Análise: Arcadeggedon é estiloso, mas peca no conteúdo
Jogo da Illfonic coloca os jogadores em combates por loops infinitos para salvar o Arcade do Gilly
O famoso Arcade do Gilly corre perigo! A megacorporação Fun Fun CO. entende que seus jogos são uma ameaça e desenvolveu um vírus para sabotar o projeto mais ambicioso do carismático game designer: Arcadegeddon.Gilly precisará de jogadores talentosos para literalmente entrar no game e avançar ao máximo pelos níveis e salvar o último arcade da cidade.
Essa é a premissa de Arcadegeddon, novo jogo da IllFonic Inc.que traz muito estilo e uma jogabilidade competente, mas acaba pecando pela falta daquele “algo a mais”.
Estilo acima do conteúdo
Arcadegeddon é simples e direto, mas ao ponto de se tornar genérico e não trazer nenhuma novidade. Na prática, o jogo é um roguelite padrão, com estágios criados proceduralmente e que permite que o jogador gaste os recursos que coletou em melhorias para o seu personagem após cada morte.
Com exceção do lento tutorial, que dura alguns minutos, o jogador entra direto na dinâmica do gênero. O Arcade do Gilly é um HUB onde jovens rebeldes se reúnem para se divertir e onde o jogador retorna após cada incursão para aceitar novos desafios e aprimorar seus recursos. Essas pequenas jornadas podem ser feitas tanto sozinho como ao lado de amigos, que não fazem tanta falta para conseguir concluir os objetivos.
O que mais chama a atenção no jogo é seu estilo, visual e sonoro. O jogo utiliza uma estética com poucos polígonos, semelhante à Fortnite, mas adiciona efeitos neon em seus cenários e cores com forte contraste para criar um clima cyberpunk e retrofuturista. Já a trilha sonora aposta nas músicas eletrônicas e torna o ambiente pulsante - Charles Brungardt, CEO da Illfonic, é vencedor de Grammy e chamou alguns nomes importantes do gênero para compor a trilha sonora original de Arcadegeddon, como Ray Volpe e Mark Rutherford. Mesmo no lobby, se torna comum parar por uns instantes para sentir a batida e curtir a vibe do jogo.
Todo esse estilo se torna o ponto mais alto do jogo, uma vez que as incursões acabam perdendo a empolgação mais cedo do que deveriam. Embora os cenários de cada fase sejam bastante diversificados, os inimigos são repetitivos e a dinâmica não apresenta muitas mudanças, mesmo após horas e horas de jogo. Em cada fase, é preciso concluir pequenos desafios, como tomar um local ou destruir algo específico. Mas é somente isso, nada muito criativo ou que estimule à voltar.
Por outro lado, o combate é agradável. Arcadegeddon funciona como um shooter em terceira pessoa, com movimentação fluida e controles bem responsivos. Tornando o loop repetitivo do jogo mais tolerável e incentivando a experimentação, a variedade de armas é satisfatória, e elas fogem dos tipos padrões: há uma série de opções criativas, como bombas de ar que inflam e explodem os inimigos.
Além disso, a narrativa também é outro ponto fraco e não evolui muito. Mesmo após derrotar vários chefes e expandir a relação com outros membros de gangues que ficam no Arcade, a história continua sendo apenas um pano de fundo para loops infinitos. Os únicos estímulos para voltar às incursões são o ranque global e as possibilidades de customização do personagem, ainda sim pouco atrativa após algumas horas.
Já no que diz respeito à monetização, o jogo aposta no sistema padrão de multiplayers lançados nos últimos anos. Há uma loja no HUB onde é possível comprar itens cosméticos para seu personagem usando a moeda do jogo ou pagando para adquirir a moeda especial e adquirir roupas mais legais. Nesse quesito, falta um passe de batalha, que com certeza melhoraria a experiência.
Considerações
Arcadegeddon se destaca pelo estilo e jogabilidade direta e divertida, mas peca pela falta de conteúdo. Ter uma variação maior de inimigos e, especialmente, missões mais criativas daria maior longevidade ao loop do jogo.
A boa notícia é que boa parte de seus pontos fracos podem ser amenizados ou corrigidos com pequenas atualizações. Uma vez que a parte técnica do jogo é quase perfeita - o jogo rodou perfeitamente no PlayStation 5 sem bugs notáveis -, o foco dos desenvolvedores pode ser nas melhorias que realmente importam.
Arcadegeddon está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X/S.
Essa análise foi feita no PlayStation 5 com uma cópia antecipada gentilmente cedida pela Illfonic.
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