Fujimori está cada vez mais perto da reeleição
Sexta, 26 de maio de 2000, 15h35min
O presidente peruano Alberto Fujimori, 61 anos, será provavelmente reeleito domingo, por falta de outra opção, para um terceiro mandato consecutivo de cinco anos, após a decisão do Júri Nacional Eleitoral (JNE) de não adiar o segundo turno eleitoral. Seu adversário, Alejandro Toledo, 54 anos, economista de origem quíchua formado nos Estados Unidos, não quis mais se apresentar, depois de ter condicionado a manutenção da candidatura a um adiamento das eleições para 18 de junho. Na opinião dele, as condições para um escrutínio "transparente e equitável" não estavam bem claras. Após a decisão do JNE, a despeito do pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA) para um adiamento, Toledo enfatizou ontem à noite em Lima uma campanha pela anulação do voto, domingo. O presidente Fujimori é de fato o candidato único ao segundo turno de um pleito muito polêmico. A missão de observação da OEA decidiu retirar-se da berlinda, após a manutenção da data. Além disso, duas pesquisas de caráter confidencial - sua publicação é proibida duas semanas antes do escrutínio - creditam ao presidente-candidato cerca 55% das intenções de voto contra 45% dados a Toledo. Oficialmente, o candidato da oposição permanece na disputa, por não ter apresentado sua desistência ao JNE; e as cédulas com a foto e o nome dos candidatos, já impressas, estarão domingo à disposição dos 14,5 milhões de eleitores. As condições da provável reeleição do presidente Fujimori atestam, no entanto, sua legitimidade, tanto interna quanto externa, segundo os comentaristas locais. Em conversa com três jornalistas estrangeiros, entre eles o correspondente da AFP, sábado passado, ele havia dito que os resultados do pleito não afetariam as relações entre o Peru e a comunidade internacional, mais particularmente com os Estados Unidos e alguns países da União Européia. Ele falou mesmo da sua convicção de que, depois de uma onda de protestos, tudo acabaria por se acomodar em torno de sua reeleição. Um de seus assessores, que preferiu não ter o nome divulgado, acrescentou: "Conheço bem os americanos. Eles são pragmáticos e se adaptarão aos resultados, como sempre". O presidente Fujimori foi eleito pela primeira vez em 199O, quando disputou a eleição com o escritor ultraliberal Mario Vargas Llosa, para surpresa geral, beneficiando-se dos votos de uma esquerda em plena crise, que ainda não conseguiu suplantá-la, e do APRA, um partido de centro-esquerda, liderado pelo então presidente Alan Garcia, investigado por corrupção, pelo que foi obrigado a refugiar-se no exterior. Em 1995, o presidente Fujimori foi reeleito no primeiro turno com 65% dos votos, depois de enfrentar um candidato tão famoso quanto o precedente, Javier Perez de Cuellar, ex-secretário geral das Nações Unidas.
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