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Bispo católico critica PL Antiaborto e diz que projeto é 'distorção da realidade'

Dom Angélico Sândalo Bernardino chamou projeto de leviandade. Posição difere da CNBB que se posicionou a favor da aprovação do projeto

19 jun 2024 - 12h25
(atualizado às 14h00)
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Foto: Reprodução: Redes Sociais

Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, Santa Catarina, criticou o projeto de lei que equipara o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio, mesmo para as vítimas de estupro, classificando-o como "uma distorção da realidade". As declarações foram feitas nesta terça-feira, 18, à jornalista Mônica Beragamo, do jornal Folha de S.Paulo

Para ele, é necessário priorizar a educação sexual no País antes de penalizar mulheres que optam por interromper a gravidez. "Simplesmente punir a mulher sem discutir com profundidade uma situação tão complexa é uma leviandade. É uma precipitação legalista. É querer resolver pela lei um problema muito mais amplo e muito mais vasto", afirma. 

Bernardino também argumenta que o momento para a apreciação do tema pela Câmara dos Deputados, em regime de urgência, não é apropriado. "Uma questão complexa como o aborto não pode ser debatida às vésperas de uma eleição. Qual é a motivação desses políticos que defendem essa proposta?", ressalta.

A posição do bispo difere da adotada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se posicionou a favor da aprovação do projeto. "Não sou juiz da CNBB. Mas a minha posição é esta", afirma.

"O aborto é um crime. Está certo. Mas espera um pouco! A mulher é frequentemente a maior vítima dessa situação. O que mais há na sociedade é machismo", diz ele. 

No caso de mulheres estupradas que engravidam e optam pelo aborto, ele afirma que a situação se agrava. "A pessoa jamais poderia ser punida, porque é vítima."

Sobre o projeto do deputado evangélico Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) ele avalia que tem "um lado bom porque todos devemos ser contra o aborto".

"O aborto deve seguir proibido. É crime, porque mata uma criança", afirma ele, que acrescenta que o problema é encarcerar as mulheres de forma indiscriminada quando elas "muitas vezes são as vítimas".

Fonte: Redação Terra
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