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Mesmo sem exigência no protocolo, atletas usam máscara na Superliga de Vôlei

Especialistas avaliam medida adotada por Lucão, Maurício Borges, Carla e Yael Castiglione como positiva, mas dependendo do modelo da peça

1 dez 2020
10h11
atualizado em 2/12/2020 às 19h14
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Com a pandemia do novo coronavírus, o esporte viu o surgimento de diversos protocolos de segurança para retomar as atividades nos mais diferentes torneios. Ainda assim, em modalidades que não têm contato, alguns atletas decidiram garantir uma proteção extra e passaram a usar máscaras como mais uma barreira contra a covid-19. As peças apareceram na Superliga Masculina, com Lucão e Maurício Borges, do Taubaté, e na Feminina também, com Yael Castiglione, jogadora argentina do Pinheiros, e Carla, de São José dos Pinhais, por exemplo.

Campeão olímpico, Lucão explica que optou por aumentar o cuidado, apesar de o protocolo da Confederação Brasileira de Vôlei não exigir o uso de máscara, por causa dos efeitos físicos do tempo de inatividade e também do filho Theo, de apenas quatro anos. "Nós havíamos ficado praticamente quatro meses parados. Muitos atletas tiveram perda de massa muscular e o condicionamento físico foi muito afetado negativamente. Eu fui um dos poucos que conseguiram manter um bom nível de condicionamento. A ideia é evitar ao máximo ter de me afastar por causa da contaminação, principalmente depois de tanto trabalho para chegar a um condicionamento físico ideal e evolução técnica necessária", explicou ao Estadão. "O segundo motivo é que eu tenho um filho pequeno. Ele tem alguns problemas como bronquite, e a grande preocupação, claro, é o risco de contaminá-lo."

Lucão usa máscara durante partida da Superliga Masculina de Vôlei
Lucão usa máscara durante partida da Superliga Masculina de Vôlei
Foto: Divulgação/CBV / Estadão

A argentina Yael Castiglione optou pela peça por entender que, neste momento, nenhum protocolo é 100% seguro para os atletas retomaram suas atividades. "Acredito que quando falamos de pandemia, ainda mais tratando-se de um vírus desconhecido, nenhum tipo de protocolo é suficiente. O fato de utilizar a máscara durante os jogos começou quando tivemos o nosso primeiro contato com uma equipe que tinha tido três jogadoras com covid-19", afirmou.

"Mesmo elas não tendo viajado com o grupo, existe sempre o risco de terem passado para outras atletas e ninguém ficar sabendo, até não realizar o teste ou ter sintomas. A máscara não é uma garantia absoluta, mas pelo menos trata de reduzir, mesmo que seja pouco, o risco de contágio", completou.

A precaução tomada pelos atletas é aprovada pelo médico Antônio Bandeira, coordenador do Centro de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Aeroporto, em Salvador, e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"Mesmo que seja um esporte em que você não entra em contato direto com o rival, você está próximo dele. As pessoas tendem a festejar o ponto também. Pode usar uma máscara cirúrgica, que é uma máscara tranquila de ser usada. Mas eu a trocaria a cada hora. Porque suando, essa máscara acaba dificultando. Ela vai ficando molhada. O protocolo deveria pedir seu uso, já que ainda estamos no meio da pandemia."

Além dos jogos, os atletas utilizam a máscara nos treinos. "Estou usando direto. Para mim, já virou rotina. Em qualquer lugar que a gente vá, tem de usar, e para mim não faz mais diferença, até porque a máscara é muito boa, fornecida por um dos nossos patrocinadores", afirmou Maurício Borges.

Como a CBV não exige as máscaras em seus protocolos contra a doença, a decisão é individual dos atletas. Recentemente, alguns times passaram por surtos e tiveram jogos adiados, como o Sesc-RJ/Flamengo na Superliga Feminina e o Blumenau, na Masculina. O protocolo da competição prevê que times com quatro ou mais casos positivos em atletas possam pedir o adiamento. Mesmo com a subida de casos, Bandeira não apoia que o campeonato seja paralisado. "O fundamental é utilizarem máscaras a partir de agora. Sem máscara, vai ter transmissão", alerta o infectologista.

Sem prejuízo técnico

Segundo Antônio Bandeira, os jogadores não são prejudicados em sua capacidade física pelo uso de máscaras. "Não afetará o desempenho em nada. Inclusive, a máscara cirúrgica é folgada na parte lateral, permitindo a entrada do ar. Uma máscara N95 (as pontudas, que tem formato de navio) talvez poderia afetar, mas a máscara cirúrgica não. A máscara não impede você de respirar nem aumenta gás carbônico, mas às vezes ela causa incômido para a pessoa que começa a usar naquele dia, não vinha usando antes... fica com o nariz e a boca um pouco suada naquela área, então é bom a pessoa se acostumar", diz.

No dia 4 de setembro, o médico José Alexandre Carvalho fez advertência parecida durante seminário virtual promovido pela CBV. Ele disse ter testado em si mesmo enquanto praticava exercícios físicos moderados com uma máscara cirúrgica e ter notado apenas uma pequena variação nos níveis de oxigênio e gás carbônico, de 5%, mas que as máscaras N95 não deveriam ser utilizadas porque são mais 'pesadas'.

Os atletas afirmaram que não sentem mais o incômodo. Contudo, Yael Castiglione aponta outros problemas para além da capacidade de respiração. "Por enquanto não senti que tenha afetado no meu desempenho, mas é real que a máscara atrapalha muito para se comunicar em quadra e também reduz um pouco a visão periférica", relata. "Atrapalha um pouco, é normal, mas já me acostumei. Então, o uso não mudou meu desempenho. No meu dia a dia não atrapalha mais, uso sempre, não faz mais diferença", acrescenta Maurício Borges.

Lucão vai na mesma linha. O jogador do Taubaté diz não ter problemas e também toma outras precauções durante os jogos. "Eu me adaptei bem ao uso dela nos treinos e jogos. Não acho que tenha de ter cobrança para outros atletas usarem, já que todos estão seguindo as regras de protocolo determinadas. Como no vôlei a dinâmica do jogo permite alguns momentos de recuperação, é tranquilo. Quando eu saio para a entrada do líbero, por exemplo, fico mais isolado e respiro um pouco sem a máscara. Não senti nenhum tipo de queda no rendimento ou algo do tipo."

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Estadão
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