O líder da oposição peruana, Alejandro Toledo, defende uma candidatura de reconciliação nacional para as próximas eleições. Ao desembarcar em Lima na madrugada de domingo, após uma viagem aos Estados Unidos, Toledo reiterou as cautelosas afirmações que vinha repetindo desde o dia anterior, quando o presidente peruano, Alberto Fujimori, anunciara a convocação de eleições antecipadas das quais não participará: "É chegada a hora de todo o povo peruano unir-se em torno de um regime de transição para a democracia plena", afirmou.Segundo ele, "todas as forças democráticas do Peru e todo o povo peruano devem evitar a tentação de promover uma caça às bruxas e firmar posição em favor de um Estado de direito pleno."
Indagado sobre se considerava-se o candidato ideal para catalisar essas forças, o oposicionista foi evasivo: "Pretendemos analisar com todos os partidos políticos e com a sociedade civil quem poderá liderar um governo de unidade nacional", disse.
Segundos depois, num púlpito improvisado diante do terminal de desembarque do aeroporto por partidários de seu movimento político, o Peru Possível, Toledo deu entrevistas para emissoras de rádio e TV do país mantendo a pregação conciliatória. "A oposição democrática do Peru deve tomar parte deste novo processo eleitoral peruano como um bloco único", declarou. "O importante é que o grande vitorioso dessa luta por democracia, que é o povo peruano, permaneça mobilizado, de forma pacífica, até o fim." Por várias vezes, Toledo ressaltou a palavra "pacífica".
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