Atualizado às 8h30min
O ex-capitão do exército Vladimiro Montesinos, personagem da crise que levou o presidente Alberto Fujimori a convocar eleições, tem um currículo digno do tipo de poder que possuía. Em 1976, as forças armadas o expulsaram de seus quadros por ter falsificado a assinatura de um oficial a fim de conseguir uma viagem aos EUA, onde faria contatos com o serviço secreto local. Desde essa época se suspeita que ele é ou foi agente da CIA (serviço secreto americano).Depois, foi processado (e inocentado) pela venda de segredos militares a embaixadas estrangeiras e, no decorrer dos anos, firmou-se na carreira de advogado de traficantes de drogas. Seu poder aumentou ao aliar-se a Fujimori na primeira campanha presidencial destez, em 1990.
Montesinos teria sido o idealizador da invasão da embaixada do Japão para libertar os 71 reféns do MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru), em 1993. Montesinos firmou-se como intermediário entre o presidente e a cúpula militar, sobre a qual tinha forte influência.
Mesmo acusado de receber dinheiro do narcotráfico e de manter vínculos com esquadrões da morte, sua posição no poder jamais foi abalada. Em agosto, a oposição vinculou-o ao tráfico de armas da Jordânia, via Peru, para rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc).
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