Esperança americana explica início no tênis: "eu queria um vestido"
Aos quatro anos de idade ela assistia a Venus Williams jogar na televisão e se apaixonou pelo vestido da americana. Assim começou a carreira da jovem Madison Keys, uma das principais esperanças do tênis dos Estados Unidos para o futuro.
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“Eu realmente queria um vestido de tênis”, afirma, sorrindo, Keys, hoje com 17 anos. “Meus pais me disseram que, se eu jogasse, eles me comprariam um. Eu fiquei meio assim: ‘ei, vou experimentar’”.
Agora, Keys tem um armário cheio de vestidos próprios para tênis e talento suficiente para alcançar a terceira rodada do Aberto da Austrália, fase à qual chegou na última quarta-feira. Na noite desta quinta, a partir das 22h (de Brasília), ela entrará na Rod Laver Arena, a quadra principal do torneio em Melbourne, para enfrentar a alemã Angelique Kerber, quinta colocada do ranking mundial.
Dona da 105ª posição da mesma lista, Keys entrou na chave principal graças a um convite. Ela bateu na segunda fase da competição a húngara Tamira Paszek, número 30 do mundo, por 6/2 e 6/1, em apenas 56 minutos – recebendo elogios de pessoas que atualmente estão assistindo a ela jogar.
Uma delas é a ex-tenista americana Lindsay Davenport, ganhadora de três Grand Slams durante a carreira, que acredita que Keys tem um “incrível potencial”.
“Melhor esperança que vi para os EUA desde Williams”, escreveu Davenport no Twitter, não esclarecendo se fazia uma referência a Venus Williams, 32 anos e vencedora de sete Grand Slams, ou à irmã desta, Serena, 31 anos e vencedora de 15.
Keys deu um grande sorriso e seu rosto ficou vermelho quando os jornalistas lhe contaram sobre a opinião de Davenport. “Isso me deixa realmente muito feliz”, disse a adolescente. “Tenho trabalhado muito duro. Acho que agora isso está começando a aparecer”.
Depois da partida contra Paszek, Keys estava acomodada ao ingressar na sala de conferência de imprensa dos jogadores no Melbourne Park, geralmente reservada às principais estrelas do circuito ou às tenistas que batem aquelas.
Um pouco atônita com a atenção recebida, Keys explicou que sua introdução ao tênis foi fruto da “completa sorte”. Os pais da americana são advogados, e ninguém em sua família joga tênis, mas ela se apaixonou pelo esporte desde o primeiro momento em que segurou uma raquete, aos 4 anos de idade.
“A cada dia, meus mais me abasteciam com bolas. Isso culminou comigo tendo um técnico, e então culminou comigo indo para uma academia”, disse ela, adicionando, de modo tímido: “você sabe, isso funcionou muito bem”.
Keys virou profissionou em seu 14º aniversário, em 17 de fevereiro de 2009, e fez sua estreia no circuito em Ponte Vedra Beach, onde se tornou a sétima tenista mais jovem da história a vencer uma partida de chave principal de torneio – a mais jovem desde a suíça Martina Hingis, em 1994.
Aos 16 anos, a americana disputou seu primeiro Grand Slam, no Aberto dos Estados Unidos, sendo a jogadora mais jovem e, como número 455 do mundo, a de pior ranking na chave. Ela passou à segunda rodada e então recebeu um convite para o Aberto da Austrália do ano passado, no qual perdeu na estreia.
Em 2013, Keys disputa, no Aberto da Austrália, o terceiro Grand Slam da carreira e tem o melhor resultado até aqui. Nesta quinta-feira, ela encara um teste duro na terceira rodada, contra Kerber, semifinalista de Wimbledon que bateu a checa Luci Hradecka por 6/3 e 6/1 na fase anterior em Melbourne.
Diferentemente dos temores que ela sentiu no Aberto dos Estados Unidos, a americana se sente com mais confiança agora. “Na minha primeira chave principal do US Open, era um grande estádio e eu não estava acostumada a isso”, disse ela. “Mas me sinto bem em relação a este até aqui”, completou, com menção à competição disputada na Austrália.
Sua antiga referência, Venus Williams, teve um bom dia também na quarta-feira. Ela avançou à terceira rodada em Melbourne depois de bater a francesa Alize Cornet por duplo 6/3. A americana faz confronto de antigas líderes do ranking com a russa Maria Sharapova nesta sexta, também na Rod Laver Arena, às 6h (de Brasília).
Questionada como se sentia tendo jogadoras mais novas se espelhando nela, Venus riu. “Estou lutando contra as rugas e lutando a batalha da 'barriguinha' e tudo mais”, respondeu Williams. “Eu ainda estou magra e esbelta, agradeço a Deus”, completou ela, atualmente na 26ª colocação do ranking.