Incrível! Técnico que não vence um jogo desde 2019 está no cargo há 30 anos
José Luis de La Quintana acumula as funções de técnico e presidente do incansável Alto Perú, equipe que disputa a terceira divisão do Uruguai
Enquanto demissões de treinadores são comuns após uma sequência de maus resultados, um clube da terceira divisão do Uruguai vive uma realidade completamente diferente. Mesmo sem vencer uma partida válida pelo campeonato há 76 jogos consecutivos - ou seja, desde 2019 - , o Alto Perú mantém José Luis de La Quintana no comando. Além de treinador, ele também é presidente.
A última vitória do Alto Perú pela liga aconteceu no distante dia 20 de julho de 2019 (muito antes da pandemia da Covid-10), quando derrotou o Artigas por 5 a 2. Desde então, o clube acumula uma longa série negativa, com 14 empates e 62 derrotas pela terceirona do Campeonato Uruguaio.
"Quando as coisas dão errado, não fico me lamentando. No dia em que perder a força ou a vontade, eu paro", disse La Quintana em entrevista ao jornal argentino Olé.
A trajetória de La Quintana como treinador começou ainda como jogador do Alto Perú nos anos 1980 e 1990. Aos 32 anos, ele assumiu o comando da equipe e estreou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Huracán de Paso de la Arena. Em 2019, ele assumiu a presidência do Alto Perú após a morte de Carlos Acosta Vidiella.
Nesse período de sete anos sem vitórias no campeonato, o clube conquistou apenas dois resultados positivos em outras circunstâncias. Em 2022, venceu o Progresso Atlántida por 3 a 2 pela Copa do Uruguai. Já em 2020, foi declarado vencedor por W.O. pelo não comparecimento do Mar de Fondo.
Clube tem um pouco menos de 40 associados
"Nós planejamos tudo dentro da nossa realidade e dos recursos que temos. Queremos subir para a Série B, mas é muito difícil. No futebol, sempre entramos em campo para vencer, embora isso nem sempre seja possível", afirma.
A estrutura do clube reflete essas dificuldades. O Alto Perú não possui sede própria e tem um pouco menos de 40 associados. Ainda assim, a direção prefere manter a administração independente, mesmo após receber propostas de investidores.
"Já recebi ligações da Argentina. Um dos interessados chegou a me enviar uma foto ao lado do Maradona, mas, por enquanto, queremos continuar sendo um clube social", revelou.
Segundo o dirigente, o equilíbrio financeiro é uma prioridade para a sobrevivência da equipe.
"Não gastamos mais do que arrecadamos", garante.
Admirador de Alex Ferguson, o mítico treinador do Manchester United, La Quintana revela qual é o estilo de jogo que procura implantar em suas equipes.
"Gosto de um time que defenda como os italianos, seja rápido como os ingleses e finalize como os brasileiros. Mas, nas divisões inferiores do Uruguai…", conforma-se.
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