Brasil vive auge do R6 e Ubisoft revela próximos passos; entrevista
Ubisoft detalha o ciclo de ouro do Rainbow Six no Brasil, o impacto da Oca do Ibirapuera e os planos para fortalecer ainda mais o cenário
O Brasil nunca esteve tão forte no cenário competitivo de Rainbow Six Siege. Entre grandes eventos internacionais em solo brasileiro, a consolidação da South América League, o bicampeonato mundial e um público que transforma qualquer arena em caldeirão, o país vive aquilo que muitos já chamam de o “ciclo de ouro” do R6. Mais do que resultados, é um momento de afirmação cultural: o Brasil virou um eixo global da modalidade, um polo de talento, performance e paixão.
Para entender como a Ubisoft enxerga este momento histórico — e o que está sendo feito para garantir que o crescimento continue sustentável e competitivo — conversamos com Leandro Montoya, Diretor de eSports da Ubisoft Brasil. Ele comenta a importância estratégica de levar a final da SAL para a Oca do Ibirapuera, analisa o amadurecimento das equipes nacionais, fala sobre a pressão dos resultados internacionais e reforça a necessidade de novas oportunidades para organizações, jogadores e marcas que querem se aproximar desse ecossistema que só cresce.
A seguir, você confere uma análise profunda sobre o presente e o futuro do Rainbow Six no Brasil — direto de quem está moldando esse cenário.
Game On - O Brasil está vivendo um momento histórico no R6, com finais presenciais, bicampeonato mundial e o RELOAD em casa. Como vocês enxergam esse “ciclo de ouro” do cenário brasileiro e quais são os planos da Ubisoft para garantir que esse ritmo continue forte nos próximos anos?
Leandro Montoya - Sem dúvida, estamos vivendo um momento histórico para o Rainbow Six no Brasil. Ter recebido dois grandes eventos internacionais em sequência (o Six Invitational 2024 e o RELOAD) consolidou o país como um dos principais pólos globais de esports. O bicampeonato mundial também reforça algo que sempre percebemos no dia a dia: o nível de excelência das nossas equipes e a força da torcida brasileira, uma das mais apaixonadas e engajadas do mundo.
Para os próximos anos, continuamos investindo no ecossistema regional, fortalecendo a South América League (nosso campeonato principal), ampliando oportunidades para novos jogadores por meio de nossos campeonatos de comunidade e garantindo uma boa participação na Esports Nations Cup, na qual teremos uma seleção brasileira de jogadores de Rainbow Six.
A estratégia é tornar o cenário de esports cada vez mais competitivo, profissional e conectado à comunidade e aos jogadores também casuais, esse é o alicerce que garante longevidade.
Game On - A Oca do Ibirapuera é um dos espaços culturais mais icônicos de São Paulo, e agora vira palco das finais da SAL. Qual é o impacto estratégico de realizar eventos tão grandes em locais simbólicos e como isso ajuda a posicionar o Rainbow Six Siege no mainstream brasileiro?
Leandro Montoya - Escolher a Oca do Ibirapuera para sediar as finais da SAL foi uma decisão estratégica e simbólica. A Oca é um dos espaços culturais mais emblemáticos de São Paulo, e levar um evento de esports para lá é retribuir a nossos fans todo o carinho que eles investem em nosso jogo com um evento inspirador e um lugar especial. Esse tipo de escolha também contribui para aproximar o jogo do mainstream, mostrando que os esports fazem parte da agenda cultural da cidade e do país.
Game On - As seis equipes finalistas representam o topo do competitivo nacional. Como você avalia o amadurecimento dessas organizações dentro do ecossistema R6 e o que elas mudaram na forma como o público brasileiro consome esports?
Leandro Montoya - As seis equipes finalistas representam o ápice do competitivo nacional e refletem o quanto o cenário evoluiu nesses últimos oito anos de ecossistema competitivo de Rainbow Six no Brasil. Hoje vemos organizações muito mais estruturadas, com comissões técnicas profissionais, investimentos em performance, staff multidisciplinar e uma visão clara de longo prazo. Esse amadurecimento é um dos fatores que explicam por que o Brasil lidera o ranking mundial de premiações quando consideramos os títulos conquistados por equipes brasileiras, tendo recebido mais de 12 milhões de dólares.
Além disso, essas organizações ajudaram a transformar a forma como o público brasileiro consome esports. Elas profissionalizaram sua comunicação, fortaleceram suas marcas e criaram narrativas que engajam fãs dentro e fora do servidor. O torcedor se identifica, acompanha, cria vínculos e isso aparece claramente na energia dos eventos presenciais que realizamos no país.
Game On - Como a Ubisoft vê a pressão e as expectativas colocadas sobre os times brasileiros, considerando que somos hoje a região mais vitoriosa do planeta? E como o desempenho internacional influencia diretamente o planejamento dos eventos nacionais?
Leandro Montoya - A pressão sobre os times brasileiros é natural quando olhamos para o histórico do país no Rainbow Six. Ao mesmo tempo, essa pressão vem acompanhada de um orgulho enorme. Os jogadores e organizações entendem o peso dessa responsabilidade e transformam isso em motivação, e a comunidade brasileira responde com um apoio que não vemos em nenhum outro lugar.
Do ponto de vista da Ubisoft, o desempenho internacional é um indicador importante que orienta nosso planejamento interno. Quando vemos equipes brasileiras constantemente no topo, isso reforça a necessidade de oferecer estruturas regionais cada vez mais consistentes, eventos à altura desse nível competitivo e espaços onde a torcida possa se conectar a esse sucesso.
Game On - O público brasileiro é extremamente fiel, como a Ubisoft planeja transformar esse engajamento orgânico em um ecossistema sustentável a longo prazo sem perder a identidade tão autêntica que o público brasileiro criou em torno do jogo?
Leandro Montoya - O nosso desafio, enquanto Ubisoft, é transformar esse engajamento orgânico em um ecossistema sustentável a longo prazo, sem diluir a autenticidade que a comunidade construiu.
Para isso, estamos trabalhando em três frentes principais: estruturar competições que ofereçam estabilidade a jogadores e organizações, como temos feito nos últimos oito anos; ampliar as oportunidades de desenvolvimento de novos talentos por meio de campeonatos de comunidade; e expandir o interesse no ecossistema de esports a jogadores casuais.
Queremos preservar aquilo que torna o público brasileiro especial, ao mesmo tempo em que criamos bases sólidas para que o cenário cresça de forma profissional e contínua nos próximos anos.
Game On - Você acha que apesar das vitórias, nosso ecossistema precisa de mais investimentos? O que falta para o Brasil ser encarado como um mercado competitivo de verdade e não apenas o mais apaixonado?
Leandro Montoya - O Brasil já provou que é um dos mercados mais competitivos do mundo dentro de Rainbow Six. Os resultados internacionais e nossa trajetória regional falam por si.
Marcas não endêmicas têm uma grande oportunidade de se aproximar de nossos fãs através de patrocínios e parcerias que poderiam expandir ainda mais o ecosistema competitivo e aumentar as oportunidades para jogadores profissionais e comunidade.
Quando mantemos um cenário profissionalizado, com equipes sólidas, eventos consistentes e espaço real para novos jogadores, construímos não só vitórias, mas um mercado maduro. E é justamente nisso que estamos concentrando nossos esforços.
Conclusão
Ao ouvir Leandro Montoya, fica evidente que o sucesso do Rainbow Six no Brasil não é um fenômeno isolado — é o resultado de estrutura, investimento, paixão e continuidade. O país se tornou uma referência mundial não apenas pelos títulos, mas pela capacidade de transformar esports em cultura, ocupando espaços simbólicos, trazendo novas marcas e fazendo o público se sentir parte da experiência.
O futuro, segundo a Ubisoft, não será apenas sobre vencer campeonatos: será sobre formar novos talentos, fortalecer organizações, ampliar eventos, engajar jogadores casuais e profissionalizar ainda mais o ecossistema. E, acima de tudo, será sobre manter o Brasil exatamente como ele se consolidou no R6: competitivo, vibrante e autêntico.
Se o presente já é histórico, o futuro promete ser ainda maior — e a comunidade brasileira, mais uma vez, estará no centro de tudo.