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Rafael Nadal mostra por que a jovem guarda ainda terá de esperar

Espanhol conquistou o quarto título no Aberto dos Estados Unidos no último domingo

11 set 2019
04h52
atualizado às 17h02
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Para um campeão de tênis aferrado à rotina, Rafael Nadal sem dúvida conseguiu administrar as mudanças. Os sinas do tempo estavam por toda parte quando ele venceu Daniil Medvedev numa estafante e deslumbrante final de U.S. Open, na noite do último domingo. Quando o espanhol ganhou seu primeiro título do Grand Slam americano, em 2010, não havia um teto retrátil sobre sua cabeça nem relógio digital para enervá-lo no Estádio Arthur Ashe.

No domingo, mesmo seu rival iminente do outro lado da rede foi uma quebra da tradição. Medvedev não tinha nada dos usuais adversários de Nadal - Novak Djokovic, Roger Federer ou Stan Wawrinka. Ele era simplesmente Medvedev, uma imprevisível e nada ortodoxa máquina russa de jogar tênis, mas também dono de uma espantosa habilidade para atacar. Nadal, um grande defensor, pôde confirmar isso.

Poucos tenistas de elite pareceram tão lentos num primeiro momento quanto o aparentemente desengonçado Medvedev, de 1,98 m. Mas ele virava um raio nas jogadas nos cantos ou nos golpes inesperados. Ele tem apenas 23 anos - 10 a menos que Nadal. que disputava a 27ª final de um torneio de singles. Mas, enquanto a revolução jovem avança no tênis feminino, no jogo masculino ela ainda vai ter de esperar um pouco. Nadal comprovou isso.

O jogo durou 4 horas e 50 minutos e os devidos abraços e lágrimas fizeram justiça a todas as finais épicas dos últimos dez anos. A partida também preservou o domínio dos Três Grandes que vem desafiando a lógica. No fim de 2009, os três maiores do ranking eram Federer, Nadal e Djokovic. Na segunda-feira, os mesmos três continuavam no topo, com Djokovic em primeiro, Nadal em segundo, na cola, e Federer um pouco mais distante, em terceiro.

Bianca Andrescu, uma canadense de 19 anos, venceu o U.S. Open no sábado, tornando-se a primeira mulher nascida nos anos 2000 a ganhar um Grand Slam singles. Os homens ainda esperam por um tenista nascido nos anos 1990 para ganhar um, embora Medvedev tenha chegado perto.

"É ótimo ver novas caras chegando à WTA e talvez também estejamos precisando de umas aqui", disse Carlos Moya, ex-número 1, que atualmente treina Nadal. "Para nossa equipe, é melhor que Rafa continue lá, mas é claro que é preciso haver novos jogadores como Medvedev e outros. Mais cedo ou mais tarde, eles acabarão vencendo Slams."

Não será antes de 2020. Os anos 2010 foram encerrados e Nadal, Djokovic e Federer continuam lá. Já surgem, porém, sinais de desgaste. As dores nas costas de Federer estão aumentando e ele foi derrotado por Grigor Dimitrov nas quartas de final do Open.

Djokovic tem dores no ombro cada vez piores. Ele deixou a partida contra Wawrinka no quarto round e pode não jogar por um longo período se seu caso exigir cirurgia ou um prolongado repouso. A disputa para ver quem encerrará a carreira com mais títulos de Grand Slam é certamente motivadora. Federer tem 20 conquistas, Nadal agora tem 19 e Djokovic, 16.

"Esses três caras são lendas", disse Medvedev referindo-se a Nadal, Djokovic e Federer. "O modo como estão jogando tênis é simplesmente inacreditável."

Nadal deixou claro após o jogo com Medvedev que experiência tem seus prós e contras. "Tenho 33 anos, não 23", disse ele. "Isso não é obviamente vantagem, mas sob um aspecto mental pode vir a ser. Se você estiver num momento negativo, sabe por experiência que ainda pode ter chances."

Num dia distante, mesmo Nadal vai perder o gás. Ele já lutou no começo do ano com uma série de lesões, mas afastou o pessimismo com a ajuda de Moya e recuperou seu "mojo". O resultado foi encorajador: um 12º título em Roland Garros, chegada às semifinais de Wimbledon e outro título no U.S. Open. Com uma nova década despontando, a velha guarda ainda dá as cartas.

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

Estadão
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