Leitte nunca falha com sua intolerância religiosa. De novo, trocou a letra de um hit dela. De novo, mudou "saudando a rainha Iemanjá" por "eu canto meu rei Yeshua", que significa Jesus em hebraico. Tirou na cara dura uma referência religiosa de matriz… pic.twitter.com/ObF6rZGqBb
— GugaNoblat (@GugaNoblat) December 15, 2024
A denúncia foi feita pela yalorixá Jaciara Ribeiro e pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e será analisada pela promotora Lívia Sant'Anna Vaz.
O Estadão teve acesso à denúncia. O Idafro e a yalorixá argumentam que essa alteração descontextualiza a música e demonstra desprezo e hostilidade por religiões afro-brasileiras, configurando discriminação.
Eles ressaltam que a Festa de Iemanjá, retratada na música, e a própria figura da Orixá são patrimônios culturais protegidos por lei, e que a ação da cantora pode ser considerada um ataque a esses bens.
Ao Estadão, o advogado Hédio Silva Jr., do Idafro, disse que ingressa ainda nesta quinta-feira, 19, com uma interpelação criminal que vai ser feita em nome da mãe Jaciara.
Em nota enviada ao portal iBahia, o MP-BA confirmou que abriu inquérito civil para apurar os fatos noticiados.
De acordo com a nota, o que o MP-BA vai investigar é se houve racismo religioso "consistente na violação de bem cultural e de direitos das comunidades religiosas de matriz africana, sem prejuízo de eventual responsabilização criminal".
O Estadão enviou e-mail à assessoria de imprensa de Claudia Leitte e aguarda posicionamento.