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Tênis

Irmãs Williams escrevem sua história

31 ago 2009 - 17h20
(atualizado às 17h28)
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Fechar uma grande partida não é nada, comparado a concluir um roteiro. Pergunte a Serena Williams, que passou as últimas semanas batalhando para escrever seu primeiro roteiro. A irmã, Venus, lhe deu um livro que ensina técnicas de redação para cinema, mas Serena afirma que os problemas que encontrou são mais mentais que mecânicos. "Eu ocasionalmente me enervo na linha de chegada", declarou, antes do Western & Southern Financial Group Open, em Mason, Ohio, na semana passada.

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As irmãs Williams se criaram na Califórnia e treinam na Flórida, mas uma história sobre elas necessariamente vai passar por Nova York, pelo Aberto dos Estados Unidos. Para Serena, em especial, o Arthur Ashe Stadium é um segundo lar. No início do torneio deste ano, ela ocupa o segundo posto do ranking do tênis feminino, com sua irmã Venus em terceiro lugar.

Há 10 anos, Serena venceu seu primeiro título de Grand Slam no Aberto dos Estados Unidos, derrotando Martina Hingis por dois a zero. (Venus havia perdido nas semifinais para a mesma adversária, dois anos antes).

O Centro Nacional de Tênis viu a primeira final de Grand Slam entre as duas irmãs, em 2001. Venus venceu por dois a zero, em uma partida que atraiu audiência televisiva maior do que o jogo entre as universidades de Notre Dame e Nebraska, duas potências do futebol americano.

"Serena continua a nos propiciar nossas maiores audiências", diz Mary Carillo, comentarista de tênis das redes de TV NBC e CBS. "Mais que Roger Federer, mais que Andy Roddick, mais que Rafael Nadal".

Caso Serena decida aproveitar suas experiências e as de Venus, teria uma história preciosa, com as ferozes partidas pessoais entre as duas, o senso de moda audacioso que elas introduziram no esporte, o apego que continuam a demonstrar uma à outra, e seu duplo domínio das quadras.

Serena dificilmente conseguiria imaginar história mais fascinante que a ascensão de duas irmãs negras, das quadras precárias de Compton, na Califórnia, ao pináculo do tênis - as duas combinam 83 semanas na primeira posição do ranking feminino, de 2002 para cá, e conquistaram 18 títulos de Grand Slam na categoria simples, entre os quais cinco Aberto dos Estados Unidos.

Serena, 27, e Venus, 29, estão criando um legado conjunto cujo final ainda não pode ser previsto, e que provavelmente jamais se repetirá. "É difícil chegar ao topo, para qualquer pessoa", diz Pam Shriver, analista da ESPN. "Ter duas pessoas na mesma família, e na mesma geração, e jogando tantas vezes uma contra a outra - isso é algo de único".

Elas impuseram sua vontade ao tênis feminino. "Antes delas, jogadoras como Hingis dominavam as quadras com técnica pura", disse James Blake, que chegou a estar entre os 10 melhores tenistas do mundo antes que lesões nos tornozelos o forçassem a interromper a carreira.

"Mas essas meninas começaram a usar o jogo de força, a jogar sem reservas. Quem não sacasse forte o suficiente para deslocá-las estaria em dificuldade, porque elas dominam a quadra em termos físicos", acrescentou. "Agora, muitas tenistas adotaram esse estilo, o que o torna o esporte mais interessante", disse ele.

Elas abrem caminho nas quadras como os moradores de Nova York abrem caminho nas ruas: com força e elegância. Lembram-se do macacão com que Serena jogou até chegar ao título de 2002? E de Venus, declarando ao chegar à final do Aberto dos Estados Unidos em 1997, que "eu sou alta. Eu sou negra. Tudo em mim é diferente. Aceitem o fato".

A semelhança delas com Arthur Ashe, tenista negro que venceu o Aberto duas vezes, é apenas cutânea. Em termos de competição, são mais parecidas com Jimmy Connors, que venceu o torneio cinco vezes e explorava como motivação o fato de que se sentia excluído. Connors e a mãe, Gloria, eram uma unidade tão fechada quanto Venus, Serena e Richard, seu pai e o responsável por moldar suas carreiras.

"Gloria instilou em Jimmy a ideia de que se você tem origens humildes, as pessoas não querem que ganhe", disse Carillo. "As irmãs Williams foram criadas da mesma maneira, com essa mentalidade de confronto, de boxeadoras".

As irmãs se profissionalizaram aos 14 anos, Venus em 1994 e Serena um ano mais tarde. Muito se diz sobre os métodos heterodoxos de Richard, que tirou as filhas do circuito júnior e limitou Venus a nove torneios em seus três primeiros anos como profissional.

Venus terminou debutando no Aberto dos Estados Unidos, mas isso não significa que seu caminho tenha sido fácil. Nas semifinais, Irina Spirlea deu um encontrão em Williams, causando choque no mundo do tênis. Richard disse que o incidente tinha motivação racial.

A colisão rendeu uma grande controvérsia. Spirlea insinuou que Venus não respeitava as jogadoras mais velhas e que ela agia como se fosse a melhor do esporte. Venus, exasperada, respondeu: "Não venho a torneio para fazer amigos, ir a festas, travar conversações. Venho para vencer, mas isso não significa que eu seja má, cruel ou jogue sujo".

Tradução: Paulo Migliacci ME.

Foto: AP
The New York Times
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