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Empresas de tecnologia voltaram a demitir em 2024; saiba quem já fez cortes

Setor de tecnologia foi pego de surpresa com nova onda de demissões neste ano, após milhares de cortes em 2022 e 2023

6 fev 2024 - 19h10
(atualizado às 20h09)
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Golpe com tecnologia deepfake engana multinacional em US$26 milhões
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Foto: Sigmund/Unsplash

As demissões em massa nas empresas de tecnologia voltaram em 2024, pegando de surpresa todo o mercado, que achava que o assunto tivesse ficado em 2022 e 2023.

Somente no início deste ano, companhias como Microsoft, Alphabet (empresa-mãe do Google), Amazon, TikTok, Discord e Duolingo realizaram cortes de centenas de funcionários, bem como o enxugamento de diversos departamentos, como publicidade e vendas.

As demissões atingem outras áreas, como de games: o estúdio Riot Games (conhecido pelo jogo League of Legends) e propriedade da gigante Tencent demitiu centenas de funcionários. Além disso, os cortes chegaram ao mundo das startups: o "unicórnio" Brex entrou na lista de demissionárias.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, as demissões de 2024 têm motivo diferente dos cortes realizados em 2022 e 2023, quando o mercado de tecnologia sofria um revés com a alta global dos juros e com um desaquecimento na demanda por serviços digitais, na retomada ao mundo pós-covid.

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Desta vez, os cortes são uma forma que essas empresas encontraram para poupar capital e se armar para a corrida da inteligência artificial (IA), que exige investimentos bilionários em inovação. A companhia que não fizer isso, dizem especialistas, podem perder essa batalha e e até desaparecer do mercado. Leia mais nesta reportagem.

Alphabet (Google)

O Google (cujo controle é da Alphabet) demitiu "centenas de funcionários" no início de janeiro. Os cortes enxugaram diversas divisões na empresa, como unidades responsáveis pelo assistente virtual da empresa, o celular Pixel, os relógios Fitbit, a caixa de som inteligente Nest e o YouTube.

As demissões impactaram também o escritório no Brasil, que encolheu a área de publicidade, segundo apurou o Estadão à época.

Em comunicado interno, o presidente executivo do Google, Sundar Pichai, declarou: mais demissões devem ocorrer ao longo de 2024.

Amazon

A Amazon implementou uma onda de demissões em algumas das principais unidades de negócio do grupo. Ao todo, os cortes chegaram a centenas de pessoas, embora o número final não tenha sido revelado.

O serviço de streaming de filmes e séries Prime Video e o estúdio MGM (adquirido por US$ 8,5 bilhões em 2022) foram afetados pelos cortes. Já a plataforma de transmissão de games Twitch foi enxugada em 35%, dispensando 500 pessoas.

Em 2022 e 2023, a Amazon demitiu 27 mil pessoas, número recorde para a empresa.

TikTok

O TikTok foi uma das poucas empresas de tecnologia que passaram ilesas aos cortes de 2022 e 2023. Mas não em 2024.

Em janeiro, a companhia chinesa ByteDance (controladora do TikTok) demitiu 60 pessoas nos Estados Unidos, sem fornecer esclarecimentos sobre o que ocasionou os cortes.

Discord

A plataforma de comunicação multimídia Discord anunciou cortes de 170 pessoas em janeiro, maior número na história da empresa. Isso representava cerca de 17% da força de trabalho da firma.

Em agosto de 2023, o Discord já tinha demitido cerca de 4% de seu quadro de funcionários.

Duolingo

O aplicativo de ensino de línguas Duolingo vem substituindo funcionários por ferramentas de inteligência artificial (IA), que agora cria as lições por onde os estudantes aprendem novos idiomas.

O porta-voz do Duolingo, Sam Dalsimer, confirmou que a empresa cortou cerca de 10% de seus contratados no final de 2023, mas se recusou a fornecer números específicos. A empresa tem mais de 700 funcionários em tempo integral.

Riot Games

O estúdio Riot Games (responsável pelos títulos League of Legends e Valorant, entre outros) anunciou a demissão de 530 funcionários pelo mundo, cerca de 11% da força de trabalho da companhia. A firma é controlada pela Tencent, um dos maiores grupos chineses de tecnologia.

Catapultado pela pandemia de covid-19, que aumentou a demanda por games, o estúdio afirma que desenvolveu projetos demais e que, agora, é hora de trabalhar de maneira mais enxuta.

"Alguns dos investimentos significativos que fizemos não estão se pagando da maneira que esperávamos. Nossos custos cresceram a ponto de se tornarem insustentáveis, e não temos espaço para experimentação ou fracasso, o que é vital para uma empresa criativa como a nossa. Tudo isso coloca em risco a essência do nosso negócio", declarou o CEO Dylan Jadeja, em nota.

Zoom

O Zoom anunciou um corte de 150 pessoas em 1º de fevereiro, cerca de 2% da empresa. Essa é a segunda onda de demissões da empresa, que, em 2023, demitiu 1,3 mil postos (ou 15% à época).

O Zoom foi uma das principais companhias que surfaram na digitalização desencadeada pela pandemia de covid-19, com sua plataforma de videoconferências.

Paypal

O Paypal entrou na lista de empresas que demitiram em 2024, dispensando cerca de 9% da força de trabalho da companhia (cerca de 2,5 mil pessoas).

Segundo o presidente executivo da companhia, Alex Chriss, o PayPayl precisa "aumentar o foco e a eficiência, implementar automação e consolidar a tecnologia para reduzir complexidade e duplicação", escreveu em comunicado interno aos funcionários. "O ano de 2024 é um ano de mudanças, incluindo algumas decisões difíceis, mas necessárias, para chegarmos aonde precisamos ir."

Em 2023, o PayPal havia demitido outras 2 mil pessoas (equivalente a 7% da força de trabalho).

Snap

O Snap, empresa dona do aplicativo de fotos e mensagens efêmeras Snapchat, vai demitir 500 pessoas pelo mundo, anunciou a empresa na segunda-feira 5. Isso representa 10% do pessoal da empresa, que vai começar as demissões até o fim deste trimestre.

Em agosto de 2022, a companhia demitiu 20% da força de trabalho (1,3 mil pessoas) e descontinuou produtos, em esforço para reduzir custos.

DocuSign

A empresa de assinaturas digitais DocuSign vai encolher em 6% o número de pessoas, totalizando 440 postos de trabalho eliminados, anunciou a firma em 6 de fevereiro. O total de empregados é de 7,3 mil pessoas.

Segundo o comunicado, os cortes acontecem em busca de "eficiência operacional e financeira", diz.

Estadão
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