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Oxenfree II: Lost Signals é aventura narrativa encantadora

Night School Studio mantém charme da série e, com personagens profundos e complexos, evolui sua forma de contar boas histórias

12 jul 2023 - 23h59
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Oxenfree II: Lost Signals está disponível para PC, consoles PlayStation, Switch e dispositivos Android e iOS
Oxenfree II: Lost Signals está disponível para PC, consoles PlayStation, Switch e dispositivos Android e iOS
Foto: Reprodução / Netflix Games

Lançado em 2016, Oxenfree foi uma das gratas surpresas recentes do mundo dos jogos independentes - e uma das minhas favoritas. É um jogo tecnicamente simples, embora muito charmoso, que tem em sua narrativa cheia de desdobramentos e possibilidades, sua maior qualidade. Oxenfree II: Lost Signals mantém a essência de seu antecessor e apresenta poucas novidades em relação à jogabilidade, mas tem personagens e histórias que conseguem ser ainda melhores e justificam todos os sete anos de espera.

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Oxenfree II: Lost Signals se passa cinco anos após os eventos do primeiro jogo e acompanha Riley, uma mulher por volta dos 30 e poucos anos que retorna à sua cidade natal, Camena, e está no primeiro dia no novo emprego e em busca de um recomeço. Logo o jogador é apresentado a dois personagens-chave: Evelyn e Jacob. 

Evelyn acompanha tudo de longe através do seu walkie-talkie - que também serve para quebrar um pouco a solidão da dupla e desenvolver personagens secundários enriquecedores, algo que o primeiro jogo não fazia tão bem -, guiando Riley em sua missão e ensinando tudo o que ela precisa saber; já Jacob é um parceiro fisicamente presente e coprotagoniza os diálogos que alimentam toda a narrativa de Lost Signals. 

E é nisso que o jogo, assim como o primeiro da série, brilha. Oxenfree II tem personagens profundos e complexos, que carregam traços cativantes - afinal, é relativamente fácil se enxergar em qualquer um deles, por diferentes e variados motivos. Some a isso uma narrativa intrigante e cheia de mistérios - que claramente se inspira em obras dos anos 1980 - e tenha uma das aventuras mais preciosas dos últimos tempos.

É apaixonante ver como Riley e Jacob passam de meros desconhecidos com uma missão em comum a grandes amigos - embora seja possível seguir por caminhos totalmente diferentes deste de acordo com o sistema de escolhas do jogo. Os dois compartilham histórias, sonhos, medos e traumas enquanto tentam descobrir o que atormenta a antes pacata Camena - e, sem notar, se redescobrem e evoluem como pessoas. 

Além disso, durante a aventura alguns lapsos temporais e fantasmas do passado - que se aproveitam da mesma mecânica de frequências de rádio do primeiro jogo - trabalham para elevar, com sucesso, a curiosidade do jogador sobre a história: por mais que seja um jogo tranquilo, que pode acabar resumido enganosamente à uma longa caminhada, todos esses elementos garantem que o jogador queira continuar e descobrir o que está realmente acontecendo, além de fazê-lo refletir sobre temas que mostram a evolução do Night School Studios em contar boas histórias.

Três outros elementos contribuem muito para essa imersão. O primeiro deles é a trilha sonora: todo o ar de mistério do jogo não teria o mesmo efeito sem músicas e efeitos que parecem ter saído diretamente de Stranger Things, da Netflix - que inclusive publica o jogo -, e prendem a atenção nos momentos certos. O segundo é a dublagem: todos os diálogos e atuações dos dubladores fazem com que o jogador se sinta ali, ao lado dos protagonistas, como parte da aventura - infelizmente, o jogo não está dublado em português, mas tem legendas que cumprem perfeitamente seu papel. 

Por último, os gráficos: Camena é belíssima e tem montanhas, cavernas e inúmeros cenários que poderiam muito bem ter saído de uma pintura. A lua é uma atração à parte, e rouba a cena em alguns dos locais mais marcantes do jogo. 

Mas também há algumas considerações negativas. Lost Signals mantém o mesmo estilo de jogabilidade de seu antecessor - o que não é, necessariamente, ruim - e é um longo passeio em meio à escolhas de diálogos que definem a personalidade e a conclusão da narrativa. Esse longo passeio é essencial para desenvolver tudo sobre personagens e história, mas pode também se tornar cansativo e quebrar um pouco o ritmo. 

Outro problema está no terço final do jogo: Oxenfree II se desenvolve lentamente, sem nenhuma pressa em apresentar personagens principais e secundários e todas as sua histórias, até que se torna ansioso por uma conclusão que poderia ter sido melhor trabalhada.

Considerações

OXENFREE II: Lost Signals - Nota: 8
OXENFREE II: Lost Signals - Nota: 8
Foto: Reprodução / Game On

É bom ver como algumas boas histórias estão escondidas em jogos não tão badalados. Melhor ainda é vê-las bem contadas e cercadas por ótimas qualidades técnicas. Oxenfree II: Lost Signals não é uma obra perfeita, mas é uma clara evolução da série e mostra o potencial do pequeno Night School Studio. 

Oxenfree II: Lost Signals está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch e dispositivos Android e iOS.

Esta análise foi feita com uma cópia gentilmente cedida pela Netflix Games.

Fonte: Game On
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