Os personagens marcantes de Resident Evil 2
Entre heróis, vítimas e monstros: o elenco que marcou uma geração de jogadores
Poucos jogos conseguiram transformar personagens em ícones com tanta naturalidade quanto Resident Evil 2. Lançado originalmente em 1998, o título não apenas expandiu o universo da Capcom como também apresentou figuras que ajudaram a definir o tom mais humano, trágico e cinematográfico da série.
Em meio ao caos de Raccoon City, cada personagem carrega mais do que armas e chaves: eles carregam medo, culpa, esperança e escolhas que ecoariam por décadas na franquia. Confira a seguir no Game On os personagens mais marcantes desse clássico.
Leon S. Kennedy
Leon Scott Kennedy talvez seja um dos exemplos mais claros de construção narrativa bem-sucedida nos videogames dos anos 90. Em Resident Evil 2, ele não chega como um herói pronto, mas como um jovem policial em seu primeiro dia de trabalho — que, ironicamente, coincide com o fim do mundo como ele conhecia. Essa ingenuidade inicial é parte fundamental de seu carisma: Leon aprende a sobreviver junto com o jogador.
Ao longo da campanha, sua evolução é sutil, mas poderosa. Ele começa hesitante, confuso e assustado, e termina mais firme, mais consciente do horror corporativo por trás do desastre. Esse arco narrativo foi tão marcante que transformou Leon em um dos protagonistas mais populares da franquia, pavimentando o caminho para sua consagração definitiva em Resident Evil 4 e para o seu grande retorno atual, marcado para acontecer em 27 de fevereiro como um dos protagonistas em Resident Evil Requiem.
Claire Redfield
Se Leon representa o nascimento de um herói, Claire Redfield simboliza a empatia em meio ao colapso. Diferente dos personagens militares ou policiais da série, Claire é uma civil movida por um objetivo pessoal: encontrar seu irmão, Chris Redfield. Essa motivação simples torna sua jornada mais humana e emocionalmente acessível.
Sua relação com Sherry Birkin é um dos pontos altos da narrativa. Claire não apenas sobrevive, ela protege, acolhe e se responsabiliza. Em um jogo marcado pela escassez e pelo terror, Claire é a personagem que mais reforça a ideia de que ainda existe humanidade em Raccoon City — mesmo quando tudo parece perdido. Também marca presença em outros jogos da franquia como Resident Evil - Code: Veronica e Resident Evil: Revelations 2.
Ada Wong
Ada Wong estreou em Resident Evil 2 como uma incógnita, e saiu como uma das figuras mais enigmáticas da série. Apresentada inicialmente como uma mulher em busca do namorado, sua verdadeira natureza vai sendo revelada aos poucos, sempre envolta em mentiras, silêncios e segundas intenções.
O charme de Ada está justamente nessa ambiguidade moral. Ela nunca é totalmente vilã, nem completamente aliada. Sua relação com Leon adiciona camadas de tensão emocional à história, misturando atração, desconfiança e tragédia. Ada não é apenas um mistério narrativo, mas um símbolo do jogo duplo que permeia toda a conspiração por trás do surto biológico. Ada também possui presença marcante em outros jogos da série, como Resident Evil 4 e Resident Evil 6.
Sherry Birkin
Sherry Birkin talvez seja a personagem mais trágica de Resident Evil 2. Filha de dois cientistas diretamente responsáveis pelo desastre zumbi, ela é a representação da inocência aprisionada pelas escolhas dos adultos. Perseguida por criaturas grotescas e infectada pelo vírus G, Sherry transforma o horror em algo ainda mais cruel: o medo de perder uma criança em um mundo sem salvação.
Sua presença reforça o peso emocional da narrativa e humaniza o conflito. Sherry não luta, não atira, não resolve quebra-cabeças — ela apenas tenta sobreviver. E isso torna sua história uma das mais impactantes do jogo. Ela retorna adulta em Resident Evil 6.
Mr. X
Mais do que um inimigo, o Mr. X é uma ideia. Introduzido em Resident Evil 2 como parte do programa Tyrant da Umbrella, ele não existe para ser derrotado, mas para perseguir. Sua presença muda completamente o ritmo do jogo: corredores antes seguros se tornam ameaçadores, e o som pesado de seus passos passa a ditar cada decisão do jogador.
O que torna o Mr. X tão marcante é sua função narrativa e mecânica. Ele não fala, não corre desesperado e não demonstra pressa — apenas avança, de forma implacável como um tanque de guerra. Essa calma artificial transforma o medo em tensão psicológica constante, reforçando a sensação de vulnerabilidade que define a experiência de Resident Evil 2. No remake de 2019, sua inteligência artificial e presença quase onipresente elevaram o personagem a um novo patamar, consolidando-o como um dos perseguidores mais icônicos da história dos videogames.
William Birkin
Por trás dos monstros de Resident Evil 2, existe um vilão que não usa capa nem faz discursos grandiosos. O cientista William Birkin, pai de Sherry, é o retrato da ambição científica sem limites. Sua transformação em uma criatura grotesca não é apenas física, mas simbólica: ele se torna aquilo que criou.
Diferente de antagonistas tradicionais, Birkin é uma tragédia ambulante. Cada encontro com sua forma mutante reforça a ideia de que o verdadeiro horror da série não vem apenas dos vírus, mas das escolhas humanas movidas por poder e ganância.
Personagens que moldaram uma franquia
O que torna Resident Evil 2 tão memorável não é apenas sua ambientação ou mecânicas, mas a força de seus personagens. Eles não são apenas sobreviventes em um jogo de terror; são peças fundamentais de uma narrativa que ajudou a amadurecer a linguagem dos videogames.
Décadas depois, seja na versão original ou no remake de 2019, Leon, Claire, Ada e companhia continuam relevantes porque representam algo maior do que a luta contra zumbis. Eles representam o medo do desconhecido, o peso das escolhas e a persistência da humanidade em meio ao colapso — elementos que transformaram Resident Evil 2 em um clássico atemporal.