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Microsoft admite crise de componentes que pode tornar o novo Xbox inacessível ao público geral

CEO da Xbox afirma, em carta aberta, que o custo do armazenamento para consoles aumentou mais de cinco vezes em dois anos; empresa busca um novo modelo de negócio para o Project Helix

15 jun 2026 - 08h35
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A Microsoft enfrenta uma crise de componentes que ameaça tanto o preço quanto a disponibilidade do próximo console Xbox, de codinome Project Helix. Em carta aberta publicada na última terça, 10, a CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, afirmou que os custos dos componentes de armazenamento para consoles mais do que dobraram desde que assumiu o cargo, em fevereiro — e que a tendência é de piora.

Visitante utilizando participante usa um controle do Xbox durante a Gamescom 2025
Visitante utilizando participante usa um controle do Xbox durante a Gamescom 2025
Foto: Andreas Rentz/Getty Images / Rolling Stone Brasil

"Quando entrei como CEO, o preço que pagávamos pelos componentes de armazenamento já era mais de duas vezes o que pagávamos no outono anterior. Esses custos dobraram novamente desde então. E, para a temporada de festas de 2027, esperamos outro aumento significativo, chegando a mais de cinco vezes os preços de apenas dois anos atrás", escreveu.

O problema tem até um apelido no setor: "RAMmageddon". A escassez de chips de memória, cada vez mais disputados por centros de dados de inteligência artificial, vem pressionando os preços de componentes usados em consoles e outros dispositivos. PlayStation 6 e o novo Xbox já haviam sido apontados como possíveis vítimas desse cenário, com rumores de adiamento para 2029.

Sharma disse que a Microsoft foi afetada de forma mais intensa do que muitos concorrentes por decisões tomadas ao longo dos últimos cinco anos. "Atualmente, não conseguimos fabricar tantos consoles quanto o público quer comprar. Precisamos de um novo modelo de negócio e de parcerias para o hardware", admitiu.

O quadro financeiro da divisão também é preocupante. A carta revela que a Microsoft investiu mais de US$ 20 bilhões em conteúdo, plataforma e subsídio de hardware nos últimos cinco anos, enquanto a receita anual caiu quase meio bilhão de dólares no mesmo período. "Isso não pode continuar", escreveu Sharma, sinalizando uma reestruturação do negócio, expressão que, no setor, frequentemente antecipa demissões e cortes de operação.

A mudança de tom na liderança da Xbox é significativa. No ano passado, a então CEO Sarah Bond descreveu o próximo console como uma experiência "muito topo de linha", alimentando especulações de que o Project Helix poderia custar pelo menos US$ 1.000. Sharma assumiu com uma proposta diferente — tornar o console "acessível" —, mas agora admite que a crise de componentes torna esse objetivo cada vez mais difícil.

Em entrevista à Fortune, ela disse que o próximo Xbox pode não ser "o console mais topo de linha e de alta performance" porque "chegamos a um ponto em que é difícil imaginar o público geral gastando milhares de dólares em um console".

O cenário coloca a Microsoft numa encruzilhada estratégica: entregar um console de próxima geração competitivo a um preço acessível, em um momento em que os custos de fabricação estão fora de controle. A empresa disse estar comprometida com o lançamento do Project Helix, mas reconhece que precisará de novos parceiros e de um modelo de negócio diferente para viabilizá-lo. Enquanto isso, o mercado de consoles observa com atenção, especialmente porque a Sony, com o PlayStation 6, enfrenta os mesmos desafios de componentes.

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