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Análise: Cris Tales encanta visualmente

Jogo colombiano entrega mecânicas inovadoras em um bom uso de viagem no tempo

26 jul 2021 15h49
| atualizado às 16h42
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RPG indie colombiano, Cris Tales possui belos visuais
RPG indie colombiano, Cris Tales possui belos visuais
Foto: Reprodução

O CEO da Dreams Uncorporated, Carlos Rocha Silva, disse durante a E3 de 2019 que o que movia sua paixão pelo desenvolvimento de games era poder criar "coisas estranhas" e que assim surgiu o embrião de Cris Tales. É possível dizer que Carlos realmente seguiu sua paixão inicial ao criar um "JRPG" de origem colombiana, em que um sapo que pode ser enviado para o passado ou futuro por magos do tempo.

Cris Tales foi lançado por uma empresa colombiana na semana em que o país comemorava o feriado de sua independência e, ainda que dublado em inglês e seguindo um gênero tipicamente japonês, o jogo consegue representar bem suas raízes com uma estética que é um deleite aos olhos. Com belos visuais, pensado em três niveis (passado, presente e futuro), Cris Tales é encantador. O game faz com que o jogador tenha vontade de explorar seus cenários para curtir a construção estética belíssima.

No jogo somos apresentados à Crisbell, uma tímida jovem que descobre do dia para a noite que ela é uma Maga do Tempo, que, utilizando cristais, consegue vislumbrar o passado e o futuro de tudo que esteja ao seu redor, como pessoas, locais e monumentos. Além disso, Crisbell consegue enviar o sapo mágico Matias para interagir com o passado e o futuro caso necessário.

Ainda que com algumas adições muito interessantes, a história principal do jogo não é lá tão inovadora, já que segue a cartilha da jornada do herói à risca: uma personagem jovem descobrindo poderes repentinamente e tendo que sair em uma jornada contra o mal que sonda a sua terra. No caminho ela conhece um mentor e personagens que irão te ajudar a vencer o grande vilão. Tudo isso está presente em Cris Tales, mas se feitos de forma coerente, os clichês podem ser efetivos. No caso deste game eles são.

Aliás, ainda que com enredo clichê, cada detalhe secundário do jogo é divertido. Os personagens que você visita nas cidades possuem backgrounds que cativam ou até mesmo irritam. Os companheiros de Crisbell também possuem características próprias que te fazem criar apreço por eles. As características secundárias do enredo e do jogo entregam carisma.

O fato da protagonista ser uma maga do tempo que consegue flutuar nos três períodos de tempo possíveis é extremamente bem utilizado em todos os pontos chaves de Cris Tales.

Level Design

Em Cinder, podemos ver que no futuro a cidade foi destruída
Em Cinder, podemos ver que no futuro a cidade foi destruída
Foto: Reprodução

Devido aos poderes de Crisbell, em qualquer ambiente que não possua monstros para combater, como cidades, casas e coisas do tipo, a tela sempre esta divida com um triângulo ao centro, onde vemos o presente. Já do lado esquerdo podemos visualizar o passado e do lado direito o futuro. Logo, todo o jogo foi pensado em três camadas, uma vez que enquanto você se movimenta, o cenário se modifica de acordo com o tempo que está em tela.

Escolhas e Quests Secundárias

As quests secundárias são um ponto positivo em Cris Tales
As quests secundárias são um ponto positivo em Cris Tales
Foto: Reprodução

Durante a história principal, à medida que Crisbell e seus amigos vão solucionando as crises apresentadas, há momentos chaves em que o jogador deve escolher um caminho ou outro a seguir. Normalmente isso é um bom atrativo em qualquer RPG, já que dá personalidade às suas decisões. Contudo, com Cris Tales permitindo que você vislumbre o futuro, logo após sua primeira escolha, você percebe que caso erre no seu julgamento, os locais por onde você passa sofrerão com isso futuramente.

Este quesito também é muito bem utilizado nas sidequests, onde podemos agir em níveis pequenos, como reparar uma relação amorosa há muito tempo afetada, ou até mesmo salvando um pequeno garoto que se motivará em transformar o futuro da sua cidade para que ninguém sofra o que ele sofreu.

Estilo de Batalha

Do lado direito, os inimigos foram enviados para o futuro
Do lado direito, os inimigos foram enviados para o futuro
Foto: Reprodução

Ainda que o sistema de batalha tenha seus problemas (e falarei sobre eles), ele também possui pontos positivos. Cada personagem do seu grupo possui características extremamente próprias, fazendo com que você tenha que realmente calcular a montagem do trio que irá lutar, principalmente nas lutas de chefe. Estas inclusive são desafiantes e requerem que o jogador calcule os seus movimentos.

Além disso, os monstros, ataques e habilidades seguem também a lógica de viagem do tempo. Cada monstro possui três versões, com suas características específicas seguindo suas idades. Outro detalhe é que o tempo também afeta a forma de luta. Logo no primeiro combate do jogo, Cris Tales te mostra uma batalha em que você joga água no escudo de um inimigo, envia ele para o futuro, fazendo com que o escudo enferruje e com isso a defesa dele diminua.

Nem tudo são flores

Combate casual em Cris Tales pode ser cansativo
Combate casual em Cris Tales pode ser cansativo
Foto: Reprodução

Cris Tales possui vários pontos positivos, mas também peca em alguns aspectos. O sistema de batalha, ainda que inventivo e desafiador no confronto contra os chefes, se torna repetitivo um pouco cedo demais, uma vez que é necessário certo grind para que você consiga passar dos adversários chaves. Para as gerações atuais parte deste problema poderia ser resolvido com uma otimização das telas de carregamento entre cada batalha, o que acaba sendo desanimador quando você quer apenas explorar o mapa e fugir de cada batalha que aparece.

Ponto de save em Cris Tales
Ponto de save em Cris Tales
Foto: Reprodução

Também no sistema de batalha estão algumas partes que foram pensadas, mas não tão bem executadas, como a mecânica que te permite atacar uma segunda vez o inimigo se pressionar o botão na hora correta. Porém, o detalhe é que caso você aperte o botão continuamente, você sempre conseguirá dar esse dano adicional.

Outro detalhe um pouco desanimador, ainda mais nas gerações atuais de console, é que o jogo não possui autosave e sim o clássico sistema de pontos de salvamento, o que torna frustrante momentos que você não consegue encontrar um savepoint e acaba caindo após um tempo de jogo, acabando por perder muito tempo. Ao mesmo tempo que alguns possam dizer que achar isso ruim se trata de preguiça ou comodismo, eu rebateria dizendo que essa mecânica de save parece purista nos dias atuais.

Visual em Cris Tales Impressiona
Visual em Cris Tales Impressiona
Foto:

E por último, com um visual tão estonteante e que, claramente referencia a cultura latina em termos estéticos, não deu para não sentir falta da opção de uma dublagem em espanhol para o jogo, que possui apenas a opção em inglês. Algo parece não se encaixar quando vemos personagens com nomes como Crisbell e Enzo interagindo em uma igreja com um design tão bonito, mas falando em um inglês tão americano.

Ainda assim, na somatória, Cris Tales possui mais pontos positivos do que negativos e encanta na maior parte do tempo com uma escolha muito feliz da estética apresentada nos visuais, além de um uso muito criativo da viagem temporal em várias frentes do game, mesmo que não apresente a trama mais inovadora do mundo. Não só vale a jogada para todos, mas, como para quem é assinante do serviço Game Pass e fã de RPG, Cris Tales é uma pedida obrigatória.

Cris Tales - Nota 8
Cris Tales - Nota 8
Foto: Game On / Divulgação

Cris Tales foi testado em um Xbox Series S e está disponível também para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X.

Fonte: Game On
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