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Peru deverá ter novo presidente em julho

Segunda, 18 de setembro de 2000, 14h54min
O Peru deverá ter eleições em maio. Em julho, assumiria o sucessor do presidente Alberto Fujimori, que, ao se ver envolvido em uma crise política, anunciou que adiantará o pleito de 2005. A informação foi dada hoje por uma congressista.

``Em 28 de julho, teríamos um novo presidente'', afirmou Martha Chávez, do partido Peru 2000 e uma das colaboradoras de Fujimori, a uma rádio local.

Chávez acrescentou que o Congresso poderia aprovar as leis necessárias para convocar eleições adiantadas, e que Fujimori continuaria no cargo até a posse do novo governo.

Sem embargo, o primeiro vice-presidente do Peru, Francisco Tudela, mostrou-se favorável a pedir um plebiscito para que a população decida se é necessário adiantar as eleições presidenciais.

Essa alternativa atrasaria o pleito, o que poderia agravar ainda mais a crise que deixou o país sem comando com o anúncio de Fujimori no sábado, afirmam analistas.

No entanto, o líder da oposição e ex-candidato à Presidência, Alejandro Toledo, exigiu a convocação imediata das eleições, mas não especificou quando as pessoas deveriam ir às urnas.

Outros dirigentes de partidos oposicionistas pediram também a renúncia de Fujimori, para que um governo de transição possa assumir até que ocorra o pleito eleitoral.

Fujimori, que assumiu em julho passado o terceiro mandato consecutivo em meio a denúncias de fraude lançadas pela oposição, surpreendeu no sábado ao pedir as eleições, das quais afirmou que não participará.

O anúncio ocorreu dias depois da divulgação de um vídeo no qual o assessor de Inteligência, Vladimiro Montesinos, que, segundo analistas, cuida do destino do país e conta com o apoio da cúpula militar, aparece supostamente subornando um congressista para aprovar as propostas do governo.

A divulgação do vídeo foi um golpe forte para Fujimori, que em várias ocasiões defendeu Montesinos, especialmente quando os meios de comunicação independentes o acusaram de atos de corrupção e violação dos direitos humanos.

O presidente peruano também pediu a dissolução do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), do qual Montesinos era considerado o verdadeiro chefe, ainda que, formalmente, fosse apenas assessor.

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