Com prêmio gigante, challenger seduz tenistas e minimiza público ruim
18 nov2011 - 08h18
(atualizado às 11h47)
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Henrique Moretti
Direto de São Paulo
Um circuito conhecido como de segundo escalão no mundo do tênis vive dias de luxo em São Paulo. De 16 a 20 de novembro, o Ginásio do Ibirapuera recebe a primeira edição do ATP Challenger Tour Finals, torneio que pode distribuir US$ 91,2 mil (R$ 161,2 mil) ao campeão, prêmio capaz de atrair atletas internacionais. Falta seduzir o público, fraco nos primeiros dias da competição.
"O prêmio para o campeão invicto é maior que o do Brasil Open", aponta Luiz Procopio Carvalho, gerente esportivo da Koch Tavares, promotora do campeonato na capital paulista, enquanto minimiza o público pequeno do início do torneio. "Trezentas pessoas para o primeiro dia de um evento ATP é um bom número", diz, em referência à rodada noturna da última quarta-feira, com o brasileiro Thomaz Bellucci vencendo o americano Bobby Reynolds. O problema maior ocorre mais cedo: nesta quinta, havia 39 espectadores quando a rodada começou, às 15h (de Brasília), com a partida entre os alemães Cedrik-Marcel Stebe e Matthias Bachinger.
Em uma iniciativa inédita e sob um contrato de sede de três anos, a empresa postulou junto à ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) a criação da competição reunindo os sete jogadores que mais pontuaram nos challengers durante a temporada e um convidado local - no caso Bellucci. Eles foram divididos em dois grupos, e após enfrentamento em turno único os dois melhores de cada chave avançam à semifinal para concorrer ao milionário prêmio. Tudo nos moldes do ATP Finals, que vai opor os oito mais bem posicionados do ranking mundial em uma disputa em Londres na próxima semana.
Os US$ 91,2 mil arcados pelos patrocinadores no Ibirapuera são de fato superiores aos US$ 85,7 mil (R$ 151,5 mil) que levou o ganhador do Brasil Open de 2011, o espanhol Nicolás Almagro, na época o número 13 do mundo. E muito maiores que os US$ 18 mil (R$ 32 mil) recebidos pelo campeão de um dos challengers mais fortes do ano, o de Tashkent, no Uzbequistão. "90 mil dólares é tanto!", exclama Stebe, 21 anos, 103º colocado do ranking.
Tenistas próximos do grupo dos 100 melhores do planeta são exatamente os que costumam participar de challengers. O circuito profissional reúne ainda duas séries: future (para atletas recém-saídos do juvenil) e ATP, cujas competições podem variar entre 250 (categoria do Brasil Open), 500, Masters 1000 e Grand Slam - os números indicam a quantidade de pontos ganhos no ranking pelo vencedor, sendo 2 mil nos Slam). O Challenger Finals distribui 125 pontos ao campeão se este for invicto.
A partir das 21h desta quinta, com Bellucci em quadra na derrota para o alemão Andreas Beck, o público novamente melhorou. O borderô não foi divulgado pela organização, mas se calcula que havia pouco mais de 1 mil espectadores. "Brasileiro gosta de ver final, né? E tendo um brasileiro na semi e na final acho que vai ter mais gente a partir de sábado e domingo", comenta Jorge Lacerda Rosa, presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), uma das realizadoras do campeonato.
"O problema também é que o ginásio é muito grande", completa ele. Já sabendo disso e calculando a demanda do torneio, os organizadores reduziram o tamanho do Ibirapuera para 3.500 lugares, fechando o anel de cadeiras superiores do recém-reformado ginásio. No Brasil Open, serão vendidos ingressos para todos os assentos, totalizando uma capacidade de 7 mil pessoas.
Em outubro, quando anunciou a mudança do único ATP nacional do Sauípe para São Paulo, o governador do estado Geraldo Alckmin projetou um público de 20 mil espectadores por dia para o evento, que será disputado ainda em um ginásio secundário próximo ao principal, o Mauro Pinheiro, com 2.500 lugares. A competição provavelmente terá quatro integrantes do top 20 do ranking, sendo dois do top 10, conforme adianta Luiz Procopio Carvalho.
Com um apelo maior, o preço dos bilhetes também aumentará. No Challenger Finals as cadeiras inferiores custam R$ 20 (meia-entrada por R$ 10) e menores de 15 anos não pagam para ver as partidas. Ainda segundo Carvalho, no Brasil Open o ingresso do anel superior deve custar R$ 20, com o preço do inferior ainda a ser estudado.
Trinta e nove pessoas estavam presentes no Ginásio do Ibirapuera às 15h (de Brasília) desta quinta-feir, na abertura da rodada do dia no ATP Challenger Tour Finals. Em iniciativa inédita, torneio reúne os sete tenistas que mais pontuaram no circuito challenger durante a temporada mais o convidado local Thomaz Bellucci
Iniciada em dezembro de 2010 sob enorme expectativa, a parceria entre Thomaz Bellucci, tenista número 1 do Brasil, e Larri Passos, ex-técnico de Gustavo Kuerten, foi encerrada nesta quarta-feira com menos de um ano e de maneira decepcionante: sem títulos, e com um Bellucci em uma fase terrível no circuito profissional. Recorde, a seguir, os principais momentos da dupla, que tinha como objetivo o topo do ranking da ATP:
Foto: Getty Images
Depois de oficializar a parceria com Larri em dezembro de 2010, Bellucci estreou na temporada 2011 em janeiro com uma vitória sobre o americano Michael Russell em três sets no ATP 250 de Auckland; o brasileiro, porém, caiu nas quartas de final diante do colombiano Santiago Giraldo
Foto: Getty Images
Decepcionante foi o desempenho do brasileiro no Aberto da Austrália: Bellucci foi eliminado na segunda rodada do Grand Slam inaugural de 2011 pelo checo Jan Hernych, então número 241 do mundo, por 3 sets a 2: 6/2, 6/7 (11-13), 6/4, 6/7 (3-7) e 8/6 para o europeu
Foto: AP
Bellucci tampouco conseguiu se recuperar no ATP 250 da Costa do Sauípe. O brasileiro, que defendia na Bahia o vice-campeonato de 2010, foi arrasado nas quartas de final pelo argentino Juan Ignacio Chela por 6/1 e 6/2
Foto: Marco Máximo / Divulgação
Os primeiros grandes resultados da parceria entre Bellucci e Larri vieram no ATP 250 de Acapulco. Em solo mexicano, o brasileiro surpreendeu na primeira rodada e derrotou o espanhol Fernando Verdasco, na ocasião nono do ranking da ATP, por 2 a 1: 6/4, 4/6 e 6/3
Foto: EFE
Em uma temporada de 2011 bastante oscilante, Bellucci não conseguiu dar continuidade aos resultados expressivos quando disputou o Masters 1000 de Miami: ele perdeu a estreia para o americano James Blake. O ex-top 10, que aparecia como 173º do mundo na época, levou a melhor por 2/6, 6/4 e 7/6 (8-6)
Foto: AP
O grande momento de Bellucci sob a orientação de Larri Passos foi no Masters 1000 de Madri, quando o brasileiro conseguiu resultados incríveis e derrotou nas oitavas de final o escocês Andy Murray, então quarto do mundo
Foto: AFP
Depois de bater Murray por incríveis 6/4 e 6/2, Bellucci se classificou à semifinal da capital espanhola ao despachar o checo Tomas Berdych, àquela altura nono do mundo, por 7/6 (7-2) e 6/3
Foto: Getty Images
O maior momento de Bellucci na temporada talvez tenha sido o início da semifinal de Madri, contra o sérvio Novak Djokovic, então invicto no ano. O brasileiro saiu na frente, venceu o primeiro set e teve uma quebra de vantagem na segunda etapa, mas acabou cedendo a virada por 2 a 1: 4/6, 6/4 e 6/1 para Djokovic, que seguiu em passos largos para atingir o topo do ranking
Foto: EFE
Apesar do embalo pela ótima campanha em Madri, Bellucci foi decepcionante no torneio seguinte, o Masters 1000 de Roma: cansado, o brasileiro foi presa fácil para o italiano Paolo Lorenzi (foto), 148º do mundo, que saiu vencedor na partida de estreia por 7/6 (7-5) e 6/3
Foto: AFP
O paulista da cidade de Tietê tampouco conseguiu se destacar em Roland Garros, onde Larri Passos viu seu pupilo Gustavo Kuerten ser três vezes campeão. Bellucci caiu na terceira rodada para o francês Richard Gasquet em quatro sets
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Em Wimbledon, Bellucci teve trajetória ainda mais curta: caiu na estreia para o veterano alemão Rainer Schuettler por 3 sets a 0: 7/6 (7-3), 6/4 e 6/2
Foto: AFP
A segunda metade da temporada de Bellucci foi terrível: o brasileiro teve sua última vitória em torneios ATP ao bater o cazaque Andrey Golubev na estreia do Masters 1000 do Canadá por 7/5 e 7/6 (8-6); na etapa seguinte, ele perdeu para o francês Richard Gasquet
Foto: AP
Logo depois, no Masters de Cincinnati, o brasileiro foi vitimado na estreia pelo espanhol Fernando Verdasco por 6/3 e 7/6 (7-4)
Foto: Getty Images
Um dos maiores vexames do paulista se deu no Aberto dos Estados Unidos: depois de abrir 2 a 0 sobre o israelense Dudi Sela, então número 93 do planeta, o brasileiro acabou eliminado na estreia ao ceder virada por 4/6, 2/6, 6/4, 6/3 e um humilhante 6/0
Foto: Getty Images
O último resultado positivo de Bellucci em 2011 aconteceu na metade de setembro, pela repescagem para o Grupo Mundial da Copa Davis, quando superou Igor Andreev por 6/4, 6/3 e 6/3
Foto: Reuters
Ainda na Davis contra a Rússia, na casa dos europeus, Bellucci teve a chance de recolocar o Brasil na elite da competição quando vencia Mikhail Youzhny por 2 sets a 1. O paulista, porém, sucumbiu na batalha contra o rival por 3 a 2: 2/6, 6/3, 5/7, 6/4 e 14/12
Foto: AP
No ATP 500 de Pequim, Thomaz Bellucci voltou a decepcionar na estreia. Contra o veterano espanhol ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero (foto), que ocupava a posição 84 do ranking, o brasileiro caiu por 6/1 e 7/6 (7-4) logo na estreia
Foto: Getty Images
Bellucci ainda foi superado pelo russo Dmitry Tursunov no Masters 1000 de Xangai na rodada inicial antes de chegar à Suíça para o ATP da Basileia, onde cedeu nova virada, dessa vez para o finlandês Jarkko Nieminen (foto), 66º do planeta
Foto: Getty Images
O último jogo de Bellucci sob os conselhos de Larri Passos foi no Masters 1000 de Paris, no início desta semana. O brasileiro caiu novamente em uma estreia, de novo de virada, para o americano Alex Bogomolov Jr, que terminou com parciais de 4/6, 7/6 (7-4) e 6/2