Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Desejo vs. realidade: por que 74% dos brasileiros querem treinar, mas esbarram no sedentarismo

Estudo revela que cuidar do corpo no País ainda é um desafio ditado por renda, distância e barreiras emocionais

17 jun 2026 - 08h19
(atualizado às 09h37)
Compartilhar
Exibir comentários
Por que 74% dos brasileiros querem treinar, mas esbarram no sedentarismo
Por que 74% dos brasileiros querem treinar, mas esbarram no sedentarismo
Foto: Pixabay

O Brasil vive um abismo entre a intenção e a prática quando o assunto é saúde física. Embora 74,3% dos brasileiros que hoje não se exercitam tenham o desejo de começar, apenas 34,3% da população mantém uma rotina esportiva habitual. Os dados são do estudo inédito Terra Insights, que mapeou o comportamento de saúde e bem-estar no País, revelando que o sedentarismo nacional vai muito além da falta de vontade.

A inatividade física reflete um cenário de desigualdade estrutural. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados em cobertura do Terra, 47% dos adultos e 84% dos jovens no Brasil não atingem o mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O resultado desse comportamento sedentário está ligado a cerca de 300 mil mortes anuais no País.

O paradoxo do mercado fitness

O cenário brasileiro apresenta uma contradição evidente. Conforme artigos publicados pela Veja Saúde e pelo Observatório do Terceiro Setor, o mercado fitness movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano. O número de centros de atividade física saltou de 22 mil em 2015 para uma projeção de mais de 62 mil em 2025. No entanto, o crescimento da indústria não se traduziu em uma população mais ativa.

A pesquisa Terra Insights demonstra que o acesso ao cuidado com o corpo é, antes de tudo, uma questão socioeconômica. A prática esportiva cresce de forma consistente conforme o poder aquisitivo: entre as famílias com renda de até um salário mínimo, 31,9% se exercitam. O índice sobe para 51,6% entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos. Cuidar da saúde, portanto, ainda esbarra na barreira do bolso.

Distância e barreiras emocionais

Para a parcela da população que deseja mudar de vida, os obstáculos são práticos e psicológicos. O levantamento Terra Insights aponta que a principal barreira para não treinar é a distância, citada por 28,6% dos não-praticantes que afirmam não ter locais adequados perto de casa. O preço aparece como impeditivo para 12,5%.

Além da infraestrutura urbana e do custo, o peso emocional afasta os brasileiros do movimento. Cerca de 13,5% dos entrevistados relatam não se sentir bem no ambiente das academias, e 12,3% afirmam ter vontade de treinar, mas sentem insegurança por não saberem usar os aparelhos. Esse desconforto é ainda mais latente entre as mulheres, que apontam a falta de acolhimento nos espaços de treino como um bloqueio frequente.

Diferenças de gênero e surpresas regionais

Homens e mulheres também divergem no que buscam para a saúde do corpo. Enquanto o público masculino gravita em torno da musculação e das lutas, as mulheres concentram o desejo em aulas coletivas e dança, buscando ambientes que promovam a sensação de pertencimento.

O estudo revela ainda que o Brasil que mais se movimenta está fora do eixo mais rico. As regiões Nordeste (40,8%) e Norte (38,2%) registram as maiores taxas de prática esportiva, superando o Sudeste (30,8%). O dado sugere que clima, cultura e hábitos ao ar livre compensam, em parte, as diferenças de renda. Além disso, 15,7% dos praticantes ativos afirmam treinar fora de academias, recorrendo a caminhadas, corridas e esportes livres.

O futuro do cuidado com o corpo

O comportamento mapeado indica que o brasileiro quer ser mais saudável, mas precisa que a saúde caiba na sua rotina, no seu trajeto e no seu orçamento. A virada cultural na saúde do País depende de iniciativas que reduzam o "medo da academia" e de políticas públicas que democratizem o acesso a espaços seguros para o movimento, transformando o exercício de um privilégio de consumo para um hábito cotidiano viável.

TerrAI Este conteúdo contou com o apoio de Inteligência Artificial na produção do texto ou na apuração das informações, sob supervisão da equipe de jornalistas do Terra.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra