Como homens estão usando tags escondidas para rastrear e perseguir mulheres em SP
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) casos podem ser enquadrados como stalking e violência psicológica
Pequenos dispositivos de rastreamento, conhecidos como “tags”, têm sido colocados de forma escondida em carros, bolsas, mochilas e até em objetos de crianças, permitindo que homens monitorem a rotina e persigam mulheres com quem já se relacionaram em São Paulo.
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A prática foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira, 23. Em um dos casos relatados, uma mulher encontrou uma tag escondida no tênis do filho, que teria sido colocada pelo ex-companheiro para monitorar os deslocamentos dela. Ao Terra, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o uso clandestino desse tipo de equipamento pode ser enquadrado como stalking e violência psicológica.
O stalking, ou crime de perseguição, ocorre quando alguém passa a monitorar, perseguir ou assediar outra pessoa de forma reiterada, causando medo, constrangimento ou prejuízo à sua liberdade e privacidade. A conduta pode envolver abordagens físicas, contato insistente ou o uso de meios tecnológicos para vigilância, como aplicativos ou dispositivos de rastreamento. No Brasil, o crime está previsto no artigo 147-A do Código Penal e prevê pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa.
Investigações e relatos de especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo indicam um aumento na identificação de casos em que mulheres descobrem estar sendo monitoradas por meio de dispositivos de rastreamento escondidos em objetos de uso cotidiano. Esses aparelhos, geralmente do tamanho de uma moeda e vendidos por menos de R$ 100, possibilitam acompanhar a localização em tempo real sem o conhecimento da vítima.
Os casos de perseguição registrados pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na região central da capital paulista, aumentaram 15,5% no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, foram contabilizados 104 boletins de ocorrência, contra 90 registrados no mesmo período de 2025.
A Secretaria da Segurança Pública informou que acompanha de forma permanente os registros de perseguição e outros crimes relacionados à violência contra a mulher. Para enfrentar esse tipo de ocorrência, a pasta afirma que mantém um conjunto integrado de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, à ampliação dos canais de denúncia e ao fortalecimento da rede de atendimento. Segundo a secretaria, as iniciativas também buscam incentivar o registro de ocorrências e ajudar vítimas a romper ciclos de violência.
De acordo com a SSP, São Paulo conta atualmente com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), além de 220 Salas DDM. A rede de proteção também inclui a Cabine Lilás, instalada no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), que realizou 29,6 mil atendimentos até maio deste ano, entre chamados recebidos pelo 190, orientações e intervenções policiais.
Na área tecnológica, o governo estadual utiliza o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne ferramentas de geolocalização e monitoramento de agressores submetidos ao uso de tornozeleira eletrônica. A plataforma soma mais de 61 mil usuárias ativas e registrou mais de 16,6 mil acionamentos do botão do pânico -- recurso disponível para mulheres com medida protetiva que, em situações de emergência, envia um alerta à polícia com a localização da vítima.
O Estado também mantém o monitoramento eletrônico de agressores. Atualmente, 434 pessoas são acompanhadas pelo sistema, sendo 221 em casos de violência doméstica. Desde a implantação da medida, 136 prisões foram realizadas por descumprimento de medidas protetivas.
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