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Vôlei

Zé Roberto vê Brasil no 'topo do topo' e diz que analisa comportamento das jogadoras: 'É isso que importa'

Treinador recebeu o Terra em seu CT em Barueri (SP), onde promove projeto na modalidade e sedia a casa do Paulistano/Barueri

1 abr 2026 - 04h57
(atualizado às 11h42)
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Zé Roberto fala sobre drama em Rio 2016, renovação e aposentadoria: 'Muito prestígio':

Os quase 60 anos de dedicação ao vôlei são um indicador de que o treinador José Roberto Guimarães viveu quase todas as emoções que a modalidade pode proporcionar. Dos três títulos olímpicos ao choro à beira da quadra após a eliminação precoce em Rio-2016, o multicampeão falou com carinho ao Terra sobre o projeto pelo qual é o responsável em Barueri (SP), revisitou a carreira e traçou –com cautela– o momento ideal para encerrar a parceria com a Seleção Brasileira feminina de Vôlei. 

Com a calma com a qual o brasileiro está habituado a vê-lo à beira de quadra, Zé Roberto recebeu a reportagem em seu escritório no Sportville, centro de treinamento idealizado pelo técnico e que também funciona como casa da equipe do Paulistano/Barueri. A iniciativa, segundo ele, era um sonho que o acompanhou durante a carreira.

O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
Foto: Getty Images

“Eu sempre tive o sonho de ter um projeto de vôlei. Até porque cresci num projeto de vôlei em Santo André, onde conheci meu primeiro técnico. Eu queria ser jogador de futebol, assim como minha família toda foi. Meu pai queria que eu fosse médico ou engenheiro, mas me apaixonei pelo vôlei muito cedo”, afirma. 

“Talvez tenha sido um dos atletas que mais treinou para realizar um sonho, que era de vestir a camisa da seleção nacional, participar de um grande campeonato mundial e Jogos Olímpicos. Nisso, surgiu a oportunidade de me tornar treinador, mas sempre tive essa situação voltada para um projeto, como um professor, e ter alunos, gente trabalhando, treinando, e usar o esporte como uma ferramenta de desenvolvimento”, complementa. 

A idealização do Sportville surgiu a partir de vivências com a própria Seleção Brasileira, em que o deslocamento entre hotel, treinamentos e partidas se tornava um desafio por si só: “Foi pensando num lugar em que você poderia ter tudo junto, pudesse dormir, se alimentar e treinar, sem deslocamentos. Na Seleção Nacional, a gente se deslocava muito, os jogadores viviam circulando de um lado para o outro”. 

Para além do desenvolvimento esportivo, o projeto desenvolvido em Barueri visa não somente dar oportunidade às atletas para se tornarem jogadoras de vôlei, mas que também tenham a possibilidade de ir à faculdade e tenham o pós-carreira bem dirigido, afirma Zé Roberto. 

“Isso é legal porque a gente recebe jogadoras de várias faixas etárias e temos várias profissionais. Essas jogadoras têm a oportunidade de serem convocadas para a Seleção Paulista, para a Seleção Nacional, ou seja, de se desenvolverem. E tenho a sorte de ter ao meu lado as minhas filhas e a minha mulher, Alcione”, diz o treinador. 

O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
Foto: Getty Images

Prioridades no ciclo olímpico

Zé Roberto é cauteloso ao abordar o que pode ser sua 10ª participação em Jogos Olímpicos –tanto como atleta quanto como treinador–, e prefere encarar seus compromissos mais próximos a estabelecer prazos para a classificação a Los Angeles-2028, por exemplo. 

Com a 2ª seleção mais poderosa da atualidade –atrás somente da Itália– nas mãos, Zé Roberto destaca que, apesar da expectativa, o trabalho é determinado pelo retorno dado pelas jogadoras: “Elas estão em seus respectivos clubes treinando, jogando, e cada uma tem uma trajetória, um planejamento.” 

“Cada uma é uma. Vai depender da intensidade, do volume que essas jogadoras tiveram na temporada. O importante é conversar com cada uma delas, entender o processo, para a gente poder idealizar ou adequar o planejamento de cada jogadora. Mas a expectativa é alta, não pode ser menos que isso”, explica.  

A Seleção Brasileira feminina volta às quadras no início de junho, pela Liga das Nações de Vôlei (VNL). Brasília será a sede da primeira etapa, que acontecerá entre 3 e 7 de junho, contra Itália, Turquia, República Dominicana, Bulgária e Países Baixos. 

Zé Roberto fala sobre renovação, crise de investimentos no vôlei e LA-2028 como 'chave de ouro': 'Se tudo correr bem, é a última'
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Foto: Gabriel Gatto/Terra

Renovação e crise nos investimentos

Em meio à preparação de mais um ciclo olímpico, Zé Roberto também pondera sobre a renovação no vôlei. Na visão do treinador, a modalidade no Brasil sofreu com a perda de clubes formadores, especialmente por corte de gastos. 

“Vejo vários clubes que atuavam na formação de atletas e que pararam ou por custos, ou por vários problemas que tiveram. Nisso, temos poucos times investindo, as taxas não são fáceis, e a gente ficou devendo como formação”, avalia. 

Para Zé Roberto, a falta de engajamento da iniciativa privada no apoio ao vôlei também é uma das causas nessa crise na modalidade: “Antes, muitas empresas investiam, tinham seus nomes estampados nos uniformes. Os investimentos caíram e nós sofremos com isso”. 

“O que nos ajuda muito, hoje, e a gente não conseguiria sobreviver sem, principalmente nas categorias de base, são as leis de incentivo ao esporte. É uma das coisas que o governo mais nos ajuda e nos dá forças. É o ar que as categorias de base respiram hoje”, afirma.

Ele ressalta, ainda, a importância da parceria entre marcas, clubes e atletas. Embaixador da Melitta, Zé Roberto valoriza o patrocínio na manutenção e crescimento do Paulistano/Barueri: "É fundamental você ter um projeto, como o de vôlei de Barueri, aliado a uma marca centenária como a Melitta, que tem peso de credibilidade e de muito prestígio. Nos ajuda muito no nosso crescimento, na nossa manutenção, principalmente quando eu olho no desenvolvimento de todas as nossas categorias de base". 

O treinador, por outro lado, não vê diferença entre gerações de atletas, especialmente no que diz respeito ao engajamento das jogadoras mais jovens nas redes sociais: “O importante é o que você treina, o que faz dentro de quadra, de que maneira você se concentra. Eu trabalho com pessoas, com relacionamentos, e pessoas querem crescer, evoluir, viver, querem ser felizes”. 

“Tem o lado da cobrança, da performance. A gente representa uma nação, uma seleção nacional, que é o topo do topo. Então preciso ver o comportamento das jogadoras, as atitudes, o aproveitamento, o foco que elas têm no treinamento. Para mim, é isso que importa”. 

O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
Foto: Getty Images

Choro à beira da quadra e ‘chave de ouro’ em Los Angeles

Ao Terra, Zé Roberto também revisitou um dos momentos mais simbólicos no comando da Seleção Brasileira: a cena em que chorou ao abraçar o neto após a eliminação precoce do País em casa, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. 

Para o treinador, a queda diante da China representou o ‘inverso’ do que a seleção viveu em Londres-2012, quando o País quase caiu da competição durante a fase classificatória, mas sagrou o bicampeonato olímpico consecutivo. 

“A China ficou em quarto colocado, não era para ter ficado, a gente cruza a China perde por 3 sets a 2. O Felipe entrou na quadra e aquilo aproximou muito a gente, em todos os sentidos. Mas foi um momento muito complicado para mim, como técnico e como avô. Como avô, tive a chance de mostrar para meu neto que ganhar e perder faz parte da vida”. 

Diferentemente de Londres, o Brasil avançou pela fase classificatória no Rio com vitórias amplas antes de cair nas quartas de final: “Por isso a linha entre o sucesso e o fracasso é muito tênue. Esse é o cuidado que a gente tem que tomar. Você pode estar num bom momento e um jogo muda tudo. Então o importante é aprender, continuar trabalhando e seguir a vida, como todas as jogadoras fizeram”. 

Diante do mar de emoções proporcionado pelo vôlei, Zé Roberto vê os Jogos de Los Angeles, em 2028, como, possivelmente, seus últimos Jogos Olímpicos. Apesar da frieza ao analisar o caminho da seleção para a Olimpíada, o treinador estabelece sua ‘chave de ouro’. 

“A gente ainda tem alguns campeonatos para disputar e tem que fazer resultados, porque eu dependo de resultado. Claro que pretender é uma coisa, mas, se tudo correr bem, 2028 é a última”, finaliza.

O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
O treinador José Roberto Guimarães recebeu o Terra em seu CT em Barueri, na Grande SP, e falou sobre carreira, investimentos no vôlei e 'aposentadoria ideal'
Foto: Getty Images
Fonte: Portal Terra
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