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Chávez e Fujimori testam limites da democracia na AL

Sexta, 26 de maio de 2000, 21h10min
A eleição presidencial na Venezuela está suspensa, por enquanto. A do Peru está mantida. Tanto Alberto Fujimori quanto Hugo Chávez podem ter ganhos com as decisões. O líder peruano deve conseguir um terceiro mandato de cinco anos numa eleição sem desafiantes; o presidente venezuelano pode evitar a percepção de irregularidades eleitorais em um momento no qual tem grande vantagem nas pesquisas.

Ainda assim, existe um lado negativo. Disputar sem um concorrente tira a legitimidade de Fujimori e o desafiante de Chávez tem agora uma chance de diminuir a vantagem do presidente nas pesquisas. Tanto Chávez quanto Fujimori - que muitos vêem como a encarnação do regime de homem-forte - estão testando os limites da democracia na América Latina.

Em uma região andina sacrificada pela recessão, movimentos militares, alto índice de criminalidade e incerteza política, milhões de pobres depositaram suas esperanças por uma vida melhor em presidentes populistas na Venezuela e no Peru, os quais se apóiam fortemente nos militares e não têm demonstrado grande apreço pelo equilíbrio democrático do poder.

Favelados de Caracas e Lima - que vêem seu padrão de vida cada vez mais deteriorado - muitas vezes preferem ações ousadas e forte liderança a delicadezas democráticas. E Fujimori e Chavez, apesar de seus defeitos, atendem às preferências.

Peru e Venezuela tinham eleições marcadas para este domingo. Mas a Suprema Corte venezuelana suspendeu nesta sexta-feira a votação por problemas técnicos no sistema de computação dos votos. O Peru, entretanto, manteve a data do pleito apesar de denúncias de fraude, problemas técnicos e ameaças de isolamento internacional e manifestações violentas. O desafiante de Fujimori, o economista Alejandro Toledo, abandonou a disputa a fim de protestar contra a decisão da junta eleitoral de promover a votação neste fim de semana.

Observadores internacionais disseram que a decisão da Venezuela apresenta um melhor prognóstico para a democracia que a do Peru - desde que dê permissão às autoridades apara arrumar os problemas dos computadores. "Qualquer que seja a forma de eleição que ocorra na Venezuela eu diria tratar-se de um processo mais legítimo", disse David Scott Palmer, ex-integrante da equipe de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru. "E isto significa que a Venezuela estará em melhor posição em relação a seu próprio povo e à comunidade internacional".

Com a maioria das pesquisas mostrando Chávez entre 15 e 20 pontos porcentuais na frente de seu desafiante mais próximo, o ex-governador do Estado de Zulia Francisco Arias Cárdenas, ele tem pouco a ganhar levando à frente eleições suspeitas que poderiam pôr em risco a legitimidade de seu esperado mandato de seis anos. Chávez, um ex-oficial do Exército, que liderou uma tentativa de golpe de Estado em 1992, assumiu a presidência há pouco mais de um ano, mas concorre à reeleição porque a nova constituição - cuja reforma ele defendeu no ano passado - requer que os poderes públicos sejam "relegitimizados" por intermédio de uma nova eleição.

Com as eleições adiadas, Arias, que ajudou Chávez a promover o fracassado golpe de Estado e mais tarde rompeu com o presidente, tem uma nova chance para diminuir a distância nas pesquisas. Apesar da compartilhada história de golpistas, Arias é visto como mais moderado do que Chávez, cujas credenciais democráticas têm sido amplamente questionadas.

É difícil entender por qual motivo Fujimori quer levar à frente as eleições de domingo apesar de seus custos, que incluíram protestos violentos na quinta-feira e uma advertência hoje do presidente Bill Clinton. "Eleições livres, justas e abertas são os pilares de sustentação de uma sociedade democrática", disse Clinton. "Sem elas, nossa relação com o Peru será inevitavelmente afetada."

Fujimori, há 10 anos no poder, odeia curvar-se à pressão internacional, possivelmente por temer a presença de linhas duras alienados em seu governo, especialmente a hierarquia militar. Ele também sabe que mais tempo poderia significar mais apoio para Toledo numa disputa duríssima. As dúvidas envolvendo a votação na Venezuela são técnicas. No Peru, elas são políticas. E se as pesquisas estão certas, a eleição presidencial no Peru está muito mais indefinida do que a da Venezuela.

Mas não é acidental que tanto Fujimori quanto Chávez consigam seu apoio mais ardente dos pobres, cujo número inchou nos último anos na América Latina - região onde é registrada a pior distribuição de riqueza do mundo. Os dois líderes chegaram ao poder defendendo plataformas contra as regras estabelecidas e contra a corrupção. Ambos deram maior poder aos militares na sociedade. Além disso, eles sentem-se mais confortáveis entre os pobres do que entre a elite. Fujimori teve 10 anos para mostrar a que veio. Chávez está apenas começando.

Apesar do espetacular sucesso no combate à inflação e aos grupos rebeldes, Fujimori atacou as instituições democráticas em diversas ocasiões, entre as quais figura o fechamento temporário do Congresso Nacional e da Suprema Corte em 1992. Chávez, cuja popularidade permitiu realizar mudanças radicais de forma democrática, ainda está sendo questionado.

A decisão sobre nova data das eleições na Venezuela está nas mãos dos parlamentares. Apesar de o adiamento expor aquilo que parece ser uma surpreendente incompetência das autoridades eleitorais, a decisão foi saudada como um triunfo para a democracia. "As instituições estão funcionando", disse nesta sexta-feira o procurador-geral Javier Elechiguerra. "Todos nós devemos comemorar".



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Agência Estado

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